Ex-comandante do BOPE é oficializado vice de Garotinho: 'Vamos bater forte em segurança pública'

Convenção do Republicanos lota Clube Municipal e oficializa chapa que promete 'colocar ordem na bagunça'

"Seis meses no Complexo do Alemão": o ex-comandante do BOPE que quer ser vice-governador e promete endurecer segurança no Rio

Coronel Venâncio Moura é oficializado candidato a vice-governador na chapa de Anthony Garotinho pelo Republicanos e afirma: "58% da população considera violência o principal problema. Nós vamos bater forte nesse tema"

O Clube Municipal, no Rio de Janeiro, foi palco da maior convenção do Republicanos no estado, evento que oficializou a chapa encabeçada por Anthony Garotinho ao governo do estado com o coronel Venâncio Moura como candidato a vice-governador. O Jornal da República Última Hora acompanhou a movimentação e conversou com o militar que comandou o BOPE — Batalhão de Operações Policiais Especiais — e que promete endurecer o enfrentamento ao crime organizado.

A convenção superou expectativas. "Fiquei impressionado com o número de pessoas, a vibração, coisa de voluntários totalmente voluntários. Isso nos dá uma expectativa muito positiva de que vamos chegar ao segundo turno com tranquilidade", afirmou Venâncio. O ex-comandante do BOPE mandou recado direto ao candidato da situação: "O prefeito Eduardo Paes que se cuide, porque nós vamos vir fortes."

A experiência de quem passou seis meses no Complexo do Alemão

A biografia de Venâncio Moura é marcada por uma das operações mais emblemáticas da história da segurança pública fluminense. Em 2007, após a morte de dois policiais na zona norte do Rio, o Complexo do Alemão foi alvo de uma das maiores intervenções policiais já realizadas no estado — e o então comandante do BOPE esteve no centro da operação.

O que o público não sabe é que Venâncio não ficou dias, mas meses no local. "Não foi um mês, foram seis meses. Morreu um policial do BOPE numa operação conjunta com a Polícia Civil. Eu pedi autorização ao Garotinho para permanecer no Complexo do Alemão até pegar o traficante principal, que na época era o Rolinho e o segurança dele, o Brunin G3."

A operação mobilizou 40 homens por dia, resultou em dezenas de prisões e na apreensão de armas e drogas. O diferencial, segundo o coronel, foi a parceria com a comunidade. "Quando o trabalho é sério, a comunidade vem a nosso favor. A prisão do Rolinho foi uma informação da própria comunidade."

O episódio, que à época repercutiu internacionalmente — com cobertura de veículos como a revista piauí —, consolidou a reputação de Venâncio Moura como oficial de linha dura dentro da PMERJ. Aos 40 homens do BOPE sob seu comando, somaram-se agentes da Polícia Civil, Federal, Exército, Marinha, Aeronáutica e Força Nacional, totalizando 1.350 agentes na maior operação já realizada no conjunto de favelas até então.

Garotinho e Venâncio: a chapa da segurança

Anthony Garotinho governou o Rio de Janeiro entre 1999 e 2002, quando renunciou para concorrer à Presidência. Vinte e quatro anos depois, retorna ao palco eleitoral fluminense apostando na segurança pública como tema central. A escolha de Venâncio Moura como vice não é casual.

"Garotinho saiu do governo há 24 anos. De 24 anos para cá, o que foi feito? Só piorou, só piorou, só piorou. Ele tem que voltar para colocar ordem nessa bagunça", afirmou o coronel. A Folha de S.Paulo noticiou em 25 de julho a oficialização da chapa, destacando que Garotinho "terá como vice o coronel Venâncio Moura, comandante do BOPE à época da gestão de Garotinho".

O ex-governador, em postagem no Facebook, apresentou o militar como "um dos mais corajosos comandantes que o BOPE já teve". A chapa Republicanos (Garotinho) e Democracia Cristã (Venâncio Moura) aposta na memória do antigo governo e na credibilidade operacional do vice para conquistar eleitores que colocam a violência como principal preocupação. Pesquisas indicam que 58% da população do estado considera a violência o problema mais grave — dado que Venâncio repete como mantra de campanha.

A caveira que não se curva à pressão

Durante a entrevista, Venâncio Moura foi perguntado sobre o significado do símbolo do BOPE — a caveira com uma faca cravejada — que ostentava no peito. A resposta revela a filosofia que pretende levar para o Palácio Guanabara. "É suportar todo tipo de pressão. Nenhuma pressão nos derruba. A pressão normalmente joga as pessoas para baixo. Nós, em operações especiais, a pressão nos coloca para cima. Essa é a diferença."

O BOPE, criado em 1978, é considerado uma das unidades de operações especiais mais experientes do mundo em combate urbano. Imortalizado no cinema pelo filme "Tropa de Elite", o batalhão formou gerações de policiais especializados em incursões em comunidades dominadas pelo tráfico. Venâncio Moura comandou a tropa em um de seus momentos mais críticos.

O recado ao eleitor indeciso

O candidato a vice-governador deixou mensagem direta para quem ainda está em dúvida sobre o voto em outubro. "58% da população do Rio de Janeiro considera a violência como o principal problema. E nós vamos bater forte nesse tema, segurança pública. Nós temos os caminhos para conseguir êxito, porque nós temos experiência, maturidade e principalmente coragem."

A chapa Garotinho-Venâncio Moura oficializou-se em convenção no dia 25 de julho, mesma data em que o PSD lançou Eduardo Paes ao governo. A eleição de outubro promete disputa acirrada entre experiência administrativa passada (Garotinho), capital político da situação (Paes) e o discurso de endurecimento penal sustentado pelo ex-comandante do BOPE.

Perfil — Coronel Venâncio Moura

Venâncio Alves de Moura é coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), unidade de elite da PMERJ reconhecida internacionalmente pelo combate ao crime organizado em comunidades. Sua trajetória inclui o comando da operação de seis meses no Complexo do Alemão, em 2007, que resultou na prisão de traficantes de alta periculosidade como Rolinho e Brunin G3. Especialista em operações especiais e gestão de crises, Venâncio acumula décadas de experiência em segurança pública e foi escolhido por Anthony Garotinho como candidato a vice-governador do Rio de Janeiro nas eleições de 2026, filiado ao Democracia Cristã (DC) em chapa com o Republicanos. Sua candidatura representa a aposta em uma política de segurança baseada em inteligência, integração comunitária e presença territorial do estado.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

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Por Jornal da República em 26/07/2026
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