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A experiência que virou projeto: Rodrigo Drable deixa o comando de Barra Mansa para defender no estado a receita que reconstruiu a cidade

Em evento de casa cheia no Barra World, o ex-prefeito por dois mandatos apresenta ao Solidariedade uma plataforma ancorada em três frentes: educação técnica, saúde sem intervenção política e o fim da indicação de comandantes por deputados
O passo maior de quem já governou
O auditório do Barro Hoje estava de casa cheia para receber dois nomes do Solidariedade na reta final da campanha: o candidato a deputado federal Áurio Ribeiro e o candidato a deputado estadual Rodrigo Drable. A presença de Drable no palanque, porém, carregava um simbolismo próprio. Ex-prefeito de Barra Mansa por dois mandatos e vereador por outros dois, ele reúne uma rara combinação de experiências nos poderes Executivo e Legislativo — e agora se propõe a dar um passo maior, representando todo o cidadão do estado do Rio de Janeiro.
"Eu estou muito feliz com essa candidatura. Estou animado com a possibilidade de ser eleito deputado estadual e poder pegar aquela experiência que eu tive como prefeito, tudo aquilo que a gente viveu, um momento muito difícil, muito parecido com o que o estado vive hoje, e compartilhar isso com o estado e com os outros municípios", afirmou, em entrevista ao Jornal da República e à Última Hora Online.
A cidade que devia um ano de orçamento
A trajetória de Drable à frente de Barra Mansa é o alicerce de sua candidatura. Quando assumiu a prefeitura, encontrou uma cidade em colapso: o município devia o equivalente a quase um ano inteiro de orçamento, com toda a estrutura comprometida e a saúde, em especial, sem condições mínimas de atendimento. O ponto de partida, segundo ele, era o mais adverso possível.
A resposta veio com planejamento de longo prazo associado a muito esforço. A reestruturação da cidade ganhou um teste de fogo inesperado com a chegada da pandemia. Barra Mansa registrou o primeiro caso de Covid-19 do estado do Rio de Janeiro — e a cidade, que já vinha se reorganizando, acabou se tornando referência no atendimento à região Sul Fluminense inteira durante a crise sanitária.
A vitória que se mede pelo sucessor
O êxito da gestão, para Drable, não se mede apenas pelos números de seu próprio mandato, mas pela continuidade. Ele foi reeleito com 51,41% dos votos e, ao final do ciclo, viu o sucessor — que havia sido seu secretário — dar sequência ao trabalho. "Hoje a avaliação dele é maravilhosa, sinal de que esse trabalho de planejamento de longo prazo deu certo", afirmou.
A escolha e a vitória do sucessor funcionam, na leitura do ex-prefeito, como um atestado de que a gestão técnica e competente produz resultados que sobrevivem à troca de comando. "Barra Mansa está longe de ser a cidade que eu sonhei, mas muito distante daquela que recebi", costuma resumir.

A crítica à confusão de papéis na segurança
Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a defesa de uma separação clara entre os papéis do Legislativo e do Executivo na gestão da segurança pública. Drable criticou a prática de deputados indicarem comandantes de batalhão ou líderes de segmentos da polícia — uma confusão de funções que, segundo ele, compromete a própria cobrança de resultados.
"Como é que pode um deputado indicar comandante de batalhão ou líder de segmento da polícia e ao mesmo tempo cobrar resultado? Quem tem que entregar resultado é o governador. O papel do deputado é fiscalizar, é estar do lado da população apontando o que está errado e cobrando investimentos e atuação", afirmou.
A crítica ganha contornos de diagnóstico sobre o estado. "O estado do Rio, nos últimos anos, teve uma intervenção muito forte do legislativo no executivo. A gente tem que distinguir os papéis. São poderes autônomos e independentes, que têm que guardar uma certa distância em algumas atividades para o cidadão ser beneficiado na conta. Não pode deputado querer ser sócio ou dono de feudo no governo do estado, porque a coisa não vai dar certo", completou.
A primeira proposta: educação que vale no mercado
Na reta final, Drable apresentou as três propostas que pretende defender na Assembleia Legislativa, todas ancoradas na experiência de quem governou. A primeira é a educação técnica profissionalizante dentro da rede estadual. A ideia é tirar a Faetec da pasta de ciência e tecnologia e vinculá-la à educação, permitindo que os alunos do terceiro ano do ensino médio saiam da escola já com um diploma que tenha valor no mercado de trabalho.
"Eu quero brigar pela educação", resumiu. A proposta mira diretamente a empregabilidade dos jovens e a conexão entre a escola pública e o mundo do trabalho, um dos gargalos históricos do estado.
A segunda proposta: saúde sem pires na mão
A segunda bandeira é a garantia de que cada município receba recursos suficientes para entregar a saúde à população. Drable defende que as cidades com rede robusta recebam os repasses em dia, sem intervenção política. A crítica é direta ao modelo atual, em que prefeitos ficam "com o pires na mão, pedindo para deputado, pelo amor de Deus, para receber pelos serviços prestados".
"Porque aí a saúde inteira colapsa, você fica com cidades dependendo de outras ou da capital, e você tem prejuízo da qualidade do atendimento por todos os lados", alertou. A proposta ataca a lógica da barganha política que, segundo ele, transforma a saúde em moeda de troca.
A terceira proposta: improbidade na indicação de agentes
A terceira proposta é a mais ousada e dialoga diretamente com sua crítica à segurança pública: tornar improbidade administrativa a mera indicação, por parte de um deputado, de agentes da segurança pública. A ideia é que o governador seja autônomo na gestão da segurança, sem ingerência do Legislativo nas nomeações.
"Não pode haver intervenção, indicação de deputado. O papel do deputado é fiscalizar e cobrar resultado. Não pode ser a indicação do comandante de batalhão, porque no final das contas ele próprio perde autoridade moral e política de cobrar o resultado", defendeu. A proposta sintetiza a tese central de sua campanha: separar as esferas de poder para que cada uma responda por suas responsabilidades.
O recado final: nada é impossível
Faltando três dias para a eleição, Drable encerrou a entrevista com um apelo direto ao eleitor. "Preciso de você que acredita no estado do Rio que pode dar certo. Me disseram um dia que era impossível resgatar a minha cidade, e aquela cidade impossível se tornou uma das mais pujantes do estado. Então digo a você: nada é impossível, desde que nós dediquemos o melhor dos nossos esforços ao que é certo, correto, fazer gestão técnica e competente", afirmou.
A mensagem final foi de esperança realista: "Um dia não vai ser fácil nem rápido, mas nós podemos ter um estado do Rio que dê certo, e que a qualidade de vida sua e minha seja muito melhor do que a de hoje". A trajetória de quem reconstruiu uma cidade devastada é, na campanha de Drable, o principal argumento para quem acredita que o estado também pode mudar.
Biografia: Rodrigo Drable
Rodrigo Drable Costa nasceu em Volta Redonda, no Sul Fluminense, e construiu sua vida pública em Barra Mansa, cidade que governou por dois mandatos. Administrador e empresário, iniciou a trajetória política como vereador, cargo que ocupou por dois mandatos, e foi eleito prefeito em 2016 pelo PMDB, sendo reeleito em 2020 pelo DEM com 51,41% dos votos. À frente da prefeitura, enfrentou um dos períodos mais difíceis da história do município — que devia quase um ano de orçamento — e conduziu a reestruturação da cidade, incluindo o enfrentamento da pandemia de Covid-19, quando Barra Mansa registrou o primeiro caso do estado e se tornou referência no atendimento à região Sul Fluminense. Após oito anos no Executivo municipal, passou a atuar no Governo do Estado como subsecretário, e em 2026 teve a candidatura a deputado estadual homologada pelo Solidariedade, na Federação Renovação Solidária, com o número 77.890. Sua plataforma é ancorada na experiência de gestão: educação técnica profissionalizante, saúde sem intervenção política e o fim da indicação de comandantes de segurança por deputados, defendendo a separação clara entre os poderes Legislativo e Executivo.

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber
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Fontes
Jornal da República / Última Hora Online — Entrevista com Rodrigo Drable no Barro Hoje (02/10/2026) | G1 — "Rodrigo Drable, do DEM, é reeleito prefeito de Barra Mansa" (15/11/2020) | G1 — Ficha do candidato Rodrigo Drable (77890, Solidariedade) | A Gazeta Regional — "Após dois mandatos como vereador, oito anos como prefeito e atuação no Governo do RJ, Rodrigo Drable é pré-candidato a deputado estadual" | Correio da Manhã — "Rodrigo Drable e Munir Neto têm homologadas suas pré-candidaturas" (27/07/2026) | Prefeitura de Barra Mansa — Programas e gestão de Rodrigo Drable | Saúde RJ — Primeiro caso de Covid-19 confirmado no estado (05/03/2020) | Site oficial — rodrigodrable.com.br
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