Durante evento de 70 anos da comissão Nacional de Energia Nuclear no Congresso deputado cobra o término das obras de Angra 3

Durante evento de 70 anos da comissão Nacional de Energia Nuclear no Congresso deputado cobra o término das obras de Angra 3

 "Enquanto muitos ainda tratam o setor nuclear com grande preconceito e desinformação, as grandes potências do mundo estão ampliando investimentos em energia nuclear, e o Brasil não pode ficar de fora desse movimento". Foi com esse posicionamento que o presidente da Frente Parlamentar de Tecnologia e Atividade Nuclear, deputado Julio Lopes (PP), defendeu durante o aniversário de 70 anos da Comissão Nacional de Energia Nuclear realizado no Congresso, a conclusão das obras de Angra 3, na Costa Verde do Rio de Janeiro. Segundo o parlamentar, a obra é estrategicamente importante para a geração de uma energia limpa e segura, além de representar a soberania nacional do país. Julio lembrou ainda que o Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do planeta e tem competência técnica e científica, além de pesquisadores extraordinários para dar continuidade ao programa nuclear brasileiro.

- É imperativo que debates para a transição energética, sua segurança e regulação voltem a ocorrer, que considero como essencial para o país, pois nenhuma energia se renova ou se reconstrói como a energia nuclear e por isso temos a obrigação de transformar esse potencial em desenvolvimento econômico e empregos qualificados”, afirmou.
   Durante o evento na Câmara dos Deputados, diretores do CNEN pediram aos parlamentares maior estabilidade orçamentária e a recomposição do quadro de servidores, que sofre sem a realização de concurso há mais de dez anos. O CNEN tem hoje 46% dos cargos ocupados que pode cair para 23%, caso os servidores que têm direito peçam aposentadoria. Já Francisco Rondinelli, presidente do órgão, destacou a produção de radiofármacos, além da construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), considerado estratégico para reestruturar o setor nuclear do país.

  - No Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) produzimos o tecnécio, um metal de transição que tem a distinção de ser o primeiro elemento químico produzido de forma totalmente artificial, sendo considerado como um subproduto da fissão do urânio em reatores nucleares e responsável por mais de 80% dos exames de medicina nuclear. Estamos ainda investindo na melhora do nosso reator multipropósito para produzir os radioisótopos,  matéria-prima para o radiofármaco, já  que hoje ainda temos uma dependência externa - disse.

Término das obras de Angra 3 também é cobrada

Durante o evento Júlio Lopes cobrou o término da obra da Usina de Angra 3, terceira maior usina nuclear do Brasil com uma capacidade energética de 1.400 megawats, que gera enorme economia para milhões de consumidores e com uma enorme perspectiva de independência energética para o Rio de Janeiro, que terá 70% de sua energia provida por energia nuclear. 

  - Angra 3 já conta com 63% de obra concluída e com quase todas as partes mecânicas e peças compradas, faltando apenas os sistemas digitais. Acredito que a obra poderia estar sendo tocada com os recursos oriundos de um Project One já estruturado pelo BNDES, onde a energia futura pagaria a obra da mesma forma como ocorreu em Itaipu. A não conclusão da usina pode ser considerada um crime contra a economia e o sistema elétrico do país - afirmou o parlamentar.

Por Jornal da República em 07/06/2026
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