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A primeira pesquisa do segundo turno das eleições de 2026, divulgada pela PoderData/Aya nesta quinta-feira (8), colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 53% dos votos válidos contra 47% do presidente Lula (PT). O placar é quase idêntico ao registrado no início do segundo turno de 2014, quando Aécio Neves (PSDB) abriu a disputa com 54% a 46% sobre Dilma Rousseff (PT) — e, ainda assim, perdeu a eleição.
A semelhança numérica reacende um alerta clássico da ciência política brasileira: liderar a primeira sondagem do segundo turno não é garantia de vitória. Em 2014, o candidato que começou à frente nas urnas terminou derrotado por 3,28 pontos percentuais.
O placar que se repete
Na semana passada, o primeiro turno de 2026 terminou com a menor diferença da história da disputa presidencial: Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16% — uma distância de apenas 1,87 ponto. Já em 2014, Dilma e Aécio protagonizaram, até então, a eleição mais apertada desde a redemocratização.
Como Aécio virou de 54% para a derrota
A trajetória das pesquisas de 2014 mostra que a vantagem inicial se dissolveu em poucas semanas. Na primeira sondagem do segundo turno, o Paraná Pesquisas apontava Aécio com 54% dos votos válidos. O Ibope e o Datafolha também indicavam o tucano à frente (46% a 44%), ainda que dentro da margem de erro.
A virada começou ainda na primeira semana. Em 9 de outubro, o Datafolha já mostrava Aécio com 51% e Dilma com 49%. No dia 20, a petista assumiu a dianteira (52% a 48%) e, na véspera da votação, liderava com 53% a 47%. No pleito de 26 de outubro, Dilma venceu com 51,64% contra 48,36% — uma reversão de 8 pontos em relação à primeira pesquisa.
O movimento foi atribuído, à época, à migração de votos da terceira colocada Marina Silva (PSB) e ao impacto do horário eleitoral gratuito — o mesmo fator citado pelo presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, ao divulgar o levantamento de 2014.
O que é igual e o que é diferente em 2026
Semelhanças:
Diferenças relevantes:
Em 2014, Dilma era a incumbente (presidente em exercício) que virou o jogo; em 2026, o incumbente é Lula, que tenta a reeleição
O cenário político e econômico de 2026 difere do de 2014, com dinâmica própria de rejeição e transferência de votos
Pesquisas de 2026 estão divididas: enquanto a PoderData/Aya aponta Flávio à frente, a AtlasIntel registrava empate técnico (Lula 50,1% x Flávio 49,9% nos votos válidos) antes do primeiro turno
Análise
O dado histórico serve como contraponto ao discurso de inevitabilidade. Se a vantagem de 8 pontos de Aécio não resistiu a três semanas de campanha em 2014, a liderança de 6 pontos de Flávio tampouco pode ser tratada como sentença — especialmente com o segundo turno marcado para 25 de outubro e o horário eleitoral gratuito ainda em curso.
A lição de 2014, confirmada também em 2022 (quando Lula superou Jair Bolsonaro), é que pesquisa de abertura do segundo turno mede o ponto de partida, não o ponto de chegada. A campanha, os debates e a transferência de votos da terceira via decidirão quem repete o placar — e quem o inverte.
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Fontes: Paraná Pesquisas/Época - 2014
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