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Rio de Janeiro — Enquanto o mercado global de cafés especiais projeta faturamento de US$ 32 bilhões em 2026, com crescimento anual de 15% no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), uma barista sensorial carioca descobriu que o verdadeiro segredo do sucesso não está apenas na xícara. Está na conexão com quem bebe.
Flávia Felipe desembarcou no salão nobre do Alfa Barra Clube, na Barra da Tijuca, para a primeira edição da Imersão Mulher, promovida pela Confraria Mulher sob a liderança da Dra. Renata Ibiapina. Não levou apenas café. Levou uma experiência sensorial completa — e voltou para casa com o estoque vazio.
O paladar como porta de entrada
O estande de Flávia no evento parecia uma loja de degustação, mas era, nas palavras dela, um convite ao autoconhecimento pelos sentidos.
O carro-chefe foi o licor de tequila com doce de leite, que combinava com o café especial que ela representa no Rio de Janeiro: o Café Tonani, grão 100% arábica classificado como bebida mole — nota 86 na escala da Specialty Coffee Association (SCA), o que o coloca na categoria de cafés especiais de alta qualidade.
"Está sendo muito positivo. "Já acabou tudo praticamente", disse ao Jornal da República, enquanto organizava as últimas amostras.
A classificação "bebida mole" não é casual. Segundo a Instrução Normativa nº 8/2003 do Ministério da Agricultura, que regula a classificação sensorial de cafés no Brasil, o termo designa grãos que produzem bebida de aroma e sabor agradáveis, suaves e adocicados — o padrão ouro para cafés especiais.
Cerrado Mineiro: a origem que virou selo de qualidade.
O café servido por Flávia é originário do Cerrado Mineiro, a primeira região do Brasil a receber o selo de Denominação de Origem para café, reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
A região, que abrange 55 municípios no noroeste de Minas Gerais, responde por uma fatia expressiva da produção nacional de cafés especiais e acaba de lançar uma nova marca institucional para fortalecer a identidade do produto no mercado internacional.
O mercado de cafés especiais no Brasil cresce a taxas de dois dígitos. Dados do Sebrae apontam que 27% dos cafeicultores brasileiros já produzem cafés com Indicação Geográfica ou Denominação de Origem, e a BSCA, sob nova presidência para o biênio 2026/27, projeta expansão contínua do consumo interno.
Além do café: a maionese de inhame que virou sensação.
Flávia não se limitou ao café. Entre os produtos que levou para a imersão, um deles roubou a cena: a maionese de inhame, que fez sucesso entre as participantes. A iguaria, que foge do óbvio em eventos de degustação, reflete a proposta da barista: unir sabor, afeto e surpresa.
"A gente precisa de mais eventos aqui no Rio de Janeiro com essa comunicação, com esse treinamento. "Eu acho que a gente precisa realmente chamar atenção para o autoconhecimento", afirmou.
A fala encontra eco nos números. Pesquisa do Instituto Cactus, publicada em março de 2026, revelou que 63% dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil são de mulheres, e que eventos de acolhimento e desenvolvimento pessoal têm se mostrado ferramentas complementares eficazes na prevenção do esgotamento emocional.
O encontro entre café e autoconhecimento
A Imersão Mulher, idealizada pela Dra. Renata Ibiapina — médica anestesista, advogada especializada em Direito Médico e CEO do Portal Confraria Brasil —, propôs exatamente isso: uma pausa na rotina para que mulheres pudessem se reconectar com sua essência. O café de Flávia Felipe entrou nesse contexto como um elemento de mediação sensorial.
Entre goles e silêncios, tem sentimentos que só aparecem do silêncio. "Entre um gole e outro, a mente desacelera, o coração organiza e a alma respira", escreve a barista em suas redes sociais.
A proposta de Flávia vai além de vender café. Ela se posiciona como especialista em experiências sensoriais — uma profissional que usa o café como linguagem de conexão humana, atuando em eventos corporativos, feiras e encontros de desenvolvimento pessoal.
Seu perfil no Instagram, @flaviafelipebarista, com mais de 2,6 mil seguidores, documenta essa trajetória que mistura barismo, afeto e propósito.
Um mercado em expansão e uma barista no centro.
O mercado global de cafés especiais, avaliado em US$ 32 bilhões para 2026, segundo o Business Research Insights, caminha lado a lado com a demanda por experiências personalizadas.
A Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) atualizou em 2025 seu Protocolo Brasileiro de Avaliação Sensorial, incorporando novas categorias que aproximam a classificação técnica da percepção do consumidor.
Flávia Felipe representa exatamente essa nova geração de profissionais do café: não apenas alguém que prepara a bebida, mas que constrói narrativas sensoriais em torno dela. Sua participação na Imersão Mulher não foi a de uma expositora comum — foi a de uma parceira de jornada.
O próximo passo? A Confraria Mulher já anunciou a realização de seu congresso anual em outubro, com a meta de reunir 500 mulheres no Rio de Janeiro. Flávia, provavelmente, estará lá — com licor, café e maionese de inhame.
Bio: Flávia Felipe.
Flávia Felipe é barista sensorial e especialista em experiências sensoriais no Rio de Janeiro. Representante da Café Tonani na capital fluminense, ela utiliza o café como ferramenta de conexão humana, atuando em eventos corporativos, feiras de empreendedorismo e encontros de desenvolvimento pessoal.
Sua abordagem combina a técnica do barismo com a sensibilidade do acolhimento, criando momentos que vão além da degustação. No Instagram, compartilha sua jornada como @flaviafelipebarista, onde documenta a interseção entre café, família, fé e autoconhecimento.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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