Denúncias de Vitor Duque revelam irregularidades na abertura de capital da Cedae

Denúncias de Vitor Duque revelam irregularidades na abertura de capital da Cedae

Na última audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Saneamento Básico e Meio Ambiente (SINTSAMA), Vitor Duque, fez grave denúncia sobre as dificuldades no acesso a documentos referentes à abertura de capital da Cedae.

Durante sua fala, ele destacou que a falta de transparência e o afastamento do Conselho de Administração nas decisões estruturais da companhia representam sérias irregularidades.

- Excluir o Conselho de Administração da Cedae das decisões estruturais da empresa é uma enorme irregularidade. Mudar a estrutura sem passar pelo conselho, em minha opinião, é uma verdadeira fraude. É a importante que haja um processo transparente e responsável nas questões que envolvem a gestão de recursos públicos - disse.

O sindicalista lembrou ainda que o consórcio Hidro Rio foi contratado pelo estado para realizar um estudo sobre a abertura de capital da empresa, com um custo estimado em R$ 18,7 milhões. Apesar desse investimento significativo, os documentos relevantes continuam inacessíveis no portal da transparência, o que levanta preocupações sobre a integridade do processo. Vitor Duque também chamou a atenção para situações específicas que prejudicam a Cedae financeiramente. 

- Atualmente a Cedae atende apenas três clientes: Águas do Rio, Iguá e Rio Mais Saneamento. Uma questão que causa estranheza é o pagamento da energia da NEO da elevatória do Lameirão que a Agenersa já determinou que seja rateada entre as concessionárias, mas que a Cedae está arcando sozinha - detalhou.

Ele ainda criticou a dívida que a Águas do Rio tem com a Cedae, pois por vários meses pagou a fatura do bloco 4 com um desconto de 22%, resultando em um prejuízo significativo de mais de R$ 800 milhões à Cedae. Para Duque, gastos excessivos em patrocínios e eventos que nada têm a ver com a função primordial da companhia — que é a captação, tratamento e venda de água — são inadmissíveis, especialmente considerando que a água é um direito fundamental e essencial para a sobrevivência humana.

 - É preciso que haja transparência em todo esse processo. Enfatizo a urgência de uma análise cuidadosa e criteriosa dessas questões para garantir os direitos dos trabalhadores e da população que dependem dos serviços de saneamento - explicou.

A audiência resultou na decisão de enviar um ofício ao governo do estado, cobrando esclarecimentos e a necessária liberação dos documentos que podem impactar diretamente a operação e a saúde financeira da Cedae, além do envio de ofícios para MPE e TCE. A luta pela transparência e justiça no setor de saneamento continua, e os trabalhadores se mostram firmes na defesa dos interesses da população

Por Jornal da República em 29/09/2025
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