Seita judaica abusava e traficava crianças na Colômbia

Comunidade judaica da Colômbia afirma que seita não tem vínculo com o judaísmo tradicional.

Seita judaica abusava e traficava crianças na Colômbia

PorRedação Brasil Paralelo

A ação começou ao amanhecer, quando autoridades colombianas entraram em um alojamento em Yarumal. Ali havia 17 crianças e adolescentes da seita judaica Lev Tahor.

O grupo é conhecido mundialmente por denúncias de sequestro, casamentos forçados e abuso infantil. Cinco dos resgatados eram alvo de alertas internacionais da Interpol.

A operação, realizada no sábado (23/11) e anunciada no domingo, identificou ao todo 26 pessoas em situação migratória irregular. Os menores foram levados ao Centro Facilitador de Serviços Migratórios de Medellín, onde receberam atendimento profissional.

De acordo com o departamento de Migração da Colômbia, havia “indícios de raptos” e sinais de tráfico de pessoas “sob amparo de doutrina religiosa”.

Relatórios de agências internacionais apontam que os menores seriam oriundos da Guatemala, Estados Unidos e Canadá.

Para as autoridades colombianas, a seita buscava “um país sem restrições” para continuar suas práticas, um padrão que se repete há quase quatro décadas.

Tensão na Colômbia

A chegada da Lev Tahor ao país ocorreu no final de outubro e rapidamente chamou atenção dos moradores de Yarumal. Migração e autoridades locais agiram após confirmar que parte dos integrantes tinha histórico criminal ligado à exploração de menores.

A comunidade judaica colombiana celebrou a operação. O representante Marcos Peckel afirmou que o grupo “não tem qualquer vínculo com o judaísmo tradicional” e que se opõe às leis e tradições religiosas que dizem seguir.

A preocupação agora é impedir que a Colômbia se torne um novo ponto de refúgio. O país possui áreas remotas e pouco vigiadas, cenário que a seita já explorou em outras regiões do continente.

O que é a Lev Tahor?

A seita surgiu em Jerusalém, em 1988, fundada pelo rabino Shlomo Helbrans. O nome, “Coração Puro”, contrasta com o histórico de acusações acumuladas desde os anos 1990.

Estimado entre 250 e 500 membros, o grupo adotou uma interpretação extremamente rígida do judaísmo hassídico e passou a viver em deslocamentos constantes, fugindo de investigações.

Em todos os casos, denúncias seguiam o mesmo padrão: negligência infantil, isolamento extremo, casamentos arranjados de menores, abusos físicos e psicológicos.

Os problemas com a Justiça começaram cedo. Em 1993, Helbrans foi condenado por sequestrar um adolescente em Nova York. Após ser deportado, continuou a liderar a seita no Canadá, até morrer em 2017 durante um ritual religioso no México.

O comando passou então ao seu filho, Nachman Helbrans, posteriormente preso em 2018 em um caso de sequestro nos EUA.

Um histórico de práticas extremas

A vida dentro da seita inclui:

  • código de vestimenta rígido, mulheres vestidas de preto da cabeça aos pés;
  • alimentação própria, sem produtos industrializados e com proibições incomuns;
  • rejeição ao uso de eletrônicos;
  • educação restrita, com relatos de crianças incapazes de cumprir níveis básicos de aprendizado;
  • rituais internos de disciplina denunciados por ex-membros como abusivos.

Nos últimos anos, os casos mais graves envolveram 160 crianças resgatadas na Guatemala, pedidos de asilo no Irã, expulsões comunitárias e operações policiais em vários países.

Casos como o da Colômbia mostram como redes de abuso e tráfico podem se esconder atrás de estruturas fechadas, rígidas e protegidas pela aparência de autoridade religiosa.

É esse tipo de dinâmica,silenciosa, organizada e difícil de rastrear, que Tim Ballard enfrenta há anos em missões internacionais de combate ao tráfico infantil.

 

 

Por Jornal da República em 30/11/2025
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