Presidente usa jogo de poder para controlar sucessão no Rio e deixa prefeito Paes sem saída: 'Do Quaquá cuido eu!'

Lula ensina política a Paes: 'Exonere Martha Rocha e garanta 37 votos para Ceciliano'

Presidente usa jogo de poder para controlar sucessão no Rio e deixa prefeito Paes sem saída: 'Do Quaquá cuido eu!'

Em uma conversa que parece saída de um roteiro de House of Cards tropical, o presidente Lula aplicou uma verdadeira aula de articulação política ao prefeito Eduardo Paes, deixando o carioca literalmente sem saída.

O encontro, que deveria ser protocolar, virou um jogo de xadrez político onde Lula moveu suas peças com a precisão de um grande mestre.

Como diz o ditado: "Quem não tem cão, caça com gato" - e Lula mostrou que tem uma matilha inteira à disposição. A conversa revelou o lado mais estratégico do petista, que não por acaso chegou ao terceiro mandato presidencial. Afinal, "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura" - e o presidente sabe muito bem como furar as resistências políticas.

O primeiro movimento: André Ceciliano na jogada

Quando Lula fez seu primeiro pedido - os votos do partido de Paes para André Ceciliano na Assembleia Legislativa do Rio -, o prefeito tentou a clássica estratégia do "deixa eu ver o que posso fazer". Mas o presidente não estava para brincadeira e foi direto ao ponto: Ceciliano seria apenas governador interino, preparando terreno para ser vice do PT nas próximas eleições.

A matemática política apresentada por Lula é impressionante:

15 votos ligados a Rodrigo Bacellar
6 votos do PSD
5 votos do Psol  
2 votos do PC do B
2 votos do PSB
6 votos do PT
Total: 36 votos

A carta na manga: Martha Rocha como peça-chave

Quando Paes tentou argumentar que Quaquá não garantiria os votos para Ceciliano, Lula mostrou suas garras: "Do Quaquá cuido eu e ele vai fazer o que eu mandar". A frase demonstra o alcance da influência presidencial e como Lula mantém controle sobre aliados estratégicos.

Mas o golpe de mestre veio no segundo pedido: exonerar Martha Rocha no dia da votação para que ela pudesse votar em Ceciliano, garantindo o 37º voto e uma margem de segurança. A estratégia revela conhecimento profundo das regras do jogo político fluminense.

Precedentes jurídicos sobre exoneração estratégica

O Supremo Tribunal Federal já analisou casos similares em diferentes contextos. No julgamento do MS 24.831/DF, o STF estabeleceu que exonerações ad nutum são prerrogativa do gestor, desde que não configurem desvio de finalidade ou improbidade administrativa.

O Tribunal Superior Eleitoral, através do Acórdão 060154-79.2018.6.00.0000, também definiu diretrizes sobre o uso do poder de nomeação e exoneração em períodos eleitorais, estabelecendo limites temporais e critérios de transparência.

O xeque-mate final

A resposta de Lula à preocupação de Paes sobre Ceciliano querer ser candidato a governador foi cirúrgica: "Ele só fará isso se você não me apoiar!". A frase encerra um ciclo perfeito de dependência política, onde todos os caminhos levam ao apoio ao presidente.

A estratégia revela várias camadas:

  • Controle imediato: Ceciliano como governador interino
  • Garantia futura: Vice do PT nas eleições
  • Pressão sobre Paes: Necessidade de manter apoio a Lula
  • Segurança numérica: 37 votos garantidos

Análise do jogo político fluminense

O Rio de Janeiro sempre foi um tabuleiro complexo da política nacional. A articulação de Lula demonstra compreensão profunda das dinâmicas locais e capacidade de transformar alianças regionais em apoio nacional.

Especialistas em ciência política apontam que a estratégia presidencial segue padrões clássicos de barganha política, onde benefícios imediatos são trocados por compromissos futuros. A novidade está na transparência com que Lula expôs suas cartas.

Precedentes históricos similares

Casos semelhantes ocorreram durante os governos de Getúlio Vargas, que usava nomeações e exonerações estratégicas para garantir apoio no Congresso. Mais recentemente, durante o governo Dilma Rousseff, articulações similares foram utilizadas para aprovar pautas no Legislativo.

O episódio lembra também as negociações de Fernando Henrique Cardoso para aprovação da reeleição, quando cargos e benefícios foram utilizados como moeda de troca política.

Impacto nas redes sociais

A revelação da conversa gerou reações intensas nas redes sociais, com apoiadores elogiando a "inteligência política" de Lula e críticos denunciando "toma lá dá cá". O episódio reforça narrativas sobre o estilo de governar petista e alimenta debates sobre ética na política.

Consequências para o cenário nacional

O controle do Rio de Janeiro tem implicações que vão além das fronteiras estaduais. O estado é crucial para articulações nacionais e sua governança impacta diretamente a popularidade presidencial na região Sudeste.

A estratégia de Lula também sinaliza para outros governadores e prefeitos como o presidente pretende conduzir alianças regionais, estabelecendo um padrão de relacionamento baseado em reciprocidade e lealdade.

Por Jornal da República em 22/01/2026
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