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O Jornal da República Última Hora marcou presença na maior convenção do Republicanos no Rio de Janeiro, onde o partido oficializou candidaturas para a eleição de outubro.
Entre os nomes homologados, um chamava atenção pela farda que trocou pelo paletó: o tenente-coronel bombeiro militar Emílio Mendonça, que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa com a missão de transformar em política pública aquilo que aprendeu em 25 anos de operações de resgate.
"Agora as coisas começam a acontecer de verdade", afirmou Emílio, referindo-se ao fim da fase de pré-candidatura. "Na pré-candidatura, a gente fez um trabalho muito forte de divulgação do nosso nome enquanto pessoa, enquanto história de vida, enquanto história de trabalho. Agora a gente vai começar a focar nos projetos para fortalecer os municípios."
O alerta de quem já viu o pior.
O tenente-coronel não é político de carreira. É bombeiro militar com décadas de experiência em operações de busca e salvamento. E é exatamente esta vivência que o leva a um diagnóstico preocupante sobre a situação do estado. "Eu já vi muitas famílias chorarem do meu lado, buscando seu ente que estava soterrado. "Aquela pessoa que se perdeu numa condição de enchente", desabafou durante a entrevista.
A declaração ganha ainda mais peso diante do cenário climático de 2026. O Centro Americano de Previsão Climática ampliou para 81% o risco de um El Niño "muito forte" no último trimestre do ano. Nota técnica conjunta do INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM confirma que os volumes de chuva previstos para o segundo semestre estão muito acima da média histórica.
A prefeitura do Rio anunciou em julho um pacote de R$ 1 bilhão em medidas preventivas, mas Emílio questiona a efetividade das ações nos municípios do interior.
Prevenção ou repetição de tragédias?
Para Emílio, o estado sabe que vai chover, mas age como se fosse pego de surpresa a cada nova tempestade. "O estado sabe que vai chover. Está sendo noticiada o tempo inteiro a situação do El Niño.
A gente está com uma diferenciação climática muito severa e eu não vejo processos estruturais concretos. "Não vejo ações que tenham impacto direto na prevenção", afirmou.
O Greenpeace Brasil classifica 2026 como ano de "Super El Niño" e alerta para aumento significativo no volume e na intensidade das chuvas entre setembro e dezembro. O Rio de Janeiro, que já sofre com deslizamentos e alagamentos crônicos, está entre as regiões mais vulneráveis.
O Corpo de Bombeiros iniciou a Operação Extinctus 2026 para prevenção de incêndios florestais, mas Emílio defende que é preciso ir além. "A população do Rio de Janeiro vem sofrendo há tempos com grandes volumes pluviométricos. Eu não posso ser leviano.
A gente precisa fortalecer as defesas civis municipais, os órgãos de resposta, as ações de ajuda humanitária. Porque já vão começar os grandes volumes e mais uma vez a gente vai ouvir as mesmas notícias de sempre: famílias desaparecidas, pessoas sendo levadas, pessoas perdendo tudo. "Não dá mais."
O municipalismo como bandeira
A candidatura de Emílio Mendonça alinha-se à plataforma do Republicanos, que lançou Anthony Garotinho como candidato ao governo e aposta em uma chapa competitiva para a Assembleia Legislativa.
O partido busca eleger entre 50 e 60 deputados federais e ultrapassar a marca de 100 estaduais em todo o Brasil.
O tenente-coronel defende que a prevenção de desastres passa necessariamente pelo fortalecimento dos municípios. Os cidadãos moram nos municípios. Ninguém mora no estado, ninguém mora em Brasília.
Então a gente precisa sim fortalecer as defesas civis municipais." Emílio foi comandante do Colégio Militar do CBMERJ e construiu carreira marcada pela atuação em gestão de riscos e operações de resposta a desastres.
A farda que vira mandato.
A candidatura de Emílio representa mais um movimento de militares em direção à política institucional no Rio de Janeiro. Assim como Rafa Luz (Missão) e outros bombeiros que lançaram candidaturas em 2026, Emílio aposta na credibilidade adquirida em situações-limite para conquistar o eleitor. "El Niño está chegando aí, as cidades não estão preparadas e eu, enquanto tenente-coronel bombeiro militar, não posso deixar de defender o processo preventivo e de preparação sério para a nossa população carioca e fluminense."
Perfil: Tenente-Coronel Emílio Mendonça.
Emílio Mendonça é tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) com mais de 25 anos de carreira operacional. Foi comandante do Colégio Militar do CBMERJ e atuou em grandes operações de busca, salvamento e resposta a desastres naturais no estado.
Especialista em gestão de riscos e prevenção, Emílio teve sua candidatura a deputado estadual homologada pelo Republicanos na convenção de julho de 2026.
Sua plataforma política é centrada no fortalecimento das defesas civis municipais, na preparação para eventos climáticos extremos e na municipalização das políticas de prevenção a desastres.
Emílio é presença constante em eventos do partido e tem se destacado pelo discurso técnico e pela defesa de políticas baseadas em evidências operacionais.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ.
Por Robson Talber
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