Lula vetou a entrada da Venezuela no BRICS em 2024 e não reconheceu Maduro como presidente eleito

Lula vetou a entrada da Venezuela no BRICS em 2024 e não reconheceu Maduro como presidente eleito

  A reação do governo da Venezuela à decisão de não incluí-la como membro associado do BRICS foi classificada como “desproporcional” pelo assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim. Segundo ele, o episódio expôs um mal-estar nas relações diplomáticas entre Brasil e Venezuela.

Durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Amorim afirmou que as declarações do presidente venezuelano Nicolás Maduro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Itamaraty extrapolaram o tom diplomático esperado, com acusações consideradas excessivas e sem fundamento.

De acordo com o assessor, apesar da tensão, o governo brasileiro optou por não reagir publicamente às críticas, evitando escalar o conflito. A orientação é preservar a discrição e manter canais institucionais abertos, ainda que o ambiente bilateral esteja mais frio.

O episódio também evidenciou divergências políticas mais amplas. Amorim lembrou que o Brasil tem adotado uma postura cautelosa em relação ao governo Maduro e não reconhece o novo mandato presidencial na Venezuela, em razão de questionamentos sobre o processo eleitoral.

Sobre o BRICS, o assessor explicou que a decisão contrária à entrada venezuelana decorreu de uma avaliação política e estratégica. Para o Brasil, a ampliação do bloco deve ocorrer com critérios claros e por consenso entre os membros, de modo que novos integrantes tenham capacidade de representar suas regiões e contribuir efetivamente para o grupo.

“O Brasil não defende uma expansão automática. É preciso avaliar se o país candidato reúne condições políticas, econômicas e institucionais para fortalecer o bloco”, afirmou Amorim ao justificar a posição brasileira no BRICS.

Mesmo diante do impasse, o governo brasileiro sinaliza que seguirá buscando diálogo com a Venezuela, apostando que a interlocução diplomática pode ajudar a reduzir tensões e evitar um afastamento definitivo entre os dois países.

 

Fonte: Antena 1

Por Jornal da República em 05/01/2026
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