Eleições 2026: O Código do Voto Carioca Decifrado por Isaías Zavarise

No coração do Rio de Janeiro, onde as ruas são palco de histórias e os eleitores carregam memórias de promessas e decepções, o estrategista político Isaías Zavarise — coordenador de campanhas de governadores, senadores e prefeitos — desvenda, em entrevista exclusiva ao Jornal da República, os fatores que moldarão as eleições de 2026. Com uma carreira que inclui passagens pela TV Record e pelo PRB (Republicanos), Zavarise traz à tona uma análise rigorosa, baseada em números, comportamento e realidade política.

Eleição é Votos, e Votos são Números

“Eleição é votos, e votos são números”, afirma Zavarise, que vê a política como uma ciência exata. Para ele, a matemática eleitoral é a base de qualquer estratégia. “Não adianta ter um discurso perfeito se você não entende como os votos se distribuem. O coeficiente eleitoral e a nominata são fatores que os partidos não querem que você entenda, mas que ditam a viabilidade de qualquer candidatura.”

Segundo o estrategista, os partidos têm o poder de inflar expectativas para atrair candidatos, mas a realidade eleitoral é outra. “Muitos acreditam que ter um nome forte no papel garante uma vaga, mas a realidade é que, sem estrutura, logística e capital, o candidato não vai longe.”

Segurança Pública: O Tema que Define o Rio

Nas eleições de 2026, o Rio de Janeiro terá como tema central a segurança pública. “O eleitor carioca está cansado de promessas que não se concretizam. Ele quer resultados, não discursos”, diz Zavarise. Para ele, candidatos que não apresentem planos concretos de segurança, com parcerias entre poderes e ações comunitárias, estarão fora do radar.

“O Judiciário, que historicamente tem sido independente, está exercendo um papel mais ativo no cenário político. Isso está mudando a dinâmica das campanhas. O eleitor percebe isso e está mais crítico”, afirma o estrategista.

Tecnologia, IA e a Guerra das Fake News

A tecnologia está transformando as campanhas eleitorais. “A inteligência artificial está sendo usada para segmentar eleitores, criar perfis e até gerar conteúdo. Mas isso também abre espaço para a desinformação”, alerta Zavarise. Segundo ele, a guerra das fake news está mais intensa do que nunca.

“Muitos candidatos acreditam que ter milhões de seguidores nas redes sociais é sinônimo de votos. Isso é um equívoco. Seguidores não se traduzem em eleitores. O que importa é a conversão — transformar seguidores em votos”, explica.

Silêncio da Urna: O Eleitor que Não Fala, Mas Decide

“O eleitor carioca é um mistério. Ele fala uma coisa e vota outra. Isso é o que chamamos de ‘silêncio da urna’”, diz Zavarise. Para ele, o eleitor está mais distante do discurso político tradicional. “Ele quer soluções, não reformas estruturais. Quer emprego, não debates ideológicos.”

A desconexão entre a classe trabalhadora e o discurso político é um desafio para os candidatos. “Muitos políticos falam de economia, mas o eleitor quer comida na mesa. Eles não entendem isso. E isso é um problema”, afirma o estrategista.

Teoria da Caixa de Papelão: O Indicador Informal do Eleitor

Zavarise apresenta uma teoria curiosa, mas eficaz: a teoria da caixa de papelão. “O eleitor carioca tem uma sensibilidade muito grande com o custo de vida. Se ele vê uma caixa de papelão na porta de casa, ele entende que a economia está difícil. Isso é um indicador informal, mas muito real.”

Segundo o estrategista, essa percepção influencia diretamente o comportamento eleitoral. “Quando a economia está ruim, o eleitor vota em quem promete mudar. Quando está boa, vota em quem promete manter.”

Os Candidatos ao Senado: Benedita, Crivela e Pedro Paulo

Sobre os possíveis candidatos ao Senado Federal, Zavarise faz uma análise detalhada. “Benedita da Silva tem uma base histórica e uma imagem de luta. Crivela tem o carisma e a experiência religiosa. Pedro Paulo tem a força do Executivo e o apoio de uma base ampla.”

“O desafio de todos é se posicionar claramente. O eleitor não quer meias palavras. Ele quer saber onde cada candidato está na questão da segurança, da economia e da educação”, afirma.

A Polarização e os Outsiders

A polarização política é um fator que não pode ser ignorado. “O eleitor está cansado de polarização. Ele quer alguém que saia do jogo tradicional e traga uma nova proposta”, diz Zavarise. Para ele, os candidatos outsiders estão ganhando força.

“Muitos deles não têm histórico político, mas têm uma proposta clara e uma conexão direta com o eleitor. Isso é um sinal de que o eleitor está buscando novas alternativas”, afirma.

Fontes

  • Isaías Zavarise, Estrategista Político
  • Ralph Lichotti, Repórter e Editor do Jornal da República e Ultima Hora Online
  • Associação Nacional, Internacional de Imprensa (ANI)
  • Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

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Por Jornal da República em 04/06/2026
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