A economia política da revolução digital

Esperávamos que os trabalhadores se apropriariam dos meios de produção, das fábricas e das terras, com as forças na base da sociedade. Quem delas se apropriou foram os rentistas financeiros e monopolizadores mais ricos no topo. Bem-vindos à revolução digital.

A economia política da revolução digital

As mudanças que enfrentamos são estruturais, e geram uma outra articulação sistêmica no conjunto da sociedade. Aqui, juntamos as peças, e o resultado é mais do que preocupante.

Enfrentamos a economia imaterial: bits, sem limites de estoque, velocidade da luz, conectividade, sociedade em rede. Capacidade de busca e análise, inteligência artificial. Conhecimento disponível online e ilimitado, comunicável e passível de colaboração planetária. Mudança de processo decisório corporativo (absentee owners). Dinheiro imaterial, apropriação privada rentista. Maximização do rentismo, atenção como fonte de rentas, marketing comportamental. Nova divisão de classes. Marketing político e apropriação da esfera pública. Legislação correspondente, patentes, copyrights. Impacto desastroso em termos de desigualdade e destruição ambiental. E temos conhecimento, ciência e tecnologia como construção social, potencial da colaboração, podemos buscar a reapropriação democrática da revolução digital. Temos o suficiente em termos de recursos, sabemos o que deve ser feito em termos sociais e  ambientais.

Trata-se de reorientar os recursos, tecnologias e políticas em esforços convergentes para os desafios críticos. Não são apenas fragmentos de mudanças, é uma mudança de paradigma.

– Prof. Ladislau Dowbor

Por Jornal da República em 02/01/2026
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