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Escrito por Robson Augusto
O pré-candidato do Partido Novo ao Senado pelo Rio de Janeiro, Léo Rodrigues, afirmou que “quem estiver portando fuzil tem que ser abatido” no enfrentamento ao crime organizado. A declaração foi dada nessa sexta-feira (22 de julho), em entrevista ao repórter Marcelo, o Sub do Judô (@marcelosubdojudo), e coloca a letalidade no confronto com as facções no centro da pauta de segurança pública que o empresário pretende levar a Brasília, ao lado da chapa de André Marinho ao governo fluminense.
Segundo suplente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rodrigues oficializou a pré-candidatura ao Senado pelo Novo em 4 de junho, em vídeo ao lado do presidente estadual da sigla, Thiago Esteves. A tendência é que integre a chapa de André Marinho, pré-candidato do Novo ao Palácio Guanabara. Rodrigues foi secretário no governo de Wilson Witzel e acabou exonerado quando Cláudio Castro assumiu o comando do Executivo estadual.
“Quem estiver portando fuzil tem que ser abatido”
Provocado sobre a rotina de “bandidos com fuzil na mão e tornozeleira no pé” e sobre a percepção de que “a polícia prende e a Justiça solta”, o pré-candidato defendeu o confronto direto. “Acho que quem estiver portando fuzil tem que ser abatido. Vai ter o confronto direto com a polícia porque está usando uma máquina de guerra que mata pessoas inocentes”, disse. Para ele, o porte de armamento de guerra transforma a questão em um problema de segurança pública a ser resolvido no enfrentamento.
O vocabulário do “abater” e do “confronto direto” se insere em um debate antigo no Rio de Janeiro, marcado por operações policiais de alta letalidade e pela discussão jurídica sobre os limites do uso da força e da legítima defesa. Na entrevista, contudo, Rodrigues não tratou a repressão como resposta única e associou o combate armado a uma frente de prevenção de médio e longo prazo.
Ensino técnico e esporte como frente de prevenção
O eixo social da pauta do pré-candidato passa pelo ensino técnico. O empresário entrou em uma questão que é bastante debatida no Rio de Janeiro, a falta de opção para a juventude que reside nas cumunidades. Rodrigues afirmou que é preciso “dar opções a esses jovens para que não sejam obrigados a entrar no segmento da bandidagem” e defendeu levar unidades da FAETEC, a Fundação de Apoio à Escola Técnica, rede estadual de educação profissional gratuita do Rio de Janeiro, e institutos de formação técnica para dentro das comunidades.
Ele apontou um descompasso do mercado de trabalho como justificativa. Segundo o pré-candidato, disse na entrevista, cerca de 35% dos que concluem o ensino superior não encontram espaço profissional, enquanto falta mão de obra técnica qualificada. A proposta que ele defende é ocupar esse vão com qualificação profissionalizante nos territórios mais afetados pela violência, oferecendo ao jovem uma alternativa concreta ao recrutamento do tráfico.
O esporte aparece como complemento dessa frente. Em entrevista conduzida justamente por Marcelo, o Sub do Judô, Rodrigues resumiu a aposta em uma imagem: “A gente não quer ver um jovem usando tornozeleira, a gente quer ver o jovem usando a faixa do quimono, uma medalha no peito.” Para o pré-candidato, a prática esportiva cumpre papel de “formação moral” de crianças e adolescentes.
“Retomar, ocupar e permanecer”
Questionado se parte do Rio “não é mais território brasileiro”, Rodrigues sustentou que há áreas ocupadas, mas que pertencem ao Estado. “O Estado tem que entrar, expulsar os bandidos, retomar, ocupar e permanecer”, afirmou, condicionando a permanência à chegada de projetos de educação técnica, esporte e ação social. “A gente entra e não sai mais”, concluiu, ao defender que a retomada seja acompanhada de presença continuada do poder público.
A pré-candidatura se insere na disputa por duas cadeiras do Senado pelo Rio de Janeiro em 2026, cada eleitor vota em dois nomes neste ciclo. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Pelo Novo, Rodrigues divide o palanque com a agenda econômica considerada como liberal de André Marinho, em uma chapa que tenta se apresentar como alternativa de centro-direita no estado.
Até as convenções, o que parece é que o tom do “abater” e a promessa de ensino técnico nas comunidades tendem a seguir como marcas da campanha.
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