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A Austrália fechou nesta sexta-feira (2) sua Embaixada em Brasília por “preocupações com a segurança” e passou a recomendar que seus cidadãos evitem instalações diplomáticas dos Estados Unidos no Brasil. A medida ocorre dois dias antes do primeiro turno e após Washington suspender os serviços consulares no país alegando razões de segurança, sem revelar publicamente qual ameaça motivou a decisão.
No alerta oficial para viajantes, o governo australiano também menciona o risco de terrorismo. O comunicado afirma que “o terrorismo é uma ameaça em todo o mundo” e que atentados podem ocorrer em qualquer lugar e a qualquer momento, com atenção especial a espaços públicos, áreas turísticas e locais frequentados por estrangeiros. O texto, porém, não aponta uma ameaça terrorista específica no Brasil.
A recomendação termina com o aviso: “Exercer alto grau de cautela no Brasil devido à ameaça de crimes violentos.” O Brasil permanece no segundo dos quatro níveis adotados pelo governo australiano.
Apesar do fechamento da embaixada e das novas advertências, a Austrália manteve o Brasil no nível 2 de cautela para turistas, assim como fizeram os Estados Unidos.
Os Estados Unidos também mantiveram inalterada sua classificação geral para viagens ao Brasil, apesar de suspenderem os serviços consulares na Embaixada em Brasília e nos consulados no país. O Departamento de Estado não relacionou oficialmente a decisão às eleições de domingo nem detalhou a natureza das preocupações de segurança.
A embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, relacionou diretamente a orientação australiana à medida americana. “Em 2 de outubro, EUA emitiram um alerta de segurança para evitar instalações diplomáticas dos EUA devido a preocupações com a segurança”, escreveu.
Na sequência, Davies acrescentou: “Também recomendamos evitar a embaixada dos EUA, os consulados e outras instalações diplomáticas dos EUA no Brasil e nas áreas adjacentes.”
No governo brasileiro, os gestos tomados tanto pelos EUA como pela Austrália foram considerados como “factoides”. Segundo a apuração da reportagem, as autoridades nacionais consideram que não existem sinais de violência ou de ameaças que justifiquem as medidas adotadas pelos dois governos estrangeiros.
A situação, descreveu uma fonte do alto escalão brasileiro, é de “normalidade” às vésperas de uma eleição. A avaliação é de que medidas preventivas de representações diplomáticas em períodos eleitorais não são incomuns, inclusive na América Latina, mas que chama atenção a dimensão dada aos anúncios sem a apresentação pública de uma ameaça concreta.
EUA não detalham ameaça
Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (1º) que os serviços consulares seriam suspensos nesta sexta por “preocupações com a segurança”. Cidadãos americanos foram orientados a não comparecer à Embaixada, aos consulados ou a outras instalações diplomáticas, inclusive em busca de atendimento emergencial.
O governo americano afirmou estar trabalhando com autoridades brasileiras para tratar das questões de segurança, mas não informou publicamente qual episódio ou ameaça levou à adoção da medida.
A Austrália adotou a precaução na sequência, mas também não informou ter recebido uma ameaça específica contra sua representação em Brasília. O fechamento desta sexta tampouco estava previsto no calendário de feriados da missão diplomática australiana para 2026.
O alerta australiano sobre terrorismo também precisa ser lido nesse contexto. O próprio governo do país mantém desde 2023 uma orientação geral segundo a qual o terrorismo representa uma ameaça global e informa que seus avisos de viagem são atualizados quando existe uma ameaça terrorista crível identificada em determinado destino. Até agora, não houve mudança desse tipo na classificação do Brasil.
Assim, mesmo com o fechamento de representações e a adoção de medidas excepcionais a dois dias da eleição, Estados Unidos e Austrália mantiveram o Brasil no mesmo patamar de cautela para viajantes e não apresentaram publicamente uma ameaça específica que explique as decisões desta semana.
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