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A força do municipalismo na capital federal
Brasília recebeu nesta semana a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, promovida pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). Entre os dias 18 e 21 de maio, o Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB) foi tomado por prefeitos de todos os cantos do país. O evento, que já se consolidou como o maior encontro municipalista da América Latina, reuniu gestores em busca de diálogo com o Congresso Nacional e o governo federal.
De Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, a pauta era a mesma: como governar quando as obrigações aumentam, mas os repasses não acompanham?
O alerta dos pisos salariais sem lastro
Entre as principais reivindicações da marcha deste ano, uma ganhou destaque nos discursos e nos corredores do CICB: a aprovação de projetos de lei que criam pisos salariais e novas obrigações para os municípios sem indicar a fonte de receita correspondente. O prefeito de Glorinha, no Rio Grande do Sul, Leonardo Carvalho (MDB), foi direto ao ponto ao ser entrevistado durante o evento.
"A gente percebe esse alinhamento da defesa dos municípios também, porque acaba chegando a conta para pagar lá no município e não tendo repasse suficiente para algumas questões que são construídas aqui no Congresso Nacional", afirmou o prefeito.
O problema é concreto e atinge principalmente as pequenas cidades. Quando o Congresso aprova um piso salarial nacional para categorias como magistério, enfermagem ou agentes de saúde, a conta chega integralmente às prefeituras — sem que haja um centavo adicional no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para cobrir o aumento. O resultado é um aperto nas contas que compromete investimentos em infraestrutura, saúde e educação.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, estiveram presentes na marcha e sinalizaram compromisso com a pauta municipalista. "O Columbado já falou que vai destravar as pautas. Essas faltas que os deputados que estão aqui fazem, de piso salarial sem indicar a fonte de receita, prejudicam os municípios na prestação de contas com o Tribunal de Contas e aumentam os gastos públicos", destacou Leonardo.
Reforma tributária e a incerteza nos municípios
Outro tema que dominou a agenda da 27ª Marcha foi a reforma tributária em fase de transição. Aprovada no Congresso e em processo de regulamentação, a reforma promete simplificar o sistema de impostos do país, mas traz preocupações específicas para os gestores municipais.
Para as prefeituras de menor porte, a incerteza reside na arrecadação futura. A transição para o novo modelo — que unifica tributos como ISS, ICMS, IPI, PIS e Cofins — pode reduzir a receita de municípios que hoje dependem fortemente do ISS sobre serviços locais. "Há uma preocupação e um alerta sempre constante dos gestores municipais", afirmou Leonardo Carvalho, ecoando o sentimento de centenas de prefeitos presentes no evento.
A CNM tem atuado como interlocutora técnica, oferecendo estudos de impacto e simulando cenários para que os municípios possam se preparar para as mudanças. O presidente da Confederação, Paulo Ziulkoski, reiterou durante a marcha a necessidade de "responsabilidade fiscal" e "transição gradual" para evitar um colapso nas contas das cidades mais vulneráveis.
Glorinha: qualidade de vida como trunfo
Localizada a 44 quilômetros de Porto Alegre, às margens da BR-290 — a Freeway, principal corredor econômico do Rio Grande do Sul —, Glorinha é um município de 7.851 habitantes, segundo a estimativa do IBGE para 2025. Emancipada em 4 de maio de 1988, a cidade de 323 km² tem na qualidade de vida sua principal marca registrada.
Leonardo Carvalho, eleito em 2024 com 61,69% dos votos válidos, descreveu sua cidade com orgulho durante a entrevista: "A nossa cidade tem como principal característica a qualidade de vida. Estar próximo de Porto Alegre, mas com índices de qualidade de vida altos, com segurança, escola de qualidade, um ambiente seguro para se viver".
Com 99,67% de escolarização entre crianças de 6 a 14 anos, Glorinha ostenta um dos melhores indicadores educacionais da região metropolitana. A economia local, historicamente apoiada na pecuária leiteira — a cidade já foi a maior bacia leiteira do estado —, passa por um processo de diversificação. O PIB do município gira em torno de R$ 595 milhões, sendo que mais da metade vem do setor de serviços.
Inovação e captação de investimentos
A gestão de Leonardo Carvalho aposta em eficiência e inovação para atrair novos investimentos. Segundo o prefeito, a estratégia passa pela qualificação da mão de obra local e pela busca de parcerias público-privadas. "A gente tem conseguido atrair investimentos para a cidade, qualificando a nossa mão de obra local para aproveitar as oportunidades. Na nossa gestão, buscamos a eficiência e a inovação no dia a dia para ter o retorno através de obras e investimentos", explicou.
Administrador de formação com pós-graduação em Cooperativismo, Leonardo Vargas Carvalho construiu sua trajetória política no MDB, partido pelo qual foi eleito para o mandato 2025-2028. Sua gestão tem como bandeira a modernização da máquina pública e o equilíbrio fiscal — justamente os temas que levaram o prefeito a Brasília para participar da marcha e defender os interesses de Glorinha e dos pequenos municípios brasileiros.
O papel da Marcha na articulação federativa
Realizada anualmente desde 1999, a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios já se consolidou como o principal espaço de articulação política do municipalismo brasileiro. Em 2026, o evento contou com a presença de presidenciáveis, ministros de Estado e presidentes do Legislativo, reforçando o recado de que quem quer pensar o futuro do país precisa ouvir os municípios.
Para Leonardo Carvalho, o valor do encontro vai além das pautas imediatas. "A marcha em defesa dos municípios é um momento importante de união das prefeituras para debater temas estratégicos relevantes, como a reforma tributária e outras questões que acabam sendo pautadas no Congresso Nacional. Com a união dos prefeitos através da CNM, conseguimos compartilhar conhecimento, experiência nos municípios e também através das áreas técnicas buscar conhecimento para levar para nossas cidades", resumiu.
O sentimento entre os gestores presentes era de que, apesar dos avanços no diálogo, a execução ainda deixa a desejar. A expectativa é de que os compromissos assumidos durante a marcha se traduzam em projetos de lei e emendas constitucionais que realmente aliviem a pressão financeira sobre os municípios — especialmente os de menor porte, que sentem cada centavo a mais de despesa obrigatória sem a contrapartida da União.
O desafio permanente das pequenas cidades
O cenário traçado pelos gestores durante a 27ª Marcha revela uma verdade incômoda: as prefeituras brasileiras, especialmente as de pequeno e médio porte, estão no centro de uma crise federativa silenciosa. Enquanto a União e os estados têm maior poder de arrecadação, são os municípios que executam a ponta dos serviços públicos — saúde básica, educação infantil, merenda escolar, transporte, iluminação pública, coleta de lixo, assistência social.
A cada novo piso salarial aprovado em Brasília, uma prefeitura precisa encontrar recursos num orçamento que não cresce na mesma proporção. A cada nova atribuição regulatória, uma equipe reduzida precisa se desdobrar para cumprir exigências do Tribunal de Contas. E a cada nova rodada de negociação da reforma tributária, a preocupação é a mesma: como garantir que o município não saia perdendo?
Glorinha, com seus 7.851 habitantes, é um retrato desse Brasil que lida com os custos de decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância. Mas também é exemplo de que, com gestão eficiente e participação ativa nas discussões nacionais, é possível buscar soluções.
Sobre o entrevistado
Carlos Leonardo Vargas Carvalho, 38 anos, nasceu em Porto Alegre (RS) em 7 de outubro de 1986. É administrador de formação e pós-graduado em Cooperativismo. Filiado ao MDB, foi eleito prefeito de Glorinha em 2024 com 61,69% dos votos válidos, numa coligação que reuniu MDB, Federação PSDB/Cidadania. Sua gestão tem como prioridades a modernização administrativa, a captação de investimentos e a manutenção dos altos índices de qualidade de vida que caracterizam o município. Nas redes sociais, mantém um perfil ativo com mais de 5,6 mil seguidores, onde compartilha o dia a dia da administração municipal e as pautas municipalistas que defende em Brasília e no Rio Grande do Sul.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes: Confederação Nacional de Municípios (CNM), IBGE Cidades 2025, Câmara Municipal de Glorinha, Prefeitura de Glorinha, G1 RS, Wikipédia, Instagram @leonardocarvalho_15, Agência Brasil, Folha de S.Paulo
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