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As primeiras conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro ocorreram justamente no período em que o governo do Rio de Janeiro ampliava os aportes bilionários do RioPrevidência ao Banco Master, segundo cronologia reconstruída pela reportagem a partir da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou buscas da Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
A decisão mostra que o RioPrevidência realizou R$ 970 milhões em aportes em Letras Financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024. Depois, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões foram direcionados a fundos ligados ao mesmo grupo financeiro.
Segundo a Polícia Federal, os investimentos ocorreram em meio à “crescente dificuldade do banco, diante de aparente crise de liquidez”, cenário que teria tornado “essencial” a captação de recursos de regimes próprios de previdência social.
Foi justamente nesse período que Flávio Bolsonaro passou a se aproximar de Vorcaro.
O próprio senador afirmou nas redes sociais que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, durante as tratativas envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada ao universo político bolsonarista.
A declaração ganha relevância porque, segundo a decisão de André Mendonça, foi justamente a partir de dezembro de 2024 que o RioPrevidência iniciou uma nova fase de aportes bilionários em fundos ligados ao Banco Master.

Daniel Vorcaro – Foto: Rubens Cavallari/Folhapress
PF aponta alinhamento político
A cronologia ganhou peso após a decisão de André Mendonça revelar que a Polícia Federal identificou mensagens indicando que determinados aportes do RioPrevidência dependiam de “alinhamento político” com o então governador do Rio, Cláudio Castro.
“A tese investigativa sustenta que a motivação central dessas decisões não residiria em critérios técnicos regulares de investimento, mas em relação pessoal e indevida entre o controlador do Banco Master e autoridades com poder de mando sobre o RPPS”, escreveu o ministro.
Cláudio Castro é correligionário de Flávio Bolsonaro e um dos principais aliados políticos do senador no Rio de Janeiro. Os dois mantêm proximidade desde o governo Jair Bolsonaro e atuaram juntos em diversas articulações eleitorais no estado.
A investigação sustenta que o avanço dos investimentos foi acompanhado por mudanças estratégicas dentro do RioPrevidência.
Segundo a decisão, dirigentes nomeados para a autarquia passaram a atuar em “desconformidade com a política de investimentos” do fundo previdenciário, abrindo caminho para:
A decisão também descreve uma relação próxima entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro.
“Portanto, segundo a representação, a atuação do ex-Governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do RioPrevidência”, segundo a decisão.
Segundo a PF, as mudanças dentro do RioPrevidência ocorreram pouco antes do início dos investimentos.
A investigação afirma que gestores passaram a tomar decisões contrárias à política conservadora até então adotada pela autarquia. A PF sustenta que o grupo abriu caminho para aplicações sem estudos técnicos estruturados e sem justificativas formais consideradas idôneas.
Ao validar os fundamentos apresentados pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, André Mendonça afirmou que os elementos reunidos pela investigação “superam largamente a mera conjectura”.
O ministro também escreveu haver “elevada probabilidade” de existência de um “amplo, estável e bem estruturado esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro criado para o desvio de uma cifra bilionária do RioPrevidência”.
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