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A profissional Adriana Plaz foi entrevistada durante a Grande Final da Batalha dos Barbeiros Brasil, no Festival Favela Cria, na Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio.
Dona de um salão de beleza no Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, na Zona Norte carioca, ela atua com cortes masculinos e femininos e aceitou deslocar a conversa para o universo feminino, já que o evento é dominado pela barbearia.
"Os cortes femininos têm o long bob, o mohawk e o short bob. Está em alta. Os cabelos curtos estão voltando como tendência muito forte."
O que muda no comprimento
A leitura de Adriana coincide com o que os principais veículos de moda projetam para a virada de estação. O bob deixou de ser um corte único e passou a ser uma família de variações, todas com o mesmo princípio: desenho definido, acabamento leve.
| Corte | Característica |
|---|---|
| Soft bob / long bob | Linhas suaves, pontas levemente curvadas, cai entre queixo e clavícula |
| Short bob / microbob | Comprimento na linha da mandíbula ou acima, aparência precisa |
| Bixie | Híbrido entre pixie e bob, com camadas e pontas desfiadas |
| Clavi-cut | Termina próximo à clavícula, transição entre curto e médio |
A lógica por trás da tendência é prática. Cortes curtos com estrutura entregam resultado sem exigir escova diária — e é exatamente isso que o público tem pedido nos salões. Adriana sintetiza: o curto voltou, mas voltou com modelagem.
A cor que substitui o loiro claríssimo
Sobre coloração, a resposta foi objetiva e contrariou a expectativa da reportagem. Em vez dos loiros claros que dominaram os últimos anos, ela aponta outro caminho.
"São os amendoados, os mais naturais, aquela coisa de soft light, bem light, bem soft, bem natural."
O diagnóstico está alinhado com a virada que o mercado registra. Depois de ciclos de colorações uniformes e platinados, a tendência para a próxima temporada aponta para nuances naturais, efeitos multidimensionais e acabamentos refinados — com destaque para tons de café, castanho expresso, loiro trigo e mechas largas posicionadas ao redor do rosto.
Na prática, é a troca da cor uniforme pela cor que valoriza cada tom de pele. Menos manutenção de raiz, mais saúde aparente do fio.
Barbearia e salão no mesmo endereço
O ponto mais interessante da entrevista foi o modelo de negócio. O salão dela funciona com uma barbearia dentro, comandada pelo marido, o barbeiro Roberto Gonzales.
"A gente aproveita as clientes com os maridos e mais a terapia capilar, que eu tenho uma cabine de terapia."
O arranjo resolve um problema clássico da rotina doméstica: em vez de esperar em dois endereços diferentes, o casal resolve os dois cortes no mesmo lugar e no mesmo horário. É conveniência que • vira ticket médio.
A cabine que virou diferencial
O terceiro item da fala dela é o que mais sinaliza para onde o mercado de beleza caminha: a terapia capilar.
"É saúde capilar", resumiu Adriana, quando a reportagem destacou o tema como algo moderno.
A leitura é precisa. O setor de beleza migrou do resultado estético para o diagnóstico. Procedimentos como esfoliação do couro cabeludo, alta frequência, laser de baixa potência e protocolos de queda capilar deixaram de ser nicho de dermatologia e passaram a integrar o serviço de salão — com agenda própria e preço de tratamento, não de corte.
A explicação é simples: um cliente que trata a saúde do fio volta a cada 15 ou 30 dias. Um cliente que apenas corta volta a cada dois meses. A recorrência é que sustenta o negócio.
Onde encontrar
No encerramento, Adriana deixou o endereço de forma descontraída, corrigindo o apresentador. "Vai lá conhecer a gente. Aonde fica? Lá na Ilha do Governador, na Praia da Bica."
O bairro tem peso no mercado carioca. A Praia da Bica é uma das regiões mais valorizadas da Ilha do Governador, com forte concentração de comércio de serviços e público de renda média alta — perfil que sustenta salões com estrutura de tratamento capilar.
O contexto do evento
A entrevista ocorreu na Grande Final da Batalha dos Barbeiros Brasil, realizada em 1º de novembro dentro do Festival Favela Cria, que ocupou a Praça Marechal Âncora entre 30 de outubro e 2 de novembro com entrada gratuita e expectativa de 60 mil visitantes.
A competição coroou campeões em três categorias — corte, reflexo alinhado e desenho —, após 14 etapas eliminatórias. Um corte artístico temático de Halloween levou o primeiro lugar na avaliação dos jurados.
A presença de uma profissional de salão feminino no evento não é deslocamento: é o retrato de um mercado que unificou as duas frentes. A cultura barber cresceu, ganhou campeonato, marca própria e escola de formação, e o salão tradicional absorveu essa estética — inclusive para o público feminino, onde o degradê, o desenho e o acabamento em navalha já viraram pedido corriqueiro.
Bio de Adriana Plaz
Adriana Plaz é cabeleireira e empresária da beleza, proprietária de um salão no Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, com atuação que cobre cortes masculinos e femininos.
À frente de um negócio familiar, divide a operação com o marido, o barbeiro Roberto Gonzales — arranjo que transformou o salão em endereço único para o casal de clientes, com barbearia integrada ao espaço tradicional de beleza.
Sua especialidade mais recente é a terapia capilar: ela mantém uma cabine dedicada a protocolos de saúde do couro cabeludo, movimento que deixou de ser nicho dermatológico para se tornar serviço central dos salões, pela recorrência que gera e pelo ticket diferenciado.
Na leitura de tendências, tem posição definida: aponta o retorno dos cabelos curtos, com o long bob e o short bob entre os cortes mais pedidos, e a migração da coloração dos loiros claríssimos e uniformes para os amendoados e naturais, em tons soft light.
Em novembro de 2026, foi entrevistada durante a Grande Final da Batalha dos Barbeiros Brasil, no Festival Favela Cria, na Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio, onde trouxe para o debate do corte masculino a perspectiva de quem também comanda a cadeira feminina. Seu negócio fica na Praia da Bica, um dos endereços mais valorizados da Ilha do Governador.

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.
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