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Via Ralfe Reis
Os bastidores da sucessão estadual ganharam mais um capítulo de forte tensão política. O coronel PM reformado Moura, ex-comandante do BOPE e conhecido nacionalmente como o “pai do Caveirão”, fez um duro desabafo após ficar fora da vaga de candidato a vice-governador na chapa do ex-governador Anthony Garotinho.
Em uma publicação contundente nas redes sociais, Moura acusou a direção do Democracia Cristã (DC) de ter descumprido um compromisso firmado poucas horas antes. Segundo ele, participou de duas reuniões na manhã desta terça-feira (28), nas quais recebeu a garantia, “olhando no olho”, de que o partido aguardaria até o dia 5 de agosto para concluir sua liberação e permitir que integrasse oficialmente a chapa de Garotinho.
O partido DC anunciou apoio a Eduardo Paes nessa terça-feira (28). A sigla é comandada por Renato Cozzolino, de Magé, com a família dividida entre Paes e Garotinho.
Mas, segundo o coronel, a promessa durou apenas até ele deixar o local.
“Foi só eu cruzar a porta da rua que a máscara caiu, fecharam a porta e abriram o balcão de negócios.”
A declaração expõe uma crise interna e reforça os bastidores de uma disputa que, a poucos dias das definições eleitorais, passa a ser marcada por acusações de acordos políticos e mudanças de rumo dentro das próprias legendas.
“Venderam o próprio partido”
Sem citar nomes, Moura insinuou que interesses políticos e negociações teriam prevalecido sobre o compromisso assumido pela direção partidária.
Em um dos trechos mais duros do desabafo, afirmou que o DC deixou de representar seus princípios para se transformar em “Discurso da Conveniência, Desvio de Conduta e Dinheiro Compra”.
Na sequência, lançou um questionamento que amplia a dimensão política do episódio.
“Do que eles têm tanto medo? O que fez o DC vender o próprio partido às pressas para tentar me tirar da disputa ao lado do Garotinho?”
A fala evidencia que o rompimento vai além de uma simples divergência interna. Para Moura, houve uma decisão deliberada para impedir que seu nome integrasse a chapa majoritária.
Recado direto aos eleitores
Apesar da exclusão da composição eleitoral, Moura afirmou que continuará apoiando Anthony Garotinho e fez questão de afirmar que sua posição política permanece inalterada.
“A minha lealdade não tá à venda e o meu compromisso com o Garotinho segue firme até o fim.”
O ex-comandante do BOPE também direcionou críticas ao modo como, segundo ele, parte da política é conduzida.
“Eu não tenho medo de disputa, tenho medo é de uma política onde a disputa já começa comprada.”
Em outro trecho, afirmou que uma candidatura pode até ser negociada, mas o caráter não.
Crise exposta
O episódio ocorre justamente no momento em que os partidos finalizam suas chapas para as eleições estaduais. A manifestação pública de Moura expõe um desgaste significativo dentro do Democracia Cristã e leva para o centro do debate os bastidores das negociações políticas que antecedem o registro das candidaturas.
Ao encerrar a publicação, o coronel deixou um recado aos eleitores.
“Se eles têm a coragem de fazer um teatro desse com o pré-candidato do próprio partido, imagina o que fazem com você depois da eleição?”
Até a publicação desta reportagem, a direção do Democracia Cristã (DC) não havia se pronunciado sobre as acusações feitas pelo ex-comandante do BOPE.
Enquanto isso, a declaração do “pai do Caveirão” aumenta a temperatura da disputa estadual e acrescenta novos elementos aos bastidores da campanha de Anthony Garotinho, que perde um aliado de peso na composição formal da chapa, mas mantém, ao menos politicamente, a fidelidade declarada de Moura.
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