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Declarações feitas em vídeo pelo ex-deputado e colaborador da Justiça Tony Garcia lançam novas dúvidas sobre os limites da atuação judicial durante investigações conduzidas na Justiça Federal do Paraná. Nas imagens, Garcia afirma que exerceu o papel de ‘informante’ do então juiz Sergio Moro, indo além da condição formal de delator.
As falas foram dirigidas à juíza Gabriela Hardt, que assumiu processos ligados à antiga 13ª Vara Federal de Curitiba. Segundo Garcia, sua atuação envolvia contato direto com autoridades responsáveis pelas investigações e autonomia para indicar a necessidade de interceptações telefônicas.
‘Com o tempo, passei a atuar como agente infiltrado, trabalhando de forma contínua, com apoio operacional, inclusive para solicitar segurança e grampos telefônicos’, afirmou Garcia durante o depoimento. Ele sustenta que desempenhou essa função por mais de dois anos, mantendo diálogo frequente sobre o andamento das apurações.
O delator também relata que utilizava estruturas institucionais da própria Vara Federal para estabelecer contato com pessoas investigadas e que sua atuação teria sido determinante para que alguns alvos aceitassem colaborar com a Justiça, inclusive apresentando informações sobre movimentações financeiras no exterior.
As declarações reforçam questionamentos já existentes sobre a separação entre as funções de magistrado, acusação e investigação durante aquele período. Especialistas avaliam que, caso confirmadas, as práticas descritas podem caracterizar extrapolação de atribuições legais e comprometimento da imparcialidade judicial.
O caso é analisado no âmbito do Supremo Tribunal Federal, onde há apurações relacionadas à condução de investigações e ao uso de colaboradores em processos de grande repercussão nacional.
Procurado em outras ocasiões para responder a acusações semelhantes, Moro negou irregularidades e sustentou que todas as medidas adotadas durante sua atuação como juiz seguiram a legislação vigente e contaram com autorizações formais. As novas revelações, no entanto, reacendem o debate sobre os limites éticos e legais da colaboração premiada no sistema de Justiça brasileiro.
Fonte: Brasil247
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