Meu Noroeste

Por André Ferreira

Meu Noroeste

Há mais de 25 anos, saí da Baixada Fluminense para Itaperuna com o propósito de trabalhar em um projeto do nosso grande líder político da Baixada, Fábio Raunheitti, o querido Fabão: a criação do primeiro campus universitário da região e do maior campus universitário da América Latina.

O sonho de Fabão era o sonho de todos nós que trabalhávamos com ele, de forma direta ou indireta: fazer com que a região Noroeste e Itaperuna crescessem e se tornassem referência. Fizemos de tudo. Construímos a universidade, toda a infraestrutura, e corremos atrás de sua implantação. Várias pessoas e lideranças ligadas a Fábio Raunheitti — sem citar nomes para não correr o risco de esquecer alguém — ajudaram nesse projeto. Parabéns a todos os envolvidos.

Lembro-me sempre de deixar o meu carro aberto, com a chave na ignição, quando chegava em casa. O comércio e os prestadores de serviço ganhavam dinheiro com as obras do Campus V da UNIG. Houve crescimento e expansão imobiliária. Vieram também os serviços sociais, odontológicos, de saúde e o núcleo jurídico.

Tudo isso com os mesmos gestores da universidade, ou seja, criado pela iniciativa privada, que sempre esteve à frente, fazendo aquilo que era dever do Estado e do município, isto é, das autoridades constituídas.
Infelizmente, a cidade parou no tempo após isso. Depois que o campus foi aberto e passou a funcionar, nada de grande impacto veio para a cidade. Não criaram mais nada.
Hoje, o que se destaca, infelizmente, é a desordem na região, a violência e jovens morrendo no dia a dia, principalmente na cidade de Itaperuna. São malas pretas nos bastidores da corrupção, enquanto o povo sofre pela falta de projetos públicos capazes de continuar o desenvolvimento da região Noroeste.

Até hoje, para os senhores terem noção, encontra-se engavetada a criação do primeiro polo industrial da região. Esse projeto foi elaborado, na época, na Secretaria de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Turismo, quando o secretário era o professor Jefferson Leite. Ao me convidar para fazer parte do seu grupo de trabalho, ele me deu a missão de criar algo de impacto para a cidade, assim como foi a UNIG.

Naquele momento, eu disse: “O que nós precisamos agora é gerar empregos e formar profissionais capacitados para trabalhar na região. Precisamos trazer indústrias”.
Criamos, então, esse projeto: o primeiro polo industrial da região, que hoje permanece na gaveta. Passaram-se anos, vários prefeitos assumiram o município, e ninguém tirou o projeto do papel, simplesmente por vaidade, para não dar mérito ao nosso trabalho. Mesmo assim, continuamos lutando, ao lado de várias pessoas envolvidas e líderes empresariais.
Ainda existem pessoas bem-intencionadas na política da nossa região.

Mas faço um chamado ao povo para uma reflexão. Precisamos acordar para a realidade de hoje. Como eu disse no começo, eu deixava o meu carro na rua com a chave na ignição. Hoje, o que temos? Violência, pobreza e corrupção.
Agora é a hora. Estamos às vésperas das eleições e precisamos respeitar aqueles que amamos: a nossa família. Não podemos ter corruptos de estimação. O que a população precisa são gestores públicos bem-intencionados.

Fica aqui apenas uma reflexão nesta coluna, para que façamos uma avaliação de quais gestores tivemos ao longo dessas décadas e o que eles realmente fizeram pelo crescimento da região. A resposta, infelizmente, é: nada.

Por Jornal da República em 18/05/2026
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