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Mesmo após votar contra pautas prioritárias do governo no Congresso, partidos do chamado “Centrão” continuavam ocupando cargos estratégicos na Esplanada dos Ministérios. Um levantamento mostra que cerca de 380 indicados dessas siglas integravam a administração federal pouco antes de uma série de exonerações determinadas pelo Executivo.
As demissões foram motivadas por uma derrota política significativa: na semana anterior, parlamentares do Centrão deixaram caducar uma Medida Provisória que previa aumento de impostos sobre apostas esportivas online e investimentos financeiros. A postura foi interpretada como um rompimento com a base de apoio do governo, abrindo caminho para o Palácio do Planalto promover uma ampla reestruturação nos cargos comissionados.
Distribuição dos cargos exonerados por partido
Os cortes atingiram indicados de várias siglas do Centrão, com destaque para:
União Brasil — lidera o número de exonerações, com 119 pessoas em cargos distribuídos por 26 ministérios. O partido tinha presença marcante em pastas como Integração Regional, Presidência da República, Advocacia-Geral da União, Transportes e Funai.
MDB — com 112 cargos atingidos, mantinha forte presença no Ministério dos Transportes, além de setores como Saúde, Minas e Energia, Gestão e Inovação, e também na Presidência.
PSD — contabiliza 63 cargos entre os exonerados, sendo o único partido que havia ampliado seu espaço desde o início do governo. Suas nomeações se concentravam nas pastas da Agricultura, Saúde, Integração e Povos Indígenas.
Progressistas (PP) — teve 48 indicações removidas, com presença em ministérios como Esportes, Advocacia-Geral da União, Saúde, Integração e Gestão.
Republicanos — contava com 36 cargos, principalmente em pastas como Integração, Transportes, Agricultura e Portos e Aeroportos.
As exonerações evidenciam o desgaste entre o Executivo e as legendas do Centrão, que, apesar de participarem da gestão, mantinham um alinhamento político instável. Mesmo com centenas de cargos no governo, os partidos vinham adotando posições contrárias a medidas consideradas estratégicas pelo Planalto.
Analistas políticos avaliam que essas nomeações eram usadas como instrumentos para fortalecer a influência partidária dentro do Executivo e ampliar a presença política nos ministérios. Agora, com os cortes, o governo busca redefinir a relação com sua base e reafirmar o controle sobre a estrutura administrativa.
Fonte: Brasil247
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