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Quando a depilação deixa de ser apenas vaidade e vira cuidado com a saúde,
Crislane Santiago, 28 anos, representa geração de profissionais de estética que compreende transformação profunda no setor.
Não se trata apenas de remover pelos; é questão de autoestima, saúde mental e bem-estar integral. "O nosso trabalho aqui, como profissional da área da beleza, a gente mexe diretamente com a autoestima das pessoas", afirma durante entrevista na Estetic Rio.
A observação é respaldada por dados. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Estética e Cosmetologia (ABEC), 73% dos clientes que procuram serviços de depilação citam melhora na autoestima como benefício principal, superando razões puramente estéticas.
A indústria de beleza brasileira movimenta R$ 65 bilhões anuais, com segmento de depilação representando 18% desse total.
Crislane está em seu segundo ano na Estetic Rio, maior feira de estética da América Latina, e já consolidou presença significativa no mercado de Saracuruna e Caxias. Seu estúdio, focado inicialmente em design de sobrancelhas, expandiu para depilação completa, movimento que reflete tendência maior no setor.
Depilação tradicional versus laser: quando custo-benefício vence tecnologia
Um dos pontos mais relevantes levantados por Crislane é a persistência da depilação com cera tradicional em um mercado cada vez mais tecnológico. "O método tradicional ainda é muito procurado, né? Até porque o custo-benefício é melhor", explica.
Os números confirmam essa realidade. Segundo levantamento da Associação Nacional de Profissionais de Estética (ANPE), 62% das clientes brasileiras ainda preferem depilação com cera, enquanto 38% optam por laser.
A razão é econômica: depilação com cera custa entre R$ 50 e R$ 150 por sessão, enquanto laser exige investimento de R$ 200 a R$ 800 por sessão, com necessidade de múltiplas aplicações.
"Muita gente procura o laser por achar que dói menos, mas, ao mesmo tempo, gasta um pouco mais. "Então ele é muito dividido, tem cliente para todos os gostos, todos os ramos", observa Crislane, identificando segmentação clara do mercado.
A Estetic Rio oferece plataforma em que profissionais como Crislane exploram ambas as metodologias. "É uma área que você tem vários testes para poder você ir se identificar e você consegue, né, ter vários outros aprendizados", destaca sobre a feira.
Expansão do público masculino: quando homens descobrem que vaidade é autocuidado
Talvez o fenômeno mais significativo identificado por Crislane seja o crescimento explosivo de demanda masculina por serviços de depilação. "O público masculino tá procurando muito mais a área da depilação também", afirma, observação que reflete mudança cultural profunda.
Dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) mostram que 58% dos homens brasileiros entre 18 e 45 anos realizam algum tipo de depilação regularmente — crescimento de 340% em relação a 2015. Segundo pesquisa da ABEC, homens representam 31% da clientela de clínicas de estética em 2026, comparado a 12% em 2016.
Crislane participou recentemente de workshop com mentor reconhecido em depilação masculina. "Ele falava justamente sobre a depilação masculina, que está aumentando, tem aumentado, na verdade, a procura, principalmente na área de atletas, homens cuidando da saúde", relata.
A mudança reflete transformação cultural, em que masculinidade não mais se opõe a cuidados estéticos. "Muitos homens têm procurado isso justamente para cuidar da autoestima, né?", explica Crislane, identificando que autocuidado deixou de ser questão de gênero.

Por Robson Talber @robsontalber Repórter Débora Barbosa @chefdeborabarbosa
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