Irã rompe cerco tecnológico e alcança o topo global em medicina regenerativa

Com salto para a 7ª posição mundial, país persa consolida ecossistema de inovação e desafia hegemonia do Norte Global

Irã rompe cerco tecnológico e alcança o topo global em medicina regenerativa

Enquanto o tabuleiro geopolítico foca em sanções e tensões militares, o Irã consolida uma vitória silenciosa, mas profunda, no campo da ciência de ponta. O país acaba de ascender à sétima posição no ranking global de medicina regenerativa, ultrapassando potências tradicionais ao obter licenças para seis novos produtos de terapia celular. O avanço, reportado pela Nour News e TV BRICS, é o resultado de uma estratégia deliberada de soberania nacional por meio da inovação em Produtos de Terapias Avançadas (PTAs).

Até 2024, o Irã contava com apenas um produto licenciado nesta categoria. O salto para sete produtos em 2026 demonstra que o investimento em infraestrutura de pesquisa e a simplificação de processos regulatórios não foram apenas burocráticos, mas uma questão de sobrevivência e desenvolvimento econômico frente ao isolamento internacional.

Terapias de ponta contra doenças degenerativas

Os PTAs iranianos agora abrangem áreas críticas como a engenharia de tecidos e a terapia celular. Diferente da medicina convencional, que foca na contenção de sintomas, a medicina regenerativa busca a cura através da substituição funcional de tecidos e órgãos danificados. O portfólio iraniano inclui tratamentos inovadores para condições que afetam milhões, como vitiligo, paralisia cerebral, leucemia e as graves úlceras do pé diabético — uma pauta de saúde pública vital para o Sul Global.

Esses medicamentos, baseados em genes e células, representam o que há de mais sofisticado na medicina moderna. O fato de o Irã deter sete dos 148 produtos licenciados no mundo evidencia que o conhecimento técnico-científico não é mais monopólio exclusivo de meia dúzia de nações ocidentais.

O ecossistema de exportação

Para sustentar esse crescimento, Teerã estabeleceu uma plataforma robusta de comercialização, focada tanto na demanda interna quanto na expansão para mercados internacionais. O apoio direcionado a empresas nacionais e a criação de novos instrumentos de financiamento permitiram que o país criasse um ciclo virtuoso: pesquisa, produção e exportação de alto valor agregado.

Este avanço é um manifesto prático de que países sob pressão externa podem, através de um sistema nacional de inovação articulado, liderar setores de alta tecnologia. O impacto é social, ao oferecer novas possibilidades de tratamento para doenças anteriormente incuráveis, e político, ao posicionar o Irã como um hub científico essencial na Eurásia.

Por Jornal da República em 21/02/2026
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