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Partidos do Centrão flertam tanto com o deputado licenciado e secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), como com o prefeito Eduardo Paes (PSD), principais nomes atualmente na disputa para o governo do Rio em outubro. Considerado hoje o nome favorito dentro do PL para concorrer ao posto e abrir palanque para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Ruas só encara a missão se tiver garantias. A principal condição manifestada a interlocutores passa por assegurar uma aliança com os partidos mais robustos do estado.
Depois do próprio PL, as siglas com maior capilaridade no Rio, considerando a quantidade de prefeituras que comandam e o tamanho dos municípios, são o PP e o União Brasil, que vão compor uma federação partidária. Na visão de Douglas Ruas, essa federação e o Republicanos são fundamentais para confirmar a competitividade da eventual candidatura. Com eles embarcados, siglas menores, como Solidariedade e PSDB, poderiam acompanhar o movimento, observa a aliados.
Paes, por sua vez, tem investido nas conversas com três lideranças regionais do PP a fim de fechar uma aliança com o partido: o deputado federal Doutor Luizinho, que preside a sigla no estado; o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho; e o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, um dos cotados para a vice na chapa. O Progressistas é o segundo partido com mais prefeituras no Rio, com 17 eleitos, atrás apenas do PL, que tem 22.
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Bancadas — Foto: Editoria de Arte
O que está em jogo
Além disso, o prefeito tem feito agendas em cidades governadas por siglas aliadas ao governador Cláudio Castro (PL), como no último fim de semana no Norte fluminense.
Já no caso de Ruas, a exigência se explica pelo que tem a perder ao encarar a disputa, como mostrou a newsletter “Jogo Político”. O plano do secretário é se reeleger deputado estadual e tentar a presidência da Assembleia Legislativa (Alerj) no início do ano que vem. Se concorrer a governador e perder, fica sem nada.
Soma-se a isso o fato de que o político de 37 anos não pode concorrer à prefeitura de São Gonçalo, seu reduto, em 2028. O pai dele, Capitão Nelson (PL), é o atual prefeito da cidade, e a legislação não permite essa sucessão familiar. Douglas Ruas ficaria, portanto, quatro anos sem cargos eletivos.
É por isso que ainda há ceticismo quanto à candidatura, apesar de atributos que a fazem ser vista como competitiva. Entre eles, a relevância eleitoral de São Gonçalo e seu entorno, a força do bolsonarismo no Rio e o poderio da secretaria que comanda, que lida com as prefeituras e nelas injeta recursos para projetos. Em pesquisas internas, o nome de Ruas desempenha bem quando é associado à família Bolsonaro e ao governador Cláudio Castro (PL).
Assim como quase tudo que envolve o processo eleitoral do Rio este ano, os cálculos passam ainda pela eleição indireta que o estado tende a enfrentar nos próximos meses, considerando a provável desincompatibilização de Castro para poder disputar o Senado. Já que o Palácio Guanabara está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o presidente do Tribunal de Justiça (TJ) precisará assumir a cadeira e convocar uma disputa indireta, feita na Alerj, para definir o comandante do Rio até o fim do ano.
Na leitura de alguns, como Flávio Bolsonaro, o ideal seria que o candidato de outubro já fosse eleito na votação indireta na Alerj. Assim, concorreria à reeleição sentado na cadeira de governador, aproveitando o uso da máquina.
Para Ruas, também essa disputa só vale a pena ser encarada se houver uma garantia de maioria na Casa em torno dele. A possível candidatura do ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT), hoje secretário de Assuntos Legislativos do governo Lula, causa preocupação na direita, já que, apesar de petista, é um quadro pragmático e com trânsito com deputados de diferentes partidos. Ele ficou quase cinco anos à frente do Legislativo e é conhecido pelo canal direto que mantinha com parlamentares.
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Prefeituras — Foto: Editoria de Arte
Divisão interna
Antes de se preocupar com adversários, contudo, o PL precisa resolver divisões internas. A candidatura presidencial de Flávio, com a necessidade de viabilizar um palanque forte no Rio, implodiu um acordo até então bem encaminhado. Cláudio Castro queria emplacar como governador no mandato-tampão o secretário estadual de Casa Civil, Nicola Miccione, um “técnico” que se filiou no final do ano passado ao PL. O movimento foi combinado com Paes, que não teria suas pretensões eleitorais atrapalhadas por Miccione — que, uma vez eleito pela Alerj, não disputaria a reeleição em outubro.
Na última segunda-feira, Paes reiterou que apoiará a reeleição de Lula, mas atacou Ceciliano. Ele associou o petista a Rodrigo Bacellar (União), que foi preso e afastado do comando da Assembleia por ter vazado ao deputado TH Joias a investigação que apura o elo dele com o Comando Vermelho. Ceciliano rebateu a “fala nervosinha” do prefeito.
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