Dionísio Lins cobra TrensRio e dá 72 horas para explicar abandono de escadas rolantes

Presidente da Comissão de Transportes denuncia calote de R$ 1,9 bilhão deixado pela SuperVia e alerta para risco de colapso no sistema

Dionísio Lins cobra TrensRio e dá 72 horas para explicar abandono de escadas rolantes

Não é de hoje que a Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vem recebendo reclamações de usuários da Trens Rio em relação ao abandono das escadas rolantes que atendem as inúmeras estações da concessionária.

Diante desse descaso, o presidente da comissão, deputado Dionísio Lins (Progressista) encaminha hoje para o presidente da concessionária, um ofício cobrando que seja enviado no prazo de 72 horas, o número de equipamentos que se encontram parados, nome da empresa responsável pela manutenção dos equipamentos, bem como o valor desse contrato e o que a Trens Rio está fazendo para acelerar os consertos e vistoriar e manter o funcionamento.

- Não dá mais para ficarmos vendo diariamente pessoas idosas e com dificuldade de mobilidade sofrerem para embarcarem nas estações. É desumano o que o usuário vem passando em estações como Madureira e Méier, onde as escadas simplesmente não funcionam - afirma Dionísio Lins.

ROMBO DE R$ 1,9 BILHÃO DA SUPERVIA

Vinte e sete anos após estar à frente da operação ferroviária do Rio de Janeiro, a SuperVia encerrou a concessão deixando uma série de dívidas com fornecedores, empresas responsáveis por manutenção de vagões, fabricação de peças, sinalização e outros serviços, que podem trazer consequências desastrosas na qualidade do transporte oferecido diariamente a milhares de usuários. De acordo com o presidente da Comissão de Transportes, somente em maio esse valor chega perto dos R$ 15 milhões em dívidas com fornecedores diretos, sendo a maior dívida de R$ 1,9 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para o parlamentar, é preciso atenção redobrada para evitar que problemas antigos já conhecidos pela população voltem a acontecer. Apesar da nova operadora Trens Rio, gerenciada pelo consórcio Nova Via Mobilidade não ser uma estatal, ela atua sob um contrato de permissão regulado pelo governo estadual.

Essa falta de pagamento aos fornecedores já pode ser observada nos equipamentos que não estão em funcionamento. Se o fornecedor não recebe, ele não entrega a peça e não faz manutenção; e quem acaba pagando a conta é o trabalhador", alerta.

ESTAÇÕES SOB DOMÍNIO DO CRIME

Outro fator lembrado por Dionísio diz respeito à violência. De acordo com a própria Tren Rio, cerca de 14 estações estão sob o domínio do crime organizado, já que a malha ferroviária corta 179 comunidades controladas por esses grupos.

- Tenho certeza de que a administração estadual está atenta à situação e que irá intervir quando necessário. Mas não vamos aceitar que o passageiro seja penalizado duas vezes: pela violência e pelo descaso com o serviço - finaliza.

Por Jornal da República em 21/09/2026
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