Economia da Argentina encolhe 2,1% em fevereiro, pior resultado desde 2024

Economia da Argentina encolhe 2,1% em fevereiro, pior resultado desde 2024

A economia da Argentina recuou 2,1% em fevereiro na comparação anual, no pior resultado desde 2024, segundo dados oficiais.

O desempenho negativo reforça o cenário de recessão que marca o início de 2026, em meio ao forte ajuste econômico promovido pelo governo de Javier Milei.

Na prática, o indicador funciona como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e sinaliza que a atividade segue enfraquecida após um 2025 já marcado por contração.

Consumo e indústria puxam queda

 

 

O recuo da atividade tem sido puxado principalmente pela fraqueza do consumo e pela retração industrial.

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O comércio varejista, um dos principais termômetros da economia doméstica, continua pressionado pela perda de poder de compra da população.

A inflação elevada, que ainda figura entre as mais altas do mundo, corrói salários e reduz a demanda.

Ao mesmo tempo, o setor industrial enfrenta custos elevados, crédito restrito e incerteza econômica, o que limita investimentos e produção.

Relatórios recentes de consultorias e bancos internacionais apontam que a combinação de ajuste fiscal severo e queda na renda disponível tem impacto direto sobre esses setores.

Choque de ajuste pesa no curto prazo

Desde que assumiu o governo, Milei adotou um programa agressivo de corte de gastos públicos, redução de subsídios e liberalização econômica. A estratégia tem como objetivo reequilibrar as contas públicas e conter a inflação crônica do país.

No curto prazo, porém, esse ajuste tem efeito recessivo.

A redução do gasto público e o encarecimento de tarifas afetam diretamente a atividade econômica, especialmente em setores dependentes do consumo interno.

Instituições como o Fundo Monetário Internacional avaliam que o país deve atravessar um período de contração antes de uma possível recuperação, caso as reformas avancem.

Inflação segue como principal desafio

Mesmo com sinais de desaceleração em alguns meses, a inflação ainda é o principal problema estrutural da economia argentina.

O país convive há anos com aumentos de preços persistentes, o que dificulta a retomada do crescimento.

A política econômica atual busca atacar esse problema com disciplina fiscal e controle monetário, mas especialistas alertam que os efeitos positivos podem levar tempo para aparecer.

Perspectivas ainda incertas

Para analistas, o desempenho de fevereiro reforça que a economia argentina deve seguir fraca ao longo de 2026. A recuperação dependerá de fatores como estabilização da inflação, retomada do crédito e melhora da confiança de consumidores e empresários.

No cenário externo, a volatilidade global e o custo elevado do financiamento também pesam sobre países emergentes como a Argentina, limitando o espaço para uma reação mais rápida.

Por ora, o país segue em um momento delicado: tentando reorganizar suas contas enquanto enfrenta os efeitos imediatos de uma recessão em curso.

Fonte: Link da fonte

Por Jornal da República em 23/04/2026
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