Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Por Carlos arouck
A escola de samba Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval de 2026, abrindo os desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro. Com o título “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a apresentação destacou a trajetória política do presidente, com alegorias e referências à sua origem operária.
Lula assistiu ao desfile de um camarote ao lado da primeira dama Janja, do vice presidente Geraldo Alckmin e de ministros. Em determinado momento, desceu para cumprimentar integrantes da comissão de frente. O samba enredo também incluiu críticas a setores conservadores, evangélicos e ao agronegócio, o que ampliou a repercussão política do desfile.
Partidos de oposição, como o Partido Liberal e o idPartido Novo, apresentaram representações ao Tribunal Superior Eleitoral, à Procuradoria Geral da República e ao Tribunal de Contas da União. As ações questionam possível propaganda eleitoral antecipada e eventual uso indevido de recursos públicos. O TSE rejeitou pedidos liminares antes do desfile, mas autorizou a continuidade da coleta de provas.
O governo federal negou interferência no conteúdo do enredo. Ainda assim, a participação de integrantes do governo no processo preparatório foi apontada por opositores. A primeira dama e a ministra Anielle Franco visitaram ensaios da escola, e o presidente da agremiação esteve no Palácio do Planalto em 2025. Segundo dados divulgados pela própria escola, o desfile contou com cerca de 9,6 milhões de reais em patrocínios públicos, incluindo repasses da Embratur e de administrações locais.
Na apuração, a Acadêmicos de Niterói terminou na última colocação do Grupo Especial, com 264,6 pontos, e foi rebaixada para a Série Ouro. O resultado ampliou o debate nas redes sociais e no meio político. Integrantes do governo atribuíram parte da repercussão negativa à mobilização digital de opositores, enquanto aliados classificaram as críticas como politização do Carnaval.
O desfile também provocou manifestações de lideranças conservadoras e religiosas. A ex primeira dama Michelle Bolsonaro, a senadora Damares Alves e o senador Flávio Bolsonaro criticaram o conteúdo apresentado na avenida. Parlamentares ligados à bancada evangélica afirmaram que houve desrespeito a valores religiosos.
Nos bastidores, agendas oficiais registraram reuniões em outubro de 2025 entre representantes da escola e a ministra Gleisi Hoffmann, com participação do deputado Lindbergh Farias. Os encontros ocorreram antes do anúncio público do enredo e são citados em ações judiciais como indício de proximidade entre a agremiação e o governo.
Especialistas em direito eleitoral divergem sobre a caracterização de irregularidades. Parte avalia que a homenagem pode ser enquadrada como manifestação cultural, enquanto outros apontam possível promoção pessoal em período pré eleitoral. As investigações devem avançar ao longo do ano.
O episódio evidencia a crescente interseção entre Carnaval e disputa política no país, com desdobramentos que ultrapassam o âmbito cultural e chegam às instituições eleitorais e ao debate público nacional.
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!