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A história registrará que a milícia no Rio de Janeiro não se sustenta apenas pela pólvora, mas pela conivência de gabinetes que oferecem o abrigo institucional necessário para a limpeza do capital sujo. A tese central é que a denúncia contra a ex-assessora de Flávio Bolsonaro é o fio de Ariadne que leva ao labirinto onde o crime e o Estado se fundem para lucrar com a barbárie.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) denunciou nesta quinta-feira (19) Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, sob acusação de lavar dinheiro para a milícia de Adriano da Nóbrega.
A denúncia recoloca o gabinete de Flávio Bolsonaro no centro de uma rede criminosa que movimentou R$ 8,5 milhões. Segundo o MP-RJ, Raimunda utilizou empresas de fachada para ocultar recursos obtidos com o jogo do bicho e atividades ilícitas lideradas por seu filho, o miliciano morto em 2022.
Por que isso importa agora? Porque a nova investida do MP-RJ contorna o arquivamento do caso das “rachadinhas” ao focar na origem miliciana do dinheiro que circulava em torno de assessores de Flávio Bolsonaro. O vínculo entre o gabinete na Alerj e o Escritório do Crime ganha contornos bancários inéditos.
A investigação detalha como o grupo criminoso sobreviveu à morte de Adriano da Nóbrega, mantendo uma estrutura de lavagem sofisticada que envolveu até o deputado federal Juninho do Pneu (União Brasil-RJ). Para os investigadores, a simbiose entre o poder político e a economia do crime no Rio permanece inalterada.
O elo persistente entre Flávio Bolsonaro e Adriano
Raimunda Veras Magalhães trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) entre 2016 e 2018. Sua denúncia agora não é apenas um fato isolado, mas a confirmação de que os quadros técnicos do senador mantinham relações orgânicas com o bando de Adriano da Nóbrega.
A Promotoria sustenta que Raimunda integrou a rede usada para ocultar valores do jogo do bicho em Copacabana. O nome de Flávio Bolsonaro ressurge no processo como o empregador que, no passado, abrigou em sua folha de pagamento os familiares do miliciano mais procurado do Brasil.
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