Lula diz que demorou a proibir bets porque

Presidente afirma que relatos de famílias endividadas mudaram sua percepção sobre apostas e diz duvidar que parlamentares derrubem medida provisória

Lula diz que demorou a proibir bets porque

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (1º), que decidiu proibir as plataformas de apostas on-line depois de compreender a dimensão do endividamento e da dependência provocados pelas bets. Durante entrevista ao Flow Podcast, ele reconheceu que não tinha conhecimento da gravidade do problema anteriormente.

“Por que que eu não fiz antes? Ah, porque eu não sabia”, afirmou Lula. Segundo o presidente, a decisão foi tomada depois de uma reunião no Palácio do Planalto com familiares de pessoas que enfrentaram endividamento e dependência relacionados às apostas.

Lula afirmou que os relatos mostraram um problema maior do que imaginava e relacionou o fenômeno ao elevado número de brasileiros endividados. “Eu não tinha noção da gravidade do problema”, disse.

O governo editou em setembro uma medida provisória para proibir as bets no país. Por se tratar de MP, o texto precisa passar pelo Congresso para continuar em vigor. A comissão mista responsável pela análise já foi formada e recebeu emendas de parlamentares.

Desafiou o Congresso

Durante o podcast, Lula desafiou deputados e senadores a derrubarem a medida. “Eu duvido que o Congresso tenha coragem de acabar com ela”, declarou.

O presidente também reconheceu a existência de interesses econômicos contrários à proibição, citando clubes de futebol, parlamentares, influenciadores e empresas de comunicação que mantêm relações comerciais com o setor. “Eu vou acabar com as bets, doa a quem doer”, afirmou.

Ao mencionar esses interesses, Lula citou a Globo e sua relação comercial com a operação da BetMGM no Brasil. A iniciativa brasileira foi estruturada como uma parceria entre o Grupo Globo e a MGM Resorts International. A referência do presidente durante a entrevista não altera a estrutura societária da MGM Resorts, empresa americana independente.

Lula afirmou ainda que integrantes de sua própria equipe alertaram para possíveis efeitos eleitorais da decisão, diante da presença das empresas de apostas em patrocínios esportivos e contratos publicitários. Segundo ele, a preocupação central foi impedir que famílias comprometessem recursos destinados a despesas básicas com jogos.

A medida provisória estabelece regras e prazos para a interrupção das operações autorizadas, mas sua manutenção definitiva dependerá da votação no Congresso. A tramitação será um dos próximos capítulos da disputa entre o governo e os interesses econômicos ligados ao mercado de apostas.

Por Jornal da República em 02/10/2026
Aguarde..