Deputado propõe criação da Autoridade Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (ANEOC)

PEC altera artigos 84 e 144 da Constituição e cria estrutura permanente de Estado com autonomia para enfrentar máfias do combustível, gás, cigarro e pirataria

Deputado propõe criação da Autoridade Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (ANEOC)

O presidente da Frente Parlamentar de Combate à Pirataria, deputado federal Julio Lopes (PP), protocolou Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria a Autoridade Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (ANEOC).

A iniciativa foi formalizada dentro do relatório da Comissão Externa do Brasil Legal na Câmara dos Deputados, e altera os artigos 84 e 144 da Constituição Federal para incluir a nova entidade entre os órgãos de segurança pública e definir suas competências.

Ela terá total autoridade, independência e autonomia, e contará com uma estrutura de Estado para investigar crimes complexos estruturados por organizações criminosas. De acordo com o parlamentar, a ANEOC terá como principal missão identificar e desarticular os operadores financeiros que sustentam grandes organizações criminosas em setores estratégicos como gás, combustíveis, cigarros e pirataria em larga escala, além de combater sua infiltração no poder público, investigando esquemas de corrupção em instituições públicas e nas mais altas esferas.

 - Irei apresentar a indicação pedindo a criação da secretaria do Sistema Nacional de Informações Criminais imediatamente. Ela dará ao país uma estrutura de acompanhamento, monitoramento e informações que nós não temos hoje e ficará vinculada ao Ministério de Segurança Pública. É fato que já temos atuando no país estruturas de terror através de facções internacionais extremamente capitalizadas, por isso é importante que o governo também se estruture de forma digital e informatizada através de uma secretaria nacional de informações criminais com autonomia - disse.

 Julio afirma ainda que a futura autoridade nacional será um órgão permanente, organizado e mantido pela União, dotado de autonomia funcional, administrativa e orçamentária. Ela irá integrar dados e contribuir para a produção de conhecimentos de inteligência e da prova quanto à expansão nacional e transnacional do crime organizado e sua infiltração em setores econômicos e nas instituições públicas.

 - Ela será uma secretaria especial com status de ministério, para que o secretário possa, em articulação com os 27 estados, criar um sistema de integração das informações criminais. Nesse contexto, a nova estrutura poderá também formatar e articular informações de combate à pirataria e ao contrabando em geral", disse.

 O parlamentar lembra também que o Brasil não dispõe dessa estrutura, já que a ABIN é uma agência de Estado com foco em informações de Estado, sejam nacionais ou internacionais, monitorando espionagens, greves e informações estratégicas para o país. Ele ressalta ainda que a ABIN não tem estrutura nem formação para investigações de informações criminais; por isso propôs a criação de uma secretaria especial com status de ministério, que será comandada por um Diretor-Geral nomeado pelo Presidente da República, após sabatina e aprovação pelo Senado Federal para mandato fixo de seis anos, permitida uma recondução. O órgão poderá ser composto por servidores e militares cedidos de outros órgãos, garantindo composição plural e equilibrada entre egressos da segurança pública, inteligência de Estado, persecução penal, fiscalização e administração tributária, e entraria em vigor 180 dias após sua publicação.

 - O crime organizado virou uma ameaça federativa, econômica e institucional. Facções e milícias operam com alta sofisticação e com empresas de fachada para lavagem de capitais. Isso supera a capacidade de resposta isolada de qualquer instituição. Precisamos de uma política de Estado, com blindagem contra pressões político-partidárias e com rigor técnico e independência", justifica Julio.

Por Jornal da República em 26/10/2026
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