'Ditadura da toga': Jeremias Santos candidato do PL critica STF e defende eleição de um 'governador de direito' no Rio

Segurança pública e ativismo judicial: as bandeiras de Jeremias Santos na disputa pela Alerj

'Ditadura da toga': Jeremias Santos candidato do PL critica STF e defende eleição de um 'governador de direito' no Rio

Candidato a deputado estadual pelo PL, Jeremias Santos defende a Barra da Tijuca como "mola mestra" da campanha, critica o que chama de ativismo do STF e aponta o caminho para eleger o "governador de direito" do Rio

O encerramento do evento com o candidato ao governo Douglas Ruas (PL) na Barra da Tijuca teve um significado estratégico que vai além da agenda de campanha. Para o candidato a deputado estadual Jeremias Santos (PL), a região concentra o eleitorado que pode decidir a eleição fluminense. Em entrevista exclusiva ao Jornal da República, ele classificou a apresentação de Ruas como a exposição de um verdadeiro plano de governo, e não de promessas vazias.

"Eu entendo que a exposição dele hoje foi efetivamente sobre um plano de governo, abordando questões importantes como segurança pública. Considero que a Barra da Tijuca está num contexto extremamente importante para dentro de tudo que a gente está pensando para o estado do Rio de Janeiro", afirmou.

A escolha da Barra não é casual. A região, apontada por analistas como um dos redutos do bolsonarismo no estado, foi palco de debates e agendas do candidato do PL ao longo da campanha. Para Jeremias, o que aconteceu ali serve de modelo para o restante do estado. "Aqui foi apenas um exemplo daquilo que vai acontecer em todo o estado do Rio de Janeiro. E é a proposta do Douglas Ruas colocada hoje", completou.

O contraste entre o que era e o que se tornou

Jeremias Santos fez questão de destacar a percepção de deterioração que, segundo ele, domina o sentimento do eleitorado. A fala reflete o diagnóstico que sustenta a campanha de Ruas: a sensação de que o estado piorou e de que a segurança pública se tornou a pauta que atravessa todas as demais.

"Afinal de contas, a Barra da Tijuca tem sido assolada não somente exclusivamente a Barra, como todo o nosso estado. Mas a gente sente a diferença do que era para o que está acontecendo", disse.

O discurso encontra eco nos dados e nas promessas do candidato ao governo. Em agendas na Zona Oeste, Ruas prometeu "guerra ao crime organizado" e a extensão da Linha 4 do metrô, apresentando a segurança pública como eixo central de seu programa. Para Jeremias, a Barra funciona como uma síntese do que o estado vive: uma região de alto padrão que também sente os efeitos da violência e da insegurança.

A camisa que protesta contra a "ditadura da toga"

Um dos momentos mais simbólicos da entrevista foi a explicação sobre a camisa usada pelo candidato. Jeremias Santos revelou que a peça carrega uma mensagem de protesto contra o que ele classifica como excessos do Poder Judiciário, ecoando a expressão popularizada no debate público brasileiro.

"Essa camisa significa o desejo da população do Brasil inteiro, especialmente no Rio de Janeiro. O que a gente não suporta, o que a gente não tolera, o que a gente nunca esperou é nenhum tipo de ditadura. Tentaram dizer que a direita queria colocar algum tipo de ditadura no Brasil, mas a ditadura da toga é aquela que amarra todo, já dizia o nosso querido Barbosa", afirmou, em referência ao ex-ministro Joaquim Barbosa.

O candidato defendeu que o Supremo Tribunal Federal deveria se limitar a resguardar a Constituição, e criticou o que considera um uso conveniente do texto constitucional. "O que a gente observa é que, na verdade, eles se utilizam da Constituição dentro das suas conveniências para colocar em prática aquilo que a gente tem repudiado", declarou.

O governador de direito e o governador de fato

A entrevista abordou um dos capítulos mais delicados da política fluminense recente: a disputa pela chefia do Executivo estadual após a renúncia de Cláudio Castro. Jeremias Santos foi direto ao defender que Douglas Ruas, eleito presidente da Alerj, seria o sucessor natural — mas que uma decisão do STF manteve o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, no comando interino do estado.

"É mais um ativismo judicial do STF. A gente sempre defende que ninguém é obrigado a fazer aquilo que não quer. Temos hoje o Douglas Ruas como candidato a governador, sabendo todos nós quem é o sucessor natural, quem está na linha sucessória. O Douglas Ruas foi eleito e, portanto, teria toda a chance e a prerrogativa constitucional para estar nessa cadeira", afirmou.

O cenário é real e documentado. Após a renúncia de Castro, o ministro Cristiano Zanin, do STF, manteve Ricardo Couto como governador interino, rejeitando os pedidos de Ruas para assumir o cargo. A decisão do plenário da Corte determinou que o presidente do TJ-RJ permanecesse à frente do Executivo até a definição do modelo de sucessão, frustrando as expectativas do grupo político do presidente da Alerj.

O receio de opinar e a aposta na legitimidade do voto

Jeremias Santos, no entanto, fez uma ressalva importante ao tratar do tema. O candidato admitiu ter receio de aprofundar a análise jurídica de um caso que envolve interpretações complexas da ordem constitucional de sucessão.

"Eu realmente hoje tenho até receio de fazer alguma colocação e depois a gente de repente ser cobrado por aquilo que efetivamente a gente não domina. Mas uma coisa eu tenho certeza: independentemente dele estar imposto pelo Supremo Tribunal Federal e contrariando um desejo popular, porque não foi eleito efetivamente, não teve voto para isso", ponderou.

A fala revela a estratégia da campanha: concentrar o ataque na legitimidade democrática, e não na técnica jurídica. Para Jeremias, a permanência de Ricardo Couto no cargo carece de respaldo eleitoral, e a solução virá das urnas. "Ele não tem contas a prestar no sentido político da palavra. Também fico muito feliz que isso não vai durar por muito tempo, que a gente vai eleger o Douglas Ruas e, daqui a pouco mais de dois meses, a gente tem um novo governador legitimamente eleito pelo estado do Rio de Janeiro", concluiu.

A aposta na legitimidade das urnas

A mensagem final de Jeremias Santos resume o espírito da campanha de que faz parte: a confiança de que a eleição de outubro resolverá a disputa institucional que travou o estado. Para o candidato a deputado estadual, a vitória de Ruas representaria não apenas uma mudança de governo, mas a restauração da normalidade democrática no comando do Executivo fluminense.

"Com muita vontade de fazer tudo isso dar certo", resumiu, ao encerrar a entrevista. A declaração sintetiza a aposta de uma campanha que transformou a Barra da Tijuca em vitrine e o voto popular em principal argumento contra o que considera uma interferência do Judiciário na política.

Biografia: Jeremais Santos

Jeremais Santos é candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026, com o número de urna 22021. Natural de Medeiros Neto (BA), tem 45 anos e construiu sua trajetória política no estado do Rio de Janeiro. Sua candidatura está alinhada ao projeto do PL fluminense, que tem Douglas Ruas como candidato ao governo e Flávio Bolsonaro como principal palanque nacional. Em sua plataforma, Jeremais defende a segurança pública como prioridade, o fortalecimento da ordem constitucional e o combate ao que classifica como excessos do Poder Judiciário. Sua atuação de campanha tem se concentrado em regiões estratégicas como a Barra da Tijuca, onde participa de agendas e debates ao lado do candidato ao governo, apresentando-se como um nome ligado às pautas conservadoras e ao eleitorado que busca renovação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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Por Jornal da República em 20/09/2026
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