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Os ataques do presidente argentino Javier Milei ao presidente Lula durante sua passagem pelo Brasil escancaram uma diferença estrutural entre os dois países: enquanto o Brasil construiu, ao longo de duas décadas, um colchão de reservas internacionais que lhe garante autonomia diante de choques externos, a Argentina voltou a depender diretamente do FMI para se manter de pé.
A trajetória brasileira desde 2003
Ao assumir a Presidência em 2003, Lula herdou um Brasil ainda submetido aos programas do FMI. A quitação antecipada da dívida com o Fundo, em 2005, marcou a virada: o país deixou de precisar de autorização externa para conduzir sua política econômica. Ao fim do segundo mandato, em 2010, as reservas superavam US$ 350 bilhões — um patrimônio que, segundo a análise, seguiu funcionando como escudo mesmo durante os anos de instabilidade do governo Bolsonaro.
A Argentina na posição oposta
Sem reservas suficientes e fortemente endividada, a Argentina voltou a negociar diretamente com o FMI, cuja diretora-gerente, Kristalina Georgieva, visitou recentemente Buenos Aires — evidência, segundo o texto, de que decisões centrais da política econômica argentina hoje passam pela aprovação de credores internacionais.
Uma leitura da resposta de Lula
Para o autor, essa assimetria explica por que Lula optou por ignorar publicamente as provocações de Milei em vez de rebater no mesmo tom — o silêncio, argumenta o texto, transmitiria mais força do que qualquer troca de ofensas.
Artigo de opinião assinado por Leonardo Attuch, publicado no Brasil 247.
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