AEBAT propõe criação da 'Cidade da Barra da Tijuca' com seis bairros da Zona Oeste do Rio

Movimento pela Emancipação da Barra da Tijuca Ganha Contornos Oficiais

AEBAT propõe criação da 'Cidade da Barra da Tijuca' com seis bairros da Zona Oeste do Rio

Associação dos Emancipacionistas apresenta projeto de emancipação que incluiria Joá, Joatinga, Barra da Tijuca, Recreio, Vargem Grande e Vargem Pequena

A Associação dos Emancipacionistas da Região da Barra da Tijuca (AEBAT) divulgou comunicado oficial esclarecendo sua proposta para a criação de um novo município independente denominado "Cidade da Barra da Tijuca". O projeto surge em meio às discussões sobre a criação da Zona Sudoeste da Comarca do Rio de Janeiro e representa uma das mais ambiciosas iniciativas de emancipação municipal em curso no estado.

O território geográfico proposto para emancipação reuniria seis bairros estratégicos da Zona Oeste carioca: Joá, Joatinga, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem Pequena. Esta área, conhecida pela concentração de condomínios de alto padrão e desenvolvimento urbano planejado, possui características geográficas e socioeconômicas distintas que, segundo os emancipacionistas, justificariam a criação de uma administração municipal independente.

A Comissão de Planejamento Urbano da AEBAT designou o engenheiro Heraldo Araújo e o professor de arquitetura Fernando Lima Damasceno como responsáveis pela elaboração da Planta e Estudo Geográfico que delineará os parâmetros da área a ser desmembrada. Este trabalho técnico será fundamental para demonstrar a viabilidade territorial e urbanística do novo município proposto.

O comunicado da AEBAT contextualiza juridicamente a proposta, citando o artigo 18 da Constituição Federal de 1988, que estabelece as competências para criação de novos municípios. Segundo o texto constitucional, embora os municípios tenham competência para sua organização, cabe aos estados determinar, por meio de lei, os processos de criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios.

A fundamentação legal apresentada pela associação destaca que a criação de novos municípios deve seguir procedimentos específicos estabelecidos pela Emenda Constitucional 15/1996. O processo exige quatro requisitos essenciais: estudo de viabilidade municipal, consulta à população por meio de plebiscito, período determinado por Lei Complementar Federal e lei estadual autorizativa.

O documento ressalta o crescimento significativo do número de municípios brasileiros ao longo das décadas, passando de 3.974 em 1980 para 5.570 em 2023. Este dado demonstra que a criação de novos municípios é um fenômeno recorrente na organização político-administrativa brasileira, refletindo processos de desenvolvimento regional e demandas por maior autonomia local.

Um dos principais desafios apontados pela AEBAT é a ausência de lei nacional que defina o conteúdo específico do estudo de viabilidade municipal. Esta lacuna legislativa, segundo a associação, cria incertezas sobre os critérios técnicos que devem ser atendidos para demonstrar a sustentabilidade do novo município proposto.

O plebiscito surge como elemento central do processo emancipatório, sendo definido como "consulta direta à população de determinada área sobre assunto de seu interesse". A AEBAT enfatiza que é essencial a vinculação do votante com o assunto envolvido, seguindo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria.

A proposta de emancipação da Barra da Tijuca reflete características específicas da região, que se desenvolveu como área de expansão urbana planejada a partir dos anos 1970. A região possui infraestrutura diferenciada, concentração de atividades econômicas e perfil socioeconômico distinto de outras áreas do município do Rio de Janeiro.

A criação da "Cidade da Barra da Tijuca" representaria um dos maiores projetos de emancipação municipal do país em termos de relevância econômica e populacional. A região concentra importantes centros comerciais, complexos empresariais e residenciais de alto padrão, além de equipamentos urbanos como o Parque Olímpico e diversas instalações esportivas.

O comunicado da AEBAT, assinado por Roberto Monteiro Pinho, demonstra o caráter institucional e organizado do movimento emancipacionista. A associação tem trabalhado de forma sistemática para fundamentar tecnicamente sua proposta e cumprir os requisitos constitucionais para o processo de criação do novo município.

A iniciativa da AEBAT insere-se em um contexto mais amplo de discussões sobre a reorganização territorial da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A eventual criação da "Cidade da Barra da Tijuca" teria impactos significativos na arrecadação tributária, prestação de serviços públicos e dinâmica política regional.

O projeto emancipacionista também levanta questões sobre a gestão de serviços públicos integrados, como transporte, saneamento e segurança pública, que atualmente são coordenados em escala metropolitana. A viabilidade técnica e financeira destes serviços em um município independente será um dos aspectos cruciais a serem avaliados no estudo de viabilidade.

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Por Jornal da República em 01/09/2025
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