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Pastor Henrique Vieira vê na reta final a chance de "salvar a democracia" e aposta no diálogo com os evangélicos e defendeu o estado laico, o respeito à diversidade religiosa e o fim da escala 6x1 como agenda para "ver o povão feliz".

A reta final na Cinelândia
O Centro do Rio virou, nesta sexta-feira (2), o palco do último grande ato da campanha de Lula antes do primeiro turno. Em meio à multidão que lotou a Cinelândia, o deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), candidato à reeleição com o número 5001, concedeu entrevista à Jornal da República e definiu os dois dias que separam o país das urnas como decisivos.
"É uma reta final para a gente salvar a democracia nesse país, reeleger o presidente Lula", afirmou. Vice-líder do governo na Câmara, ele disse querer voltar a Brasília "como uma das lideranças dessa democracia, enfrentando essa brutalidade da extrema direita para a gente avançar na geração de emprego, de renda, garantia de direitos e combater a fome".
"O público evangélico é a classe trabalhadora"
Questionado sobre a disputa pelo voto evangélico, um dos campos mais cobiçados da eleição, o pastor não fugiu do tema. "O público evangélico é a classe trabalhadora", resumiu. Sua estratégia, disse, é "dialogar e furar a bolha" — defendendo o estado laico e o respeito à diversidade religiosa.
Para Henrique Vieira, a disputa por esse eleitorado passa por um recado direto: "Para ver o nosso povo feliz, é enfrentar o que a direita faz, que é desrespeitar o púlpito, que é aparelhar a igreja. É justamente por respeitar a fé que eu prefiro dialogar no papo reto e apresentar um projeto de país baseado no amor ao próximo".
A posição não é nova no mandato dele: fundador da Igreja Batista do Caminho, no Rio, Henrique criou no Congresso a Frente Parlamentar em Defesa do Estado Laico, defendendo a liberdade religiosa e também o direito à não crença — pauta que o reposiciona no debate com a bancada evangélica sem abrir mão dos direitos civis.
Fim da escala 6x1: a bandeira que uniu a tribuna e a rua
Uma das lutas centrais do primeiro mandato do pastor virou lei viva da campanha. Henrique é um dos autores da PEC 221/2019, que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 — ao lado do também deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ). Em discurso na tribuna, ele já cobrou o apoio da bancada evangélica, os "defensores da família", argumentando que "a jornada 6x1 desagrega famílias" ao roubar dos trabalhadores tempo de convívio.
A proposta avançou com força em 2026: a CCJ da Câmara aprovou a admissibilidade em abril e o plenário referendou a mudança em maio, com 472 votos favoráveis e apenas 22 contrários, reduzindo a jornada de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso. O texto agora aguarda análise do Senado. Para o deputado, a pauta "abriu diálogo até com quem nunca votaria na esquerda".
Mandato de periferia e protagonismo nacional
Eleito em 2022 com mais de 50 mil votos, Henrique Vieira construiu no primeiro mandato uma atuação que mistura fé, direitos humanos e políticas sociais. É coautor, ao lado do ministro Guilherme Boulos, da lei que instituiu o Programa Nacional das Cozinhas Solidárias, hoje política pública do governo federal no enfrentamento à fome. Ao lado de Erika Hilton (PSOL-SP), enfrentou as tentativas de extinguir o casamento civil igualitário no país.
O parlamentar marcou presença ainda na CPMI do 8 de Janeiro, em defesa da democracia, e registrou em 2025 99,58% de disciplina partidária, com alinhamento ao PSOL em 239 dos 240 votos da Casa. Em 2024, foi o nome do partido na disputa pela presidência da Câmara — um gesto político que consolidou sua posição entre as lideranças do campo progressista.
O chamado final
Para encerrar, o pastor fez o apelo da reta final: "Valeu, 5001", disse, em referência ao próprio número de urna. "A nossa agenda é popular para ver o nosso povão feliz." Além de Henrique Vieira, o palanque da Cinelândia pedia votos para Lula (13), para a Presidência; e Benedita da Silva (131), ao Senado.
Perfil — quem é Pastor Henrique Vieira
Henrique dos Santos Vieira Lima, 39 anos, nasceu em Niterói (RJ), em 1987, e cresceu na periferia da cidade. Homem negro, filho da classe trabalhadora, é pastor fundador da Igreja Batista do Caminho, professor, escritor, poeta e ator — chegou a atuar no filme "Marighella". Formado em Teologia, Ciências Sociais e História, filiou-se ao PSOL em 2007 e foi vereador de Niterói em 2012. Eleito deputado federal em 2022 com mais de 50 mil votos, tornou-se vice-líder do governo Lula na Câmara e referência nacional na defesa do estado laico, da liberdade religiosa, dos direitos humanos e da agenda popular. Pai da Maria, segue na linha de frente do combate à fome, pela redução da jornada de trabalho e por um Brasil onde fé e democracia caminhem juntas.

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber
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