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G1
O Brasil foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por manter o chileno Mauricio Hernández Norambuena em prisão solitária por mais de quatro anos.
Norambuena ficou conhecido no Brasil pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto e é apontado como mentor de Marcola.
Entre 2002 e 2006, ele cumpriu pena no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em isolamento quase total e tempo ao ar livre reduzido.
A Corte afirmou que regimes de segurança máxima são permitidos, mas só em situações excepcionais, por pouco tempo e com fiscalização rigorosa da Justiça, o que não aconteceu no caso.
Após ser extraditado ao Chile, em 2019, exames médicos apontaram que Norambuena desenvolveu problemas físicos e psicológicos durante o período de isolamento, como:
Essas informações foram apresentadas pela Defensoria Pública da União, que representou o chileno no processo internacional.
Com a condenação, o Brasil terá que pagar uma indenização por danos morais de US$10 mil, equivalente a de R$53 mil, ao detento.
Além disso, o país deverá arcar com os custos do processo, repassando valores ao Fundo de Assistência Jurídica da Corte.
O terrorista chileno que ajudou Marcola: quem é Norabuena?
Ex-militante do Partido Comunista do Chile e integrante da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), Norambuena pegou em armas contra o regime de Pinochet.
Ele foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato do senador Jaime Guzmán e sequestro de Cristián Edwards, herdeiro do El Mercurio.
No entanto, deixou o presídio em 1996, a bordo de um cesto de pano amarrado a uma corda içada de um helicóptero que sobrevoava as instalações.
Após a fuga, Norambuena veio ao Brasil, onde liderou o sequestro do publicitário Washington Olivetto, em 2001.
O sequestro de Washington Olivetto
O empresário foi sequestrado durante uma falsa blitz e foi mantido em cativeiro por 53 dias enquanto os criminosos cobravam R$10 milhões em resgate.
Por todo o período, ele ficou trancado em um quarto de um metro por três sem luz ou janelas. Ele fazia suas necessidades em um balde e foi agredido inúmeras vezes.
Em fevereiro de 2002, o dono da chácara em que os sequestradores estavam desconfiou e entrou em contato com a polícia.
Norabuena foi detido pelas autoridades e cooperou, indicando o local do cativeiro e possibilitando o resgate do publicitário.
Norambuena e Marcola se conheceram na prisão
O guerrilheiro foi preso na penitenciária de Presidente Bernardes, sob Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
Apesar das regras rígidas, ele conseguiu estabelecer contato e criar uma amizade com Marcola.
A influência do terrorista no PCC
A convivência entre os dois teria mudado a estrutura do PCC, que adotou uma forma de organização mais descentralizada.
Com isso, as sintonias, núcleos especializados em funções específicas, passaram a ter mais autonomia e independência para agir.
A Sintonia Geral Final é a última instância da facção, responsável pelas decisões mais importantes, porém outros grupos se dedicam a atividades específicas.
Norambuena também ensinou algumas táticas de terrorismo para a facção. Segundo o Ministério Público de SP, ele teria incentivado o grupo a atacar agências bancárias para “desestabilizar a ordem financeira”.
Um dos conselhos dele era que os atentados acontecessem após o expediente, para não ferir funcionários e causar a antipatia do povo. Esses métodos foram aplicados pelo PCC durante os ataques de 2006.
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