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A Contradição Entre Demanda Popular e Discurso Político
A análise revela uma desconexão significativa entre as preocupações da população brasileira e as prioridades apresentadas pelos principais atores políticos. Enquanto pesquisas apontam consistentemente a segurança pública como tema central nas preocupações dos cidadãos, figuras-chave como Fernando Haddad e Guilherme Boulos têm evitado abordar diretamente essa questão em suas declarações recentes.
Fernando Haddad e a Economia
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em declaração ao UOL, afirmou que "a economia não definirá vencedor nem perdedor" nas eleições de 2026, contrastando com pleitos anteriores onde questões econômicas foram determinantes. Esta posição pode refletir uma estratégia de distanciar sua gestão ministerial do escrutínio eleitoral, especialmente considerando os desafios econômicos enfrentados pelo país.
Guilherme Boulos e as Três Prioridades
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) destacou três questões que considera fundamentais para 2026:
Notavelmente, a segurança pública não figura entre essas prioridades, apesar de ser uma demanda crescente da população.
A Capitulação Diante da Segurança Pública
A omissão do tema segurança pelos governistas pode representar uma capitulação estratégica diante da dificuldade de apresentar respostas eficazes ao problema da criminalidade. Como observa Kramer, "a batalha do projeto contra facções foi perdida para a oposição e a PEC da Segurança ainda está em disputa".
Pautas Populistas de Efeito Incerto
Diante dessa lacuna, o governo parece apostar em propostas populistas, mas com impacto questionável:
Escala 6×1: Beneficia trabalhadores formais, mas exclui o vasto universo dos trabalhadores informais e pode não atender às expectativas de crescimento da capacidade produtiva nacional.
Isenção do Imposto de Renda: Embora seja um "bom ativo eleitoral", não necessariamente reflete a justiça tributária alegada pelo governo, e seu poder de conversão em votos permanece incerto.
Defesa da Soberania Nacional: Ganhou relevância durante o "tarifaço" americano, mas sem novos eventos externos, pode perder força como bandeira eleitoral.
O Dilema da Oposição
Se falta clareza ao governo quanto ao que oferecer ao país, a oposição padece do mesmo mal.
Um vazio programático generalizado no cenário político brasileiro, onde nem situação e muito menos a oposição consegue articular uma agenda nacional clara e convincente.
A direita abandonou o velho discurso anti-comunista e se agarra no discurso de liberdade de Bolsonaro ou do que sobrou do bolsonarismo.
Implicações para 2026
A ausência de uma agenda nacional coesa pode resultar em:
Campanha reativa: Focada mais em ataques mútuos do que em propostas construtivas
Desconexão com demandas populares: Especialmente na área de segurança pública
Polarização sem substância: Debates centrados em questões secundárias enquanto problemas estruturais são negligenciados
Como pontua Dora Kramer em sua conclusão contundente: "Pobre Brasil". A frase resume a preocupação com um país que, em ano eleitoral, se vê diante de lideranças políticas aparentemente incapazes de articular uma visão clara e abrangente para os desafios nacionais.
A citação ecoa as palavras do jornalista americano Walter Lippmann: "A função da imprensa é ser o cão de guarda da democracia".
Por Ralph Lichotti
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