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No início do século XX, a presença de gatos em navios mercantes e de passageiros era prática comum. Além de companheiros silenciosos da tripulação, esses animais cumpriam uma função essencial: controlar a população de roedores, protegendo alimentos, cordas, estruturas de madeira e até a fiação elétrica das embarcações. Não por acaso, muitos marinheiros também os viam como símbolos de boa sorte em longas travessias.
No Titanic, essa tradição também existia. A gata que vivia a bordo se chamava Jenny. Segundo registros históricos e relatos preservados por pesquisadores navais, Jenny teria sido transferida do RMS Olympic, navio-irmão do Titanic, pouco antes da viagem inaugural rumo aos Estados Unidos.
Jenny vivia na dispensa do navio, próxima à área das cozinhas, onde ajudava a manter os estoques de alimentos livres de ratos. Durante a permanência do Titanic no porto de Southampton, pouco antes da partida, a gata deu à luz uma ninhada de gatinhos. A expectativa era de que os filhotes crescessem ali mesmo e seguissem o mesmo destino da mãe como “gatos de navio”.
O comportamento que virou lenda
Um dos aspectos mais comentados dessa história envolve o comportamento atribuído a Jenny pouco antes da partida. Há relatos, especialmente associados ao tripulante Jim Mulholland, de que a gata teria começado a carregar seus filhotes para fora do navio, instalando-os em terra firme ainda em Southampton. Esse episódio é frequentemente citado como um possível pressentimento instintivo de que algo não estava certo com a viagem.
Apesar dessa versão amplamente divulgada, outros relatos indicam que Jenny e seus gatinhos ainda teriam sido vistos na despensa e nas áreas da cozinha na noite do naufrágio. Como acontece com muitas histórias ligadas ao Titanic, os registros não são unânimes e se baseiam, sobretudo, em depoimentos posteriores de tripulantes e em reconstruções históricas feitas ao longo das décadas.
Entre fato histórico e memória oral
Não existe, até hoje, uma fotografia confirmada de Jenny a bordo do Titanic. As imagens associadas à gata que circulam em livros e exposições costumam ser ilustrativas ou referem-se a gatos de navio da mesma época. Ainda assim, a história de Jenny permanece viva como parte do imaginário e da memória afetiva ligada ao desastre de 1912.
Mais do que um detalhe curioso, a presença da gata reforça como o Titanic não era apenas uma obra-prima da engenharia naval, mas também um espaço de convivência humana — e animal. Em meio a uma das maiores tragédias marítimas da história, a história de Jenny segue como um pequeno, porém simbólico, retrato do cotidiano a bordo e das narrativas que atravessaram o tempo.
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