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Quando a política reconhece quem faz o Carnaval acontecer,
A presença de Jeanine Domenech no Prêmio Plumas e Paetês Cultural 2026 não foi meramente protocolar. A pré-candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro chegou ao Teatro Carlos Gomes com discurso que transcende a retórica tradicional sobre Carnaval; ela o posiciona como questão de política pública, economia criativa e futuro do estado.
"O carnaval ele é um patrimônio histórico do estado do Rio de Janeiro. Então o carnaval ele vai muito além de fortalecer identidades, ele tem uma força, ele desenvolve não só a economia criativa, mas é oportunidade, geração de trabalho, geração de renda", afirmou Domenech em entrevista ao Jornal da República e Última Hora.
A declaração revela sofisticação política rara. Enquanto muitos candidatos tratam Carnaval como folclore desconectado de agenda econômica, Domenech o integra à estratégia de desenvolvimento.
Segundo dados da Secretaria de Economia Criativa do Rio de Janeiro, o Carnaval movimenta aproximadamente R$ 2,5 bilhões na economia estadual anualmente, gerando mais de 100 mil empregos diretos e indiretos.
A experiência nos bastidores: quando política trabalha com Carnaval.
Domenech não fala sobre Carnaval apenas como observadora. Nos últimos três anos, ela trabalhou diretamente na operação da festa, experiência que moldou sua compreensão sobre a complexidade do evento.
"Eu pude, nos últimos três anos, fazer parte trabalhando no carnaval. "Então eu vi de perto muito do que se faz ali, muito da magia do carnaval que tanto se fala", revelou.
Sua atuação incluiu coordenação de segurança no entorno da Marquês de Sapucaí e operação Lei Seca, testando bafômetro de motoristas de carros alegóricos.
Essa experiência prática diferencia seu discurso. Não é retórica vazia, é conhecimento adquirido em campo. Domenech compreende que Carnaval não é apenas espetáculo visual.
É logística complexa, é segurança, é coordenação de centenas de profissionais trabalhando simultaneamente.
"Eu tive a oportunidade de trabalhar como operação de segurança presente, fazendo o centro de comando operacional ali no entorno da Marquês de Sapucaí. E, na operação Lei Seca, eu tive a oportunidade de trabalhar fazendo o teste do bafômetro de todos os motoristas de carro alegórico, garantindo a segurança de todos os foliões", detalhou.

Jeanine Domenech e Selminha Sorriso
O invisível que sustenta o espetáculo.
Domenech articulou crítica fundamental sobre como o público consome Carnaval sem compreender sua estrutura: "Muitas pessoas acham que o carnaval somente é aquele glamour, né, festa, mas não sabem o que acontece por trás dos bastidores, quantas pessoas trabalham, quantas pessoas são empregadas."
Essa invisibilidade tem consequências econômicas reais. Costureiras trabalham meses em peças que serão usadas minutos.
Aderecistas dedicam semanas a adereços que ocuparão segundos na transmissão televisiva. Mestres de bateria coordenam centenas de percussionistas.
Coreógrafos criam sequências que definem o ritmo da escola.
"Esse prêmio nada mais é do que reconhecimento dessas pessoas que não estão de frente, mas trabalham para que tudo aconteça e saia aquele resultado lindo, maravilhoso", afirmou Domenech, reconhecendo que o Prêmio Plumas e Paetês funciona como mecanismo de visibilidade para profissionais historicamente marginalizados.
A edição de 2026 do prêmio superou a marca de 1.500 trabalhadores condecorados em sua história, consolidando-se como arquivo vivo da economia criativa carnavalesca.
Carnaval como política pública: a agenda legislativa de Domenech
Domenech não apenas celebra o Carnaval, ela propõe transformá-lo em prioridade legislativa. "Eu tenho pautas e projetos de carnaval. E o carnaval, ele é isso: ele é familiar, ele agrega as pessoas e ele envolve muito mais do que a cultura."
Sua abordagem integra Carnaval a múltiplas dimensões de política pública: "Dentro do carnaval a gente faz projetos de esporte, a gente chama a comunidade toda, é um ano inteiro de dedicação para aquele momento acontecer."
Essa visão holística diferencia sua candidatura. Não se trata apenas de preservar tradição, é de reconhecer que Carnaval é ferramenta de desenvolvimento social, geração de renda, inclusão comunitária e fortalecimento de identidades.
"O carnaval, ele não acontece do dia para a noite, né? Ele é um trabalho de famílias, de gerações inteiras que se dedicam. "E esse prêmio hoje ele é a representação disso", completou Domenech, reconhecendo que Carnaval é trabalho geracional, não evento pontual.
Economia criativa como base da sociedade.
Domenech posiciona economia criativa não como setor secundário, mas como fundação da sociedade carioca: "Muitas pessoas vivem do carnaval, então ele hoje é uma base da nossa sociedade, é um espetáculo lindíssimo."

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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