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Publicado por Diario do Centro do Mundo
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O advogado Thiago Ferreira de Paula, alvo de buscas da Polícia Federal por suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro para o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, já respondeu a uma ação penal por extorsão e ameaça e atualmente é réu por crime ambiental. Com informações do Estadao.
A Operação Rent a Car citou Thiago como suposto comprador de um imóvel de Sóstenes, em Ituiutaba (MG), por R$ 500 mil que teriam sido pagos em dinheiro vivo. A PF investiga se a negociação serviu para dar lastro ao dinheiro encontrado na residência do parlamentar.
Sóstenes afirmou que “tudo o que precisava era vender o imóvel” e disse que, pelo histórico criminal do advogado, “fica ainda mais claro que não existe nenhum impedimento legal para a negociação”. Thiago de Paula declarou que não comenta sua vida particular.

O deputado Sóstenes Cavalcante e o dinheiro apreendido na Operação Rent a Car. Reprodução
Processos anteriores envolvendo Thiago de Paula
Morador de Ituiutaba, cidade onde fica o imóvel vendido pelo deputado, Thiago foi denunciado anteriormente pelo Ministério Público de Minas Gerais sob acusação de extorsão e ameaça contra um idoso. A denúncia dizia que os crimes teriam ocorrido para auxiliar um bicheiro na cobrança de uma dívida.
Em 2022, a Vara Única da Comarca de Campina Verde (MG) absolveu o advogado. No processo, Thiago negou a veracidade das acusações, e a Justiça entendeu que não havia provas suficientes para condená-lo.
Em março deste ano, a Promotoria de Ituiutaba denunciou Thiago por crime ambiental, por “impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação”. A acusação prevê pena de detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Na defesa apresentada no mês passado, o advogado negou ter causado danos ambientais. “No presente caso, inexiste qualquer elemento probatório capaz de demonstrar que o denunciado tenha atuado com intenção deliberada de causar dano ambiental ou de inviabilizar a regeneração natural da área”, alegou.
A quebra do sigilo bancário de Thiago identificou 49 comunicações de transferências consideradas atípicas, envolvendo 184 pessoas e movimentação de R$ 27 milhões entre agosto de 2021 e dezembro de 2025. O principal ponto analisado pela PF é a compra do imóvel de Sóstenes por R$ 500 mil.
A escritura pública registra que o valor teria sido pago integralmente em dinheiro vivo em 24 de novembro de 2025, mas o documento só foi lavrado em cartório em 30 de dezembro, onze dias depois de a PF apreender R$ 470 mil em espécie na casa do deputado, em 19 de dezembro. Para os investigadores, a sequência de datas levanta suspeita de formalização posterior para conferir “lastro formal a uma alegada transação pretérita”.
A análise financeira não encontrou saques compatíveis com o pagamento declarado. A instituição financeira que comunicou as operações ao Coaf apontou créditos equivalentes a 17,76 vezes a renda informada por Thiago, cerca de R$ 608,7 mil acima de sua capacidade financeira declarada, e informou que não recebeu documentos capazes de comprovar a origem ou justificar as movimentações.
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