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A 30º Parada LGBTI+ deste domingo (23) mais uma vez transformou a orla do Rio de Janeiro em um dos maiores palcos de diversidade do país. Mas para quem acompanhou o evento como imprensa, a experiência ultrapassou o brilho das cores e o volume dos trios elétricos: revelou a profundidade de um movimento social que segue vivo, pulsante e necessário. Cobrir a Parada é testemunhar, de perto, a força de um coletivo que insiste, ano após ano, em afirmar que todas as pessoas merecem existir e amar sem medo, que o espaço público também lhes pertence.
A jornada começou antes mesmo dos primeiros trios ganharem a rua. Na coletiva de imprensa, ainda pela manhã, já era possível sentir que o dia carregaria um peso simbólico importante. A apresentação do Coral do Grupo Arco-Íris abriu a programação com um silêncio reverente, seguido por vozes que pareciam costurar memória, resistência e esperança ao mesmo tempo. Era impossível não lembrar que por trás da celebração existe uma luta que atravessa décadas.
As falas dos organizadores reforçaram a urgência de políticas públicas, de segurança ampliada e do pleno reconhecimento dos direitos da população LGBTI+. Nos bastidores, era perceptível o quanto cada pessoa que compunha aquela mesa carregava não apenas dados ou discursos preparados, mas experiências reais de quem já viveu na pele as consequências da exclusão. A coletiva, para quem observa com olhar jornalístico, mostrou que a Parada permanece sendo um espaço de reivindicação antes de ser um evento cultural.
Ainda nos bastidores, representantes de marcas parceiras, patrocinadores e convidados especiais mostravam que o diálogo entre sociedade civil e instituições privadas começa a ganhar mais força, sem esquecer que o compromisso precisa ir além da presença no evento. A fala do diretor do Grindr, agradecendo a oportunidade de fomentar visibilidade e segurança, reforçou esse ponto. Já a entrevista com Salete Campari, referência histórica no movimento, trouxe a dimensão humana da luta: ela lembrava que “nenhuma conquista veio de graça” e que cada avanço ainda precisa ser protegido diariamente.
Quando a coletiva terminou e a cobertura seguiu para a rua, a paisagem era outra, não apenas visualmente, mas. emocionalmente. É possível observar detalhes que muitas vezes passam despercebidos no meio da música e da euforia. Famílias inteiras caminhavam pela orla com naturalidade. Crianças seguravam bandeiras com a mesma simplicidade com que segurariam um brinquedo. Casais idosos caminhavam de mãos dadas como quem, finalmente, encontrou um lugar onde o tempo não pesa. Jovens tiravam fotos, se abraçavam, compartilhavam glitter e histórias. Pessoas que talvez nunca se cruzassem em outros contextos conviviam ali com respeito e alegria.
Essa convivência, essa civilidade orgânica e espontânea, talvez tenha sido um dos aspectos mais marcantes da Parada deste ano. Em meio a tanta diversidade, imperava um espírito de acolhimento, como se a cidade, por um dia, decidisse respirar com mais leveza. Não havia apenas festa: havia cuidado. Pessoas oferecendo água umas às outras, desconhecidos ajudando quem passava mal, voluntários orientando o público, equipes de segurança atuando com respeito. Tudo isso compôs um cenário que mostrava que, quando o espaço público é vivido com respeito e responsabilidade, ele se transforma.
Do ponto de vista jornalístico, observar a multidão avançando pela orla é compreender a dimensão política desse encontro. Cada bandeira erguida carregava uma história de luta; cada gesto de carinho, um ato de resistência; cada sorriso aberto representava um capítulo da conquista por visibilidade. A Parada é uma celebração, sim, mas é também um termômetro da sociedade: revela o quanto avançamos e o quanto ainda precisamos avançar.
Ao final do dia, quando os trios começaram a se dispersar e o céu escureceu, restou a sensação de que algo importante havia sido renovado. A Parada LGBTI+ não é apenas um evento anual. É uma construção coletiva de futuro. Um lembrete de que a cidade só é plena quando abraça todas as suas identidades. E, para quem cobriu cada detalhe como imprensa, ficou evidente que o Rio testemunhou algo maior do que uma celebração: testemunhou a força de uma população que insiste em existir com dignidade, coragem e amor.
Em meio à multidão, ao som dos trios, às cores que tomaram conta da avenida e à vibração de milhares de pessoas, ficou claro que o amor sempre continua sendo a forma mais poderosa de resistência. E, quando vivenciado em conjunto, transforma a rua em história
A cobertura evidenciou a força, a organização e a dimensão do evento, que se consolidou como um dos principais atos de diversidade e reivindicação de direitos do país. Durante a coletiva acompanhamos de perto a participação de importantes lideranças do movimento, que compartilharam perspectivas sobre representatividade, políticas públicas e os desafios enfrentados pela população LGBTI+.
Ao longo do dia, tivemos acesso à estrutura montada por patrocinadores, incluindo áreas exclusivas destinadas a convidados e profissionais de comunicação, o que permitiu observar a relevância institucional e o alcance da Parada.
A partir dessa observação jornalística, vimos que o evento se destacou pela atmosfera vibrante e pela forte expressão de liberdade. Diversos registros mostraram participantes celebrando suas identidades, demonstrando afeto e ocupando o espaço público com alegria e segurança. A Parada reafirmou seu caráter social e político, evidenciando a importância contínua da visibilidade e da luta por direitos.


Fotos: Divulgação
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