No Carioca Business, Presidente do CAU/RJ, Sydnei Menezes defende o resgate do planejamento urbano e entrega carta de princípios aos candidatos

CAU/RJ, CREA e Coppe se unem para corar visão de Estado no urbanismo fluminense

Sydnei Menezes alerta para o crescimento desordenado da Barra da Tijuca, defende a incorporação das favelas à cidade formal e cobra dos candidatos uma visão de longo prazo para o urbanismo do Rio

A nata do Rio reunida em torno do urbanismo

O Carioca Business, um dos encontros de networking empresarial mais qualificados do Rio de Janeiro, reuniu na Barra da Tijuca lideranças de diferentes setores para debater o futuro da cidade. Entre os presentes, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Sydnei Menezes, defendeu que o debate sobre o planejamento urbano só é possível com a participação das pessoas e das entidades que as representam.

Para o arquiteto e urbanista, o encontro serviu para ouvir, conversar e construir um debate capaz de atender e priorizar as ações necessárias ao ordenamento urbano do Rio. O objetivo, segundo ele, é garantir melhor qualidade de vida para toda a população. "Essa é a intenção do Conselho de Arquitetura e Urbanismo", afirmou.

O desafio peculiar dos morros e das favelas

Menezes destacou a peculiaridade do Rio de Janeiro, uma cidade formada por morros dos quais surgem favelas cuja urbanização é extremamente difícil. Diante desse cenário, ele resgatou um conceito antigo, mas super atual: incorporar a cidade informal — favelas, morros e periferias — à cidade formal, introduzindo a urbanidade para melhorar a vida das pessoas.

A preocupação com as condições de moradia nessas áreas não é nova em sua gestão. Em entrevista à Rádio Tupi, o presidente do CAU/RJ já havia alertado para as condições precárias de moradias em favelas, muitas vezes sem iluminação natural e ventilação adequadas, reforçando o compromisso do conselho com a dignidade habitacional.

A Barra da Tijuca e o crescimento desordenado

O entrevistador levantou um problema que afeta diretamente a região onde o evento foi realizado: a Barra da Tijuca e o Recreio vêm sofrendo com o crescimento desordenado, que causa grandes congestionamentos e sobrecarrega a infraestrutura. Menezes explicou que a Barra da Tijuca e adjacências, a chamada área de planejamento 4 da cidade, foi concebida por um plano piloto organizado pelo urbanista Lúcio Costa.

Ao longo dos anos, porém, o plano foi se descaracterizando. Hoje, segundo o presidente, a região vive uma situação totalmente fora do planejamento e do ordenamento pensados no passado. "Esse é um grande desafio: reinventar o planejamento urbano e o ordenamento urbano para a Barra da Tijuca, atendendo às suas demandas", afirmou.

A importância do debate urbanístico nas eleições

Faltando uma semana para as eleições, Menezes destacou a importância do debate público sobre o urbanismo no país e cobrou que os candidatos "abram o olho" para a questão. Segundo ele, o CAU/RJ tomou muito cuidado com esse tema e criou uma série de iniciativas, com sugestões e propostas encaminhadas a todos os candidatos a governador, senador e deputados federais e estaduais.

O conselho abriu seu espaço para entrevistas e conversas com os candidatos, promovendo o debate sobre o planejamento urbano e territorial e as políticas públicas para as cidades. A iniciativa reflete a preocupação da categoria com o resgate do planejamento, principalmente do planejamento urbano, em um momento decisivo para o futuro do estado.

A carta de princípios entregue aos candidatos

O ponto central da participação de Menezes foi o anúncio de um documento construído em parceria com outras entidades. O CAU/RJ, junto com o CREA-RJ e a Coppe, entregará na segunda-feira uma carta de princípios a todos os candidatos ao governo do estado, garantindo a retomada do planejamento da infraestrutura urbana para o Rio de Janeiro.

A iniciativa se soma à Carta Aberta do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), que defende um pacto pelo planejamento urbano e ambiental nas eleições de 2026. O documento propõe que as políticas públicas sejam desenvolvidas como programas de Estado, independentes dos ciclos eleitorais, diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, pelas desigualdades urbanas e pela precariedade da infraestrutura.

Desenvolvimento econômico e qualidade de vida

Para Sydnei Menezes, a retomada do planejamento urbano é condição para garantir, ao mesmo tempo, o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida da população. A união entre CREA-RJ, CAU-RJ e Coppe, que também deu origem à carta de compromissos apresentada aos candidatos, representa um esforço conjunto para cobrar uma visão de Estado e o fim do loteamento político nos setores de engenharia, arquitetura e ciência no Rio.

A mensagem do presidente do CAU/RJ ao empresariado e aos candidatos é clara: o Rio precisa voltar a se planejar. E esse planejamento, segundo ele, não pode esperar — nem ser refém do calendário eleitoral. A cidade que abriga morros, favelas e um dos litorais mais valorizados do país precisa de um projeto de futuro construído com técnica, diálogo e visão de longo prazo.

Sydnei Menezes é arquiteto e urbanista, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ) para a gestão 2024-2026. Eleito em janeiro de 2024 na 1ª Reunião Plenária Ordinária do conselho, Menezes lidera a autarquia responsável pela fiscalização e valorização do exercício profissional da arquitetura e do urbanismo no estado. Sua gestão é marcada pela defesa do planejamento urbano como política de Estado, pelo resgate da memória urbana e pela atenção às condições de moradia nas favelas e áreas de encosta. Reconhecido por sua atuação em debates públicos, participou de eventos do Clube de Engenharia no Dia Mundial da Arquitetura e destacou o legado de Carmen Portinho, primeira urbanista brasileira. À frente do CAU/RJ, tem conduzido a abertura do conselho ao diálogo com a sociedade e com os candidatos nas eleições de 2026, em defesa de um Rio mais planejado, inclusivo e com melhor qualidade de vida para todos.

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber

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Por Jornal da República em 26/09/2026
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