Candidato dos games, Márcio Filho defende que Rio de Janeiro se consolide como polo de tecnologia e inovação

Especialista em games e sociedade e presidente da ACJOGOS-RJ, Márcio Filho chega à disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa com trajetória ligada ao desenvolvimento de jogos, políticas públicas para o setor e defesa da economia criativa

Candidato dos games, Márcio Filho defende que Rio de Janeiro se consolide como polo de tecnologia e inovação

Aos 37 anos, Márcio Filho decidiu levar para a disputa eleitoral uma pauta que, até pouco tempo atrás, ocupava pouco espaço no debate político: a indústria de games e o potencial da tecnologia como ferramenta de desenvolvimento econômico e social. Nascido e criado em Niterói, candidato a deputado estadual pelo PCdoB-RJ, Márcio concorre em 2026 com o número 65021. Antes de entrar oficialmente na disputa, construiu sua trajetória profissional dentro do setor de jogos eletrônicos como especialista em games e sociedade e, desde 2024, preside a Associação de Criadores de Jogos do Estado do Rio de Janeiro (ACJOGOS-RJ).

Sua relação com os games, porém, começou muito antes da candidatura. Há mais de uma década, Márcio atua no setor, com trabalhos ligados ao desenvolvimento de jogos, gamificação e à relação entre games e sociedade. Ao longo dessa trajetória, também se tornou um articulador nacional do setor, participando das discussões e articulações em torno de políticas públicas para a indústria.

A experiência acumulada no setor é justamente o ponto de partida da candidatura. Para Márcio, o debate sobre games não deve ficar restrito à indústria de entretenimento. O setor reúne tecnologia, cultura, educação e economia criativa e, por isso, pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento para o Rio de Janeiro.

“Quando a gente fala de games, não está falando apenas de entretenimento. Estamos falando de uma indústria que envolve tecnologia, criatividade, educação e inovação e que pode abrir portas para uma nova geração de profissionais. Investir nesse setor significa também investir na formação de jovens, na criação de emprego e renda e em oportunidades para que essas pessoas possam construir suas carreiras e seus negócios no próprio estado”, afirma.

É a partir dessa visão que Márcio pretende defender a consolidação do Rio como um polo de tecnologia e inovação. Na avaliação do candidato, o estado já reúne universidades, profissionais qualificados, empresas de tecnologia e um ambiente cultural capaz de sustentar esse ecossistema. O desafio, segundo ele, é conectar essas estruturas e criar condições para que conhecimento e criatividade se transformem em negócios, empregos e produtos.

À frente da ACJOGOS-RJ, passou a atuar justamente nessa articulação. A entidade reúne estúdios e profissionais do setor e busca aproximar desenvolvedores, universidades, empresas e poder público. A atuação também inclui a realização de eventos e debates sobre formação, mercado e políticas públicas para games. Em 2026, por exemplo, a associação ampliou o seminário “Games: um RIO de Oportunidades”, reunindo academia, setor produtivo e poder público em diferentes atividades no estado.

A defesa do Rio como polo tecnológico, portanto, está diretamente ligada à experiência que acumulou fora da política institucional. Como empresário, Márcio atua há mais de 15 anos com jogos aplicados e ferramentas de gamificação, incluindo soluções voltadas à educação, organizando eventos e criação de produtos gamificados. Essa experiência também ajuda a explicar outra frente de sua candidatura: a formação profissional. Márcio defende maior aproximação entre escolas, universidades e empresas para ampliar o acesso dos jovens às áreas de tecnologia, fortalecer sua formação e criar caminhos para que profissionais formados no estado possam trabalhar na própria indústria fluminense.

A trajetória de Márcio também ganhou destaque no debate nacional sobre a pauta gamer. Em setembro deste ano, a Folha de S.Paulo publicou uma reportagem sobre a aproximação da esquerda com o universo dos games e destacou Márcio como candidato gamer na disputa eleitoral. A reportagem contextualiza sua atuação no setor e cita sua participação nas discussões sobre políticas públicas para jogos eletrônicos, incluindo o Marco Legal dos Games e o projeto apresentado pela deputada federal Jandira Feghali.

Um dos momentos centrais dessa trajetória foi a construção do Marco Legal dos Games, que deu origem à Lei Federal nº 14.852/2024. Durante a tramitação do projeto, Márcio participou das articulações nacionais em torno da proposta e das discussões para estabelecer uma regulamentação específica para o setor, sendo ele um dos agentes que atuaram na formulação da legislação. 
Sancionada em 2024, a lei passou a estabelecer regras para atividades relacionadas à fabricação, importação, comercialização, desenvolvimento e uso comercial de jogos eletrônicos no Brasil. Para o setor, a regulamentação representou a criação de um marco jurídico específico para uma atividade que reúne características de indústria de tecnologia e de produção cultural. 

Em 2026, essa atuação ganhou uma nova frente com o Projeto de Lei 3.612/2026, apresentado pela deputada federal Jandira Feghali e construído em conjunto com Márcio. A proposta trata da preservação de jogos digitais e de situações em que consumidores podem perder o acesso a produtos adquiridos após o encerramento de servidores.

O projeto foi inspirado no movimento internacional Stop Killing Games e propõe mudanças no Marco Legal dos Games e no Código de Defesa do Consumidor relacionadas à preservação e ao encerramento de serviços digitais. A atuação reúne, assim, diferentes etapas do debate sobre o setor: da construção de uma legislação específica para os games à discussão sobre direitos dos consumidores, preservação digital e continuidade de jogos após o encerramento de serviços. 

Agora, a candidatura representa uma mudança de escala. A intenção é levar para a Assembleia Legislativa uma agenda que parte dos games, mas não termina neles. Tecnologia, economia criativa, cultura, educação, formação profissional e desenvolvimento regional aparecem como áreas que, na visão de Márcio, podem ser trabalhadas de forma integrada.

A proposta de transformar o Rio em polo tecnológico passa, nesse sentido, por uma mudança de perspectiva: fazer com que o estado não seja apenas consumidor de tecnologia, mas também produtor de propriedade intelectual, empresas e soluções capazes de alcançar outros mercados.

É nessa interseção entre games, tecnologia e política pública que Márcio construiu sua trajetória. Depois de mais de uma década atuando na indústria e de anos participando da formulação de políticas para o setor, ele agora leva essa experiência para uma disputa eleitoral com uma proposta central: transformar o potencial tecnológico e criativo já existente no Rio em uma estratégia de desenvolvimento para o estado.

Por Jornal da República em 22/09/2026
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