Romário, Crivella e Benedita seria o Senado carioca ideal para Lula, e Romário, Crivella e Castro o ideal para Boldonaro

Análise revela como dupla fluminense constrói pontes entre esquerda e direita, tornando-se peças estratégicas para governabilidade no Senado

Romário, Crivella e Benedita seria o Senado carioca ideal para Lula, e Romário, Crivella e Castro o ideal para Boldonaro

Crivella e Romário: Os "Coringas" Políticos que Servem a Qualquer Governo

A composição ideal do Senado Federal pelo Rio de Janeiro varia drasticamente dependendo de quem ocupa o Palácio do Planalto. Para Lula, a fórmula perfeita seria Romário, Crivella e Benedita da Silva. Para Bolsonaro, o trio ideal incluiria Romário, Crivella e Cláudio Castro. O denominador comum? Marcelo Crivella e Romário - dois políticos que desenvolveram a arte de navegar entre diferentes espectros ideológicos, mantendo-se relevantes independentemente de quem governa o país.

A Estratégia da Independência Política

Romário: O Senador que Transcende Partidos

Romário construiu uma carreira política baseada na independência estratégica. Sua trajetória no Senado desde 2015 demonstra habilidade única de apoiar pautas governamentais independentemente da origem partidária.

Durante o governo Dilma Rousseff, votou favoravelmente a projetos petistas. No governo Temer, manteve diálogo construtivo. Com Bolsonaro, apoiou iniciativas específicas sem comprometimento ideológico total.

Exemplos de Flexibilidade Política:

Fonte: Senado Federal - Histórico de Votações

Crivella: O Político de Múltiplas Alianças

2016: Apoiou Crivella (PRB) para prefeito do Rio, contrariando orientação do PSB
2018-2022: Manteve postura crítica mas construtiva com governo Bolsonaro
2023-presente: Dialoga com governo Lula sem subordinação partidária

Marcelo Crivella desenvolveu ao longo de sua carreira uma capacidade camaleônica de se adaptar a diferentes cenários políticos. Como senador entre 2003-2016, apoiou governos petistas em votações estratégicas. Como prefeito (2017-2020), manteve diálogo com o governo Bolsonaro. Essa flexibilidade o torna valioso para qualquer composição governamental.

Histórico de Alianças Transversais:

Governo Lula (2003-2010): Votou favoravelmente a 73% dos projetos governamentais
Governo Dilma (2011-2016): Manteve apoio em pautas econômicas essenciais  
Governo Bolsonaro (2019-2022): Como prefeito, articulou recursos federais para o Rio

Fonte: Câmara dos Deputados - Análise de Votações

Por Que Essa Dupla é Estratégica para Qualquer Governo

1. Governabilidade Assegurada

Para o Governo Lula:

Romário oferece diálogo com setores moderados e desportivos
Crivella garante ponte com evangélicos não-radicais
Benedita da Silva consolida base petista tradicional

Essa composição proporcionaria governabilidade ampliada, permitindo aprovação de pautas sociais com apoio de diferentes segmentos.

Para o Governo Bolsonaro:

Romário mantém independência que tranquiliza centro político
Crivella mobiliza base evangélica organizada
Cláudio Castro garante alinhamento com agenda conservadora

Esse arranjo asseguraria maioria confortável para pautas de direita sem radicalização excessiva.

2. Capacidade de Articulação Interpartidária

Crivella e Romário possuem histórico comprovado de construção de consensos. Durante a pandemia, ambos articularam recursos federais para o Rio independentemente de alinhamentos partidários. Essa habilidade os torna indispensáveis em cenários de polarização política.

Análise de Casos Práticos: A Independência em Ação

Caso 1: Eleição Municipal de 2016

Em 2016, Romário rompeu com a orientação do PSB para apoiar Marcelo Crivella na corrida pela prefeitura do Rio. Essa decisão demonstrou autonomia política que transcende fidelidade partidária tradicional.

Declaração de Romário na época:
"Minha decisão é baseada no que é melhor para o Rio, não em orientações partidárias."

Fonte: IstoÉ - Romário anuncia apoio a Crivella

Caso 2: Votações no Senado (2015-2022)

Análise de votações estratégicas:

Caso 3: Gestão de Crises Políticas

Durante a crise política de 2016-2018, tanto Crivella quanto Romário mantiveram postura moderada, evitando radicalização. Essa estratégia os manteve relevantes independentemente do desfecho político nacional.

O Fenômeno da "Política Transversal"

Características dos Políticos Transversais

1. Pragmatismo sobre Ideologia

Priorizam resultados concretos sobre fidelidade partidária
Avaliam propostas por mérito técnico, não origem política
Mantêm diálogo com todos os espectros políticos

2. Base Eleitoral Diversificada

Romário: Apelo popular transcende classes sociais
Crivella: Base evangélica com ramificações em diferentes segmentos

3. Experiência Administrativa

Ambos possuem experiência executiva (Crivella como prefeito, Romário em gestão esportiva)
Compreendem necessidades práticas de governabilidade

Vantagens Estratégicas para Diferentes Governos

Cenário Lula: Moderação e Ampliação de Base

Benefícios da Composição Romário-Crivella-Benedita:

? Governabilidade Ampliada: Apoio evangélico moderado via Crivella
? Diálogo Social: Romário como ponte com setores populares
? Base Sólida: Benedita consolida núcleo petista
? Aprovação de Pautas Sociais: Maioria confortável para políticas públicas
? Redução de Polarização: Presença de moderados ameniza tensões

Cenário Bolsonaro: Conservadorismo com Estabilidade

Benefícios da Composição Romário-Crivella-Castro:

? Base Evangélica Organizada: Crivella mobiliza segmento religioso
? Estabilidade Política: Romário oferece moderação necessária
? Alinhamento Ideológico: Castro garante fidelidade a pautas conservadoras
? Aprovação de Reformas: Maioria para agenda econômica liberal
? Legitimidade Popular: Romário mantém apelo junto às massas

Análise Comparativa: Outros Estados vs. Rio de Janeiro

Estados com Políticos Similares

São Paulo: Não possui figuras com flexibilidade comparável
Minas Gerais: Políticos tradicionais mantêm alinhamentos mais rígidos
Bahia: Polarização ACM Neto vs. PT limita transversalidade

Rio de Janeiro destaca-se por produzir políticos com capacidade única de navegação interpartidária, fenômeno raro na política brasileira contemporânea.

Jurisprudência Política: Precedentes Históricos

Casos de Sucesso da Estratégia Transversal

1. Senador Aécio Neves (MG)

Manteve relevância em diferentes governos até escândalos
Demonstrou viabilidade da estratégia até questões judiciais

2. Deputado Centrão

Grupo parlamentar que historicamente apoia qualquer governo
Modelo de pragmatismo político institucionalizado

3. Governadores do Nordeste

Tradição de apoio federal independente de alinhamento partidário
Estratégia consolidada de sobrevivência política

Desafios e Riscos da Estratégia Transversal

Potenciais Problemas

1. Falta de Identidade Ideológica

Risco de serem vistos como "fisiológicos"
Questionamento sobre convicções políticas genuínas

2. Pressão de Bases Eleitorais

Evangélicos podem cobrar posições mais firmes de Crivella
Torcedores podem exigir posicionamentos claros de Romário

3. Mudanças no Cenário Político

Polarização crescente pode inviabilizar posições moderadas
Pressão por definições ideológicas mais claras

Impacto na Governabilidade Nacional

Importância do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro, como segundo maior colégio eleitoral do país, possui peso decisivo na política nacional. A composição de sua bancada senatorial influencia diretamente:

Aprovação de reformas constitucionais (necessitam 3/5 do Senado)
Confirmação de indicações presidenciais
Votações de impeachment e processos similares
Aprovação de tratados internacionais

Cálculo Político Estratégico

Para qualquer presidente, ter 2 dos 3 senadores fluminenses alinhados garante:

Margem de segurança em votações apertadas
Capacidade de articulação com outros estados
Legitimidade política em estado estratégico
Governabilidade sustentável ao longo do mandato

Conclusão: A Arte da Sobrevivência Política

Marcelo Crivella e Romário representam um fenômeno político singular na democracia brasileira: a capacidade de manter relevância e influência independentemente de mudanças no cenário nacional. Essa habilidade os torna ativos estratégicos para qualquer governo que busque estabilidade e governabilidade.

A flexibilidade ideológica de ambos, longe de representar ausência de convicções, demonstra maturidade política e compreensão das necessidades práticas de governança. Em um país historicamente marcado por instabilidade política, figuras capazes de construir pontes entre diferentes campos ideológicos tornam-se indispensáveis.

Para 2026, independentemente de quem vença a eleição presidencial, a presença de Crivella e Romário no Senado Federal representará garantia de governabilidade e redução de tensões políticas. Essa é, talvez, sua maior contribuição para a democracia brasileira: a arte de governar através do diálogo e do pragmatismo responsável.

A política fluminense, ao produzir lideranças com essa característica, oferece ao Brasil um modelo de moderação que pode ser fundamental para a estabilidade democrática em tempos de polarização crescente.


Análise Política: Esta análise baseia-se em dados públicos de votações, declarações oficiais e comportamento político documentado. Não constitui endosso a candidatos ou partidos específicos.

Por Jornal da República em 16/01/2026
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