'Mais Brasil e menos Brasília': Prefeito de Florianópolis Topázio Neto cobra compromisso de candidatos a presidênte com cidades

'Mais Brasil e menos Brasília': Prefeito de Florianópolis Topázio Neto cobra compromisso de candidatos a presidênte com cidades

Prefeito Topázio Neto: a estratégia municipalista que desafia o poder central

Florianópolis ganha protagonismo nas discussões nacionais enquanto seu prefeito reivindicava respeito federativo na 27ª Marcha dos Prefeitos em Brasília. A cidade que se tornou exemplo de desenvolvimento serve de palco para debates sobre o futuro do Brasil em ano eleitoral.

A reivindicação municipalista que ecoa em Brasília

Na manhã de encontro entre prefeitos brasileiros e candidatos à presidência, Topázio Neto colocou em pauta uma questão que aflige municípios de norte a sul: a transferência de responsabilidades do governo federal sem recursos correspondentes. O prefeito foi direto ao ponto. Enquanto Brasília cria obrigações — piso do magistério, da enfermagem, dos serviços de limpeza — os municípios ficam responsáveis pelo custeio. A conta não fecha. A realidade, segundo o chefe do Executivo municipal, é que cada vez mais o Brasil precisa de menos Brasília e mais autonomia municipal. Essa mensagem ecoou entre candidatos a presidente de todas as correntes políticas, que foram questionados sobre seus compromissos futuros com as cidades. Topázio não pediu voto preferencial para ninguém: pediu coerência administrativa.

Florianópolis como modelo de gestão: da segurança à inovação

Quando indagado sobre o sucesso de Florianópolis que pudesse servir de aprendizado a outros municípios, o prefeito descreveu uma escolha estratégica de longa data. A cidade optou por ser um polo de serviços. Não foi casualidade. Foi planejamento. Hoje, Florianópolis ostenta o título de capital mais segura do Brasil — dado que transcende números e toca na qualidade de vida real. A administração municipal investiu em transformar a cidade em um lugar bom para se viver. Moradores satisfeitos constroem uma cidade atrativa para visitantes, investidores e empreendedores. O resultado veio em cascata: Florianópolis se tornou a capital nacional das startups. Um quarto da arrecadação municipal — 25% — já provém da área de tecnologia. O turismo segue como grande fonte de recursos. Esses três pilares — segurança, inovação e turismo — criaram um ecossistema que funciona.

A polarização política como obstáculo à gestão

O último questionamento tocou em um nervo sensível da política brasileira contemporânea. A polarização ideológica tem custos reais para administrações municipais? Pode melhorar após a próxima eleição ou tenderá a piorar? Topázio respondeu com realismo cético. Ele citou Santa Catarina como exemplo positivo: o governador ali é municipalista e distribui recursos a cidades de todas as cores partidárias, apoiadoras ou não. Esse é o modelo que a federação deveria adotar. Mas Topázio não acredita que a polarização diminua — pelo contrário, o Brasil segue se polarizando. O que importa, na avaliação do prefeito, é que a próxima administração federal não leve a disputa ideológica para a esfera administrativa. Que fique no campo político. A gestão pública exige pragmatismo.

Trajetória do prefeito que veio do setor privado

Topázio Silveira Neto é empresário antes de político. Nascido em Florianópolis em 1962, trabalhou em empresas públicas antes de optar pela iniciativa privada. Vislumbrou oportunidade no mercado de telecomunicações quando a privatização da Telebrás se aproximava. Ajudou a fundar a "Multiação", primeiro call center do estado, em 1999. Depois, cofundou a "Flex Contact Center" em 2009, que cresceu até empregar quinze mil pessoas em múltiplas localidades. Essa trajetória de empreendedor marca sua forma de governar: resultado, crescimento, expansão. Em 2020, elegeu-se vice-prefeito na chapa de Gean Loureiro e assumiu a prefeitura em 2022 após a renúncia do titular. Nas eleições municipais de 2024, reelegeu-se com 58% dos votos válidos — 161.839 votos — em primeiro turno, consolidando sua aprovação popular.

Infraestrutura, polêmicas e as faces da gestão contemporânea

A administração Topázio investiu em requalificação viária. O sistema binário nas ruas Deputado Antônio Edu Vieira e Capitão Romualdo de Barros prometia reduzir deslocamentos em 60%. Projeto similar foi implementado na Avenida das Rendeiras. A prefeitura também contratou dragas para ampliar praias — Praia dos Ingleses e Praia de Jurerê — visando turismo e economia local.

A nova ponte da Lagoa da Conceição, com 53 milhões de reais investidos, foi inaugurada em julho de 2025 após dois anos de construção. Mas nem tudo transcorreu sem controvérsias. A reforma do Restaurante Popular gerou críticas ao restringir acesso.

A terceirização dos serviços de limpeza urbana da Comcap acirrou conflitos trabalhistas. Um decreto limitando horários de funcionamento de bares e baladas no centro da cidade polarizou comerciantes e frequentadores. Essas decisões revelam uma gestão que busca resultados visuais e mensuráveis, nem sempre alinhada com demandas de segmentos populares. É a face contemporânea da administração pública: eficiência questionada por equidade.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Por Jornal da República em 23/05/2026
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