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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) recebeu o green card, documento que concede residência permanente nos Estados Unidos, em um processo autorizado pelo governo do presidente Donald Trump. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (20) pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Eduardo vive no país desde o início do ano passado, após deixar o Brasil em meio ao processo que tramitava no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual acabou condenado a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A condenação está relacionada à acusação de que ele articulou medidas junto ao governo norte-americano para pressionar autoridades brasileiras e interferir no andamento da ação penal que envolvia seu pai, Jair Bolsonaro.
O green card é a autorização que permite a um estrangeiro morar, trabalhar e estudar nos Estados Unidos de forma permanente. A obtenção do documento costuma envolver um processo rigoroso, com exigências legais e comprovação de critérios estabelecidos pelas autoridades americanas, podendo levar décadas para sair. O documento, no entanto, não equivale à cidadania americana nem permita o direito de voto.
O aliado da corrente bolsonarista nos EUA, Paulo Figueiredo afirmou o recebimento do documento pelo ex-parlamentar. Segundo ele, “Eduardo agora está protegido pela Constituição americana”. O pedido foi protocolado há mais de um ano, mas a aprovação ocorreu apenas neste mês, após o terceiro filho de Bolsonaro atender aos requisitos exigidos pelo governo americano.
“Qualquer ação de perseguição ou censura, por exemplo, contra ele, pode se inserir no mesmo contexto das ações que já levaram a sanções dos EUA ao Brasil”, completou o bolsonarista.
A notícia vem à tona em meio ao agravamento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos dias, o governo Trump anunciou novas tarifas impostas sob uma série de produtos brasileiros. Na primeira medida econômica contra o país, em 2025, o presidente norte-americano vinculou as tarifas a uma suposta perseguição do Estado brasileiro a Jair Bolsonaro.
O movimento do governo norte-americano culminou em palavras fortes do secretário de estado do país Marco Rubio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe.
Condenado no Brasil
No último mês, Eduardo Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), a quatro anos e dois meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo. Os ministros entenderam que o ex-deputado atuou para pressionar integrantes da Corte e articular sanções junto ao governo dos Estados Unidos contra o Judiciário brasileiro, em uma tentativa de interferir no julgamento da trama golpista que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além da condenação, o ex-deputado precisará pagar uma multa equivalente a 100 salários mínimos. A decisão também tornou Eduardo inelegível por oito anos, contados a partir do cumprimento da pena.
Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado. Inicialmente, permaneceu no país com visto de turista, que permite estadia temporária. À época, alegou ser alvo de perseguição política por parte do Judiciário brasileiro e afirmou que estudava solicitar asilo político ao governo Trump, caminho que poderia abrir a possibilidade de obter a residência permanente. Na ocasião, Jair Bolsonaro declarou que o filho seria “muito mais útil para o Brasil lá fora do que aqui dentro”.
A extradição para que Eduardo Bolsonaro cumprisse a pena no Brasil já era considerada uma possibilidade remota pelos magistrados da Suprema Corte, já que o governo norte-americano sempre sinalizou apoio ao ex-parlamentar. Com o green card, ela fica ainda mais distante.
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