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'Negra, Mulher e Favelada': O Slogan que Ainda Assombra a Elite Política
A política fluminense vive um momento de intensa articulação para as eleições de 2026, e um nome ganha força crescente entre os eleitores: Benedita da Silva. Um manifesto em apoio à sua pré-candidatura ao Senado Federal mobiliza apoiadores em todo o estado, destacando sua trajetória única de luta por justiça social e representatividade.
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As movimentações eleitorais no Rio de Janeiro revelam um cenário complexo e cheio de contradições. Eduardo Paes, atual prefeito, ainda não assinou o manifesto de apoio a Benedita, mesmo com ela liderando as pesquisas para o Senado. Paradoxalmente, Paes insiste em lançar Pedro Paulo, presidente estadual do PSD, que apresenta baixo desempenho nas pesquisas eleitorais.
Segundo informações de deputados de centro-direita, Pedro Paulo estaria articulando uma "chapa alternativa" para a eleição presidencial de 2026, sem a participação de Lula, seguindo modelo semelhante ao de 2014. Essa movimentação demonstra as tensões internas e as diferentes visões estratégicas dentro do campo político fluminense.
A Força de André Ceciliano
Paralelamente, o nome de André Ceciliano ganha destaque nos bastidores políticos para virar Governador interino. Especula-se que Ceciliano possa alcançar até 40 votos, número que poderia aumentar significativamente caso Bacellar decida romper com os planos do PL. Essa articulação revela a complexidade das alianças políticas em formação e fez Castro adiar sua renúcia prevista para fevereiro para abril.
Trajetória de Benedita: Da Favela ao Poder
Benedita Sousa da Silva Sampaio, nascida em 26 de abril de 1942, no Rio de Janeiro, representa uma das trajetórias mais inspiradoras da política brasileira. Filha de lavadeira e pedreiro, criada na favela do Chapéu-Mangueira, no Leme, ela quebrou todas as barreiras sociais e raciais para se tornar a primeira senadora negra do Brasil.
Sua infância foi marcada pela necessidade de trabalhar desde cedo, vendendo limões e amendoins pelas ruas. Na adolescência, trabalhou como tecelã e ajudava a mãe com serviços de lavanderia. Em 1965, foi eleita Miss IV Centenário durante as comemorações dos 400 anos do Rio de Janeiro.
Resistência e Ativismo Político
Durante as décadas de 1960-70, sob o regime militar, Benedita atuou na resistência política, enfrentando ameaças de remoção da favela e organizando mulheres para lutar por melhores condições de vida. Em 1976, foi eleita presidente do Departamento Feminino da Associação de Moradores do Chapéu-Mangueira.
Sua formação acadêmica veio tardiamente - concluiu os cursos de Serviço Social e Estudos Sociais em 1984, aos 42 anos, evidenciando as barreiras estruturais enfrentadas por mulheres negras no acesso ao ensino superior.
Carreira Política Histórica
Benedita participou da fundação do PT em 1980 e foi eleita vereadora em 1982 com o slogan marcante: "negra, mulher e favelada". Em 1986, tornou-se deputada federal constituinte, atuando na Subcomissão dos Negros, das Populações Indígenas e Minorias.
Em 1994, foi eleita senadora com expressiva votação de 2.248.861 votos. Renunciou ao mandato em 1998 para se tornar vice-governadora na chapa de Anthony Garotinho, assumindo o governo estadual em 2002 após a renúncia dele.
Legado Legislativo
Sua atuação parlamentar foi marcada por conquistas históricas:
Vida Pessoal e Família
Benedita é casada com o ator Antônio Pitanga desde 1992, sendo madrasta dos atores Rocco Pitanga e Camila Pitanga. Ficou viúva duas vezes antes deste matrimônio e tem dois filhos de seu primeiro casamento.
O Apelo Popular
O manifesto em circulação destaca: "Benedita da Silva é sinônimo de coragem, lealdade e compromisso com o povo. De trabalhadora doméstica a governadora, de vereadora a senadora, sua trajetória é a prova viva de que a política pode — e deve — ser um instrumento de transformação social."
O documento convoca a população: "Hoje, somos nós que pedimos: Bené, volte ao Senado! Assine o manifesto em apoio à pré-candidatura de Benedita da Silva e junte-se a quem acredita que o Rio e o Brasil merecem mais justiça, mais igualdade e mais democracia."
Eleições Recentes
Nas eleições de 2020 para a Prefeitura do Rio, Benedita ficou em 4º lugar com 11,27% dos votos (296.847), demonstrando que mantém forte base eleitoral. Em 2022, foi reeleita deputada federal com 113.831 votos.
Perspectivas para 2026
O movimento em favor de Benedita representa mais que uma candidatura - simboliza a busca por uma representação política mais diversa e comprometida com as causas populares. Sua eventual candidatura ao Senado em 2026 promete reacender debates sobre representatividade, justiça social e os rumos da política brasileira.
A resistência de alguns setores políticos em apoiar sua candidatura, mesmo diante de sua liderança nas pesquisas, revela as tensões e contradições que ainda permeiam o cenário político fluminense, onde interesses partidários por vezes se sobrepõem à vontade popular.
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