Lista de Adilsinho leva PF a mirar Bacellar, Poncio e políticos do RJ

PF apura lavagem de dinheiro, supostos pagamentos indevidos e possível ramificação do jogo do bicho em setores políticos do Rio

Lista de Adilsinho leva PF a mirar Bacellar, Poncio e políticos do RJ

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2), uma nova fase da Operação Unha e Carne, investigação que apura suposto vazamento de informações sigilosas que teria beneficiado integrantes do Comando Vermelho e, agora, aprofunda suspeitas de lavagem de dinheiro ligada à nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro.

Entre os alvos estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho e o pastor e empresário Márcio Poncio. Bacellar e Adilsinho já estavam presos. Poncio foi preso pela manhã em um hotel na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, também aparece entre os alvos da ofensiva, segundo as informações publicadas.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Os mandados são cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Há três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Também foi determinado o sequestro de bens e valores até o limite de cerca de R$ 22 milhões.

Listas apreendidas com Adilsinho levaram a nova fase

Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da investigação teve origem após a apreensão de listas em poder de Adilsinho. O material indicaria registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade ligada à lavagem de capitais.

Os documentos chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro. A PF afirma que as buscas desta quinta-feira têm como objetivo aprofundar a análise do material apreendido, rastrear o fluxo financeiro investigado e identificar eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

A apuração mira uma possível ramificação do grupo investigado junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado. Até o momento, as informações divulgadas tratam de indícios sob investigação, sem conclusão definitiva sobre a participação de todos os citados.

Investigação começou com suspeita de vazamento ao CV

A Operação Unha e Carne começou a partir da suspeita de que informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho teriam sido vazadas. As primeiras fases investigaram uma suposta rede de proteção que teria permitido o repasse de dados reservados, comprometendo diligências e dando margem para destruição ou ocultação de provas.

Na primeira etapa, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, tornou-se alvo sob suspeita de ter repassado informações da Operação Zargun, ofensiva que mirava o Comando Vermelho. De acordo com a investigação, o principal beneficiado pelo suposto vazamento seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso durante a operação.

Em fase posterior, a Polícia Federal prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Segundo os investigadores, o magistrado teria repassado informações sigilosas a Bacellar, que, por sua vez, as transmitiria a TH Joias. A PF afirma ter reunido mensagens, registros de ligações e outros elementos que apontariam para a relação entre os investigados.

Em março, Bacellar voltou a ser preso, desta vez em Teresópolis, na Região Serrana. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral, no âmbito do caso Ceperj, e depois de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Já em maio, a quarta fase da Operação Unha e Carne ampliou o foco da apuração para suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Na ocasião, foram cumpridos mandados na capital e em municípios como Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana.

Segundo a Polícia Federal, aquela etapa apontou indícios de direcionamento de contratos para aquisição de materiais, contratação de serviços e realização de obras de reforma em escolas estaduais. As empresas beneficiadas teriam sido previamente selecionadas e manteriam vínculo com a organização criminosa investigada.

A nova fase, deflagrada nesta quinta-feira, desloca o eixo da investigação para o possível fluxo financeiro do grupo, com foco em lavagem de dinheiro, listas de pagamentos e eventuais repasses a agentes públicos e políticos do Rio.

Via Ururau

Por Jornal da República em 02/07/2026
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