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O chef italiano Pasquale Iuliani foi um dos jurados do Circuito Gourmet Internacional de Chefs O Mundo à Mesa, realizado pela ABRACHEFS-RJ em conjunto com o Circuito Gourmet Internacional de Chefs, com apoio do Lab Criativo, no Rio Othon Palace, em Copacabana, nos dias 31 de outubro e 1º de novembro de 2026.
Ele chegou ao Brasil com dois objetivos declarados. "Eu vim aqui justamente para conhecer o evento, participar como jurado, e a gente vai estar somando ao evento que a gente faz, que é a Copa do Mundo de Tiramisù."
O título que mudou o jogo
Antes de qualquer outra pergunta, Iuliani trouxe o dado que reposiciona o Brasil na geografia da sobremesa italiana. "Esse ano, casualmente, o campeão mundial de Tiramisù é um brasileiro."
O entrevistador quis o nome. "Brasileiro é Marcos. Ele competiu aqui no Rio de Janeiro, competiu a final em São Paulo, foi para a Itália, competiu o Mundial e acabou se sagrando o campeão mundial. É uma grande honra para nós aqui no Brasil."
O relato confere com o resultado oficial. Marcos Muzzi, 51 anos, paulista, engenheiro de alimentos e criador de abelhas nativas sem ferrão, venceu a Tiramisù World Cup 2026 na categoria Receita Original, em Treviso, cidade considerada o berço da sobremesa.
O que a competição italiana representa
A 10ª edição do Tiramisù World Cup foi disputada entre 9 e 11 de outubro de 2026, em Treviso, e reuniu cerca de 320 competidores de 33 países, avaliados por 130 jurados entre confeiteiros amadores, especialistas e chefs profissionais.
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Edição | 10ª |
| Sede | Treviso, Itália |
| Datas | 9 a 11 de outubro de 2026 |
| Competidores | ~320 |
| Países representados | 33 |
| Jurados | 130 |
| Categorias | Receita Original e Receita Criativa |
| Campeão (Original) | Marcos Muzzi (Brasil) |
| Campeão (Criativa) | Ciro Tomassini (Itália) |
Muzzi testou a receita por dois anos, usando apenas os seis ingredientes clássicos: mascarpone, ovos, açúcar, biscoito savoiardo, café e cacau em pó. A vitória veio sobre a francesa Nadia Larbi, de 61 anos, no pódio da final. Ele também chegou à semifinal da categoria criativa com uma versão de pé-de-moleque com doce de leite.
A negociação que pode trazer a etapa ao Rio
A informação de maior peso jornalístico veio na sequência. A intenção é "trazer para dentro desse evento aqui uma etapa da Copa do Mundo de Tiramisù, que seria a semifinal ou a final aqui dentro do Rio de Janeiro".
Perguntado se era possibilidade ou fato, a resposta foi precisa. "Nós viemos aqui justamente para negociar. Já é a negociação."
O entrevistador resumiu o impacto. "Imagine você, brasileiro, podendo participar desse evento trazendo pessoas de fora e principalmente da Europa, que é o celeiro da gastronomia."
Iuliani confirmou com uma frase curta. "Tá certo. Somos italianos. Tudo italiano."
Como um jurado enxerga um prato
Sobre o nível dos competidores no festival carioca, a avaliação foi direta. "O nível dos competidores é ótimo."
E então ele explicou o método de julgamento — a parte mais reveladora da entrevista. "Quando a gente está julgando alguma coisa, dificilmente você procura o que está bom, você procura os defeitos.
Então você está olhando ali, mesmo que o prato esteja bonito, mesmo que o prato tenha criatividade, seja um prato bacana, você tem que procurar o que está faltando."
"E aí esses daí vão perder um pontinho, e vai homenagear o que vai vencer."
A lógica foi completada pelo entrevistador. "O jurado observa não o que está 100%, é o que está de certa maneira fora do contexto." Iuliani concordou. "Não é que esteja errado. Está fora do contexto. Aí perde um pontinho."
O que separa o campeão do quase
A explicação descreve um sistema de avaliação em que a nota não é construída por acertos, mas por ausência de erros. É o padrão de competições técnicas de confeitaria: em um universo de 320 competidores, todos dominam a técnica básica — o que diferencia é a consistência sob pressão de tempo.
Todos fazem mascarpone, café e savoiardo. O que reprova é o biscoito excessivamente embebido, o creme que talhou, a montagem que não sustentou o corte. E o que aprova é o prato em que nada disso aconteceu.
Gastronomia como cultura
Na mensagem final, Iuliani saiu do júri e falou do setor. "Gastronomia é cultura. É uma das coisas que valoriza a região, a cidade, os países. Então gastronomia tem que estar sempre no top."
E acrescentou a tese que orienta seu trabalho. "A gente tem que pensar na criatividade de novos pratos e na tradição de preservar tudo aquilo que a gente tem de bom em cada lugar."
Por que esta negociação importa
O Brasil tem histórico consistente em competições internacionais de confeitaria e panificação — em 2023, o país foi campeão mundial do World Chocolate Masters com uma equipe brasileira, e vem acumulando pódios em torneios de panificação e confeitaria na Europa.
Mas sediar uma etapa é diferente de ganhar uma. Trazer semifinal ou final ao Rio significa receber jurados, insumos e comitivas internacionais, mobilizar estrutura de cozinha profissional e expor o país ao escrutínio técnico do país de origem da receita.
É o tipo de evento que posiciona uma cidade como destino gastronômico e não apenas como mercado consumidor.
O timing da negociação não é coincidência: o Brasil chega à mesa com o campeão mundial da categoria mais tradicional e com dois outros brasileiros no pódio italiano — argumento que nenhuma delegação consegue construir por acaso.
Bio do chef Pasquale Iuliani
Pasquale Iuliani é chef italiano e integra a estrutura organizacional e o corpo de jurados da Copa do Mundo de Tiramisù (Tiramisù World Cup), competição internacional sediada em Treviso, na Itália, cidade reconhecida como berço da sobremesa.
Sua atuação combina a organização do torneio com a avaliação técnica de competidores em duas categorias: Receita Original, que exige fidelidade ao preparo clássico de seis ingredientes, e Receita Criativa, que abre espaço para releituras.
Em novembro de 2026, foi convidado a integrar o júri do Circuito Gourmet Internacional de Chefs — O Mundo à Mesa, realizado pela ABRACHEFS-RJ no Rio Othon Palace, em Copacabana, evento que reuniu chefs de 16 países, aulas-show, 12 modalidades de concurso, feira de expositores artesanais e Jantar Magno harmonizado.
Sua vinda ao Brasil teve objetivo duplo: conhecer o evento carioca e negociar a realização de uma semifinal ou final da Copa do Mundo de Tiramisù no Rio de Janeiro — tratativa em curso, segundo ele próprio confirmou.
O momento é favorável à proposta: em outubro de 2026, o paulista Marcos Muzzi venceu a 10ª edição da competição, em Treviso, na categoria Receita Original, superando cerca de 320 concorrentes de 33 países e colocando o Brasil no topo de uma disputa histórica da confeitaria italiana.
Seu método de julgamento é transparente e rigoroso: em uma prova em que todos dominam a técnica, a nota se constrói pela ausência de falhas, examinando o que está fora de contexto, não o que está correto.
Sua defesa profissional se resume em uma frase: "Gastronomia é cultura, é uma das coisas que valoriza a região, a cidade, os países."

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.
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