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A 26ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 10, traz uma virada no cenário presidencial: após meses de empate e de uma breve vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) projeta vitória no 2º turno. O levantamento também revela o impacto crescente do caso Master sobre a percepção pública do pré-candidato bolsonarista. A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 8 de junho com 2.004 entrevistados em todo o país e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.
No cenário principal do 2º turno, que confronta diretamente Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 44% das intenções de voto, contra 38% do senador. Brancos, nulos e os que não pretendem votar somam 14%, e os indecisos, 4%.
A virada é significativa dentro da série histórica da própria Quaest. Em março e abril de 2026, os dois estavam numericamente empatados (41% a 41% e 42% a 40%, respectivamente), e em abril Flávio havia ultrapassado Lula pela primeira vez. Agora, a diferença voltou a ser de 6 pontos percentuais em favor do petista — patamar mais próximo ao registrado no início do ano.
Nos outros três cenários testados para o 2º turno, Lula mantém a liderança com conforto. Contra Romeu Zema (Novo), o presidente marca 45% contra 35%. Diante de Ronaldo Caiado (PSD), a vantagem é de 45% a 35%. E, em uma disputa entre Lula a Renan Santos (Missão), o petista alcança 45% contra 31% do adversário. Em todos os confrontos sem Flávio, a margem do presidente supera os 10 pontos percentuais, sinalizando que o filho do ex-presidente continua sendo o único nome da oposição capaz de tornar a disputa competitiva.
1º turno: Lula lidera, Flávio recua
No cenário de primeiro turno com o maior número de candidatos, Lula aparece com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 29%.
Atrás dos dois líderes, o cenário segue fragmentado: Renan Santos (Missão) aparece com 3%, assim como Ronaldo Caiado (PSD). Romeu Zema (Novo) e Aécio Neves (PSDB) marcam 2% cada. Os demais candidatos não chegam a 2%. Os indecisos somam 10% e brancos/nulos/abstenção, 9%.
A volatilidade ainda é alta. Entre os eleitores de Flávio, 70% dizem que sua escolha ainda pode mudar, ante 29% que a consideram definitiva. Entre os eleitores de Lula, os decididos representam 71%.
Caso Master pressiona Flávio
O caso envolvendo o Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark horse” ocupa papel de destaque na pesquisa de junho, com uma bateria de perguntas que revela o impacto crescente do escândalo sobre a imagem de Flávio Bolsonaro.
O nível de informação sobre o caso é alto: 42% dos brasileiros dizem estar bem informados sobre o escândalo do Banco Master, 25% sabem do assunto mas não se consideram bem informados, e apenas 33% não tinham ouvido falar. Sobre a ligação específica entre Flávio e Vorcaro — os áudios, o encontro e os cerca de R$ 61 milhões em repasses investigados pela Polícia Federal —, 55% disseram já conhecer as notícias antes de ser perguntados.
O julgamento popular é duro. Quando questionados se Flávio acertou ou errou ao pedir financiamento a Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro, 65% respondem que ele errou e devia ter evitado a aproximação. Apenas 17% acham que não há nada de errado nisso. O recorte por posicionamento revela que, mesmo entre os bolsonaristas, o resultado é dividido: 42% acham que ele errou, 42% que acertou.
As suspeitas sobre as intenções por trás das negociações também são majoritárias: 60% dos entrevistados dizem que as conversas entre Flávio e Vorcaro levantaram suspeitas sobre atitudes ilegais, contra 19% que as consideram normais. Entre independentes, a proporção é de 63% para suspeitas contra 11% para normalidade. Até entre a direita não bolsonarista, 42% enxergam irregularidades nas tratativas.
Mais grave ainda para o pré-candidato: 58% acreditam que Flávio pode estar escondendo envolvimento ilegal no caso, e 62% consideram que ele sabia que Vorcaro estava envolvido em corrupção. Apenas 26% acreditam que o senador desconhecia as atividades do ex-banqueiro.
Entre todos os entrevistados, 50% afirmam que as revelações sobre a relação Flávio-Vorcaro não mudam sua intenção de voto porque já não votariam nele de qualquer forma. Outros 12% dizem que as notícias diminuíram a vontade de votar no senador. Apenas 26% afirmam que continuariam votando nele independentemente do escândalo, e somente 6% dizem que as revelações aumentaram a vontade de votar em Flávio.
A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. A medida é amplamente conhecida — 63% já sabiam da decisão do governo Trump antes de ser perguntados — e tem apoio majoritário no país: 60% acham que o Brasil também deveria adotar a classificação, contra 29% contrários. A divisão aparece quando o assunto é o papel de Flávio Bolsonaro na decisão americana: 47% acreditam que ele influenciou Trump a tomar a medida, enquanto 37% discordam.
O tarifaço imposto pelos EUA a produtos brasileiros é outra frente em que o senador sai em desvantagem na percepção pública. Mesmo com o tema tendo perdido saliência — apenas 48% dizem estar cientes das novas tarifas, ante 84% no pico de agosto do ano passado —, 55% dos entrevistados ainda acreditam que as taxas vão prejudicar sua vida ou a de sua família. Na disputa narrativa entre os dois líderes, 47% concordam com a versão de Lula, que acusa Flávio de ter pedido o tarifaço contra o Brasil, enquanto 35% ficam com a versão do senador, que diz ter pedido a Trump para não taxar o país.
Aprovação de Lula: leve recuperação, mas ainda no campo negativo
A aprovação do governo Lula registrou uma discreta melhora em junho, mas o cenário geral permanece desfavorável ao presidente. Segundo a Quaest, 47% dos entrevistados aprovam o trabalho do petista — um avanço de um ponto em relação a maio (46%) e de quatro pontos em relação ao fundo do poço registrado em abril (43%). A desaprovação, por sua vez, recuou de 49% para 48%, ainda mantendo maioria contrária ao governo.
Na avaliação qualitativa, 34% consideram o governo positivo — mesmo número de maio —, enquanto 38% o avaliam negativamente (queda de 1% em relação a maio) e 26% como regular.
A polarização política segue evidente no recorte por posicionamento. Entre os lulistas, 96% aprovam o governo. Entre os bolsonaristas, 92% o desaprovam. O eleitorado independente, grupo decisivo em outubro, continua majoritariamente contrário ao presidente: 41% aprovam (crescimento de 4% em relação a maio) e 47% desaprovam (queda de 5%).
VIA https://amadomundo.com/
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