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O Globo
Marina Lacerda tinha apenas 14 anos quando conheceu Jeffrey Epstein, na cidade de Nova Iorque, em 2002.
Natural de Belo Horizonte, ela deixou o Brasil com 8 anos e passou a morar com a mãe e a irmã em um quarto no Queens.
Sua família era “desestruturada”, como ela mesma disse. Lacerda ajudava a casa trabalhando em diversos empregos quando adolescente, mas o dinheiro nunca era suficiente.
Um dia, uma amiga da igreja a fez uma proposta que parecia irrecusável. Ganharia dinheiro para fazer massagem em um magnata do mercado financeiro, Jeffrey Epstein:
“Minha amiga disse para não me preocupar, que ele era muito legal. Nós iríamos para o andar de cima e faríamos uma massagem nele. Depois, ele daria US$300 para cada e nós iríamos embora”, contou Marina.
A amiga disse que ela precisaria usar um biquíni, pois Epstein gostava que as massagistas usassem pouca roupa.
Assim que chegaram no apartamento foram recebidas por uma empregada, que as levou até um quarto com a janela tapada, onde estava Epstein. O milionário tentou tocá-la, mas ela negou.
"Ele disse: 'dá um tempo que ela vai se sentir confortável comigo'. Nisso, eu troquei de lugar com minha amiga, e ele começou a tocar nela."
Mesmo desconfortável, Marina diz que foi convencida a voltar. O dinheiro e a promessa de oportunidades criaram um ciclo difícil de romper.
“Acho que com Epstein sempre começa em algum lugar, mas termina com você fazendo sexo com ele, goste ou não”, contou.
Lacerda levou outras meninas para Epstein
Após visitar o milionário algumas vezes, Lacerda conta que ele pediu para apresentar mais garotas:
"Começou a virar uma bagunça. Ele [Epstein] começou a pedir para eu levar meninas. Eu não queria que minhas amigas soubessem disso. Mas tinha uma amiga que estava passando por abuso pelo irmão dela e morou comigo por um tempo." A amiga topou.
Ela afirma que foi responsável por ter levado aproximadamente 50 meninas da comunidade brasileira para Epstein:
"Pelo menos umas 50 brasileiras, eu acho. Eu levei algumas dessas meninas, e elas levaram outras meninas".
"Eu saía para clubes brasileiros e via meninas com 14, 15, 16 anos, sem identidade. Cadê nossas mães?... Eu levei as meninas e as meninas levaram outras meninas. Fui abusada lá dos 14 até os 17 anos."
Os abusos contra Marina só acabaram quando Epstein a cortou por achar que tinha ficado “velha demais”:
“Quando eu cheguei aos meus 17 anos ele não me queria mais. Ele só falou ‘você está velha demais, não quero mais você’”.
Hoje com 37 anos e mãe de uma filha, Marina decidiu falar em setembro do ano passado para pressionar o governo americano a divulgar todos os documentos da investigação.
Na semana passada, o Departamento de Justiça liberou mais de 3,5 milhões de documentos sobre o esquema de tráfico humano de Epstein.
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